Em época de Corona Vírus: Fecharemos os templos?


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            A pandemia do Coronavírus já é uma realidade no Brasil, os números divulgados pelas secretarias estaduais de Saúde, até as 20h00 desta última quarta-feira (18/03), apontam para 512 (quinhentos e doze) casos confirmados em 20 estados da federação e no Distrito Federal, dos quais redundaram em 04 (quatro) óbitos em virtude da doença.
            Dentre as ações perpetradas pelo poder público, a que mais tem causado polêmica no mundo evangélico é o isolamento social, tendo em vista que os executivos estaduais e municipais proibiram reuniões públicas com mais de 50 (cinquenta) pessoas, decisão esta, que afetou frontalmente os cultos de inúmeras igrejas evangélicas em nosso país.
            Ante o quadro estabelecido, ou seja, a impossibilidade de realizar cultos com mais de 50 (cinquenta) pessoas, surgiu um caloroso debate nas redes sociais, defendendo posições diametralmente opostas, sempre lastreando a sua visão em uma concepção particular do Evangelho, do cristianismo e da fé.
            De um lado, estão aqueles que defendem que as igrejas devem continuar a sua vida normal, com os cultos regulares, independente do quantitativo de frequentadores. A tese deste grupo se baseia em visão mais pueril da fé, para eles, o culto público sobrepuja qualquer outro imperativo do Evangelho, nessa ótica, a reunião (culto) termina sendo um fim em si mesmo, e, a fé, simplesmente, um salto no escuro – desprovida de qualquer lastro de racionalidade.
            Ante a celeuma, algumas vezes temos que fazer a leitura crítica do contexto, e, fazer opção por um dos lados, que o é que pretendo fazer a partir de agora. Confesso, que não consigo comungar com a visão maniqueísta do mundo perpetrada por alguns grupos evangélicos, a exemplo dos que acabamos de falar.
            Os especialistas vêm asseverando que o afastamento social é uma das ações mais efetivas para evitar a proliferação do Covid-19, logo, ante a constatação, surge a inquietação a respeito do valor do culto público. Será que é justificável colocar a vida das pessoas em risco, em detrimento de um preceito religioso? O interessante, é que tal questão, foi o tema dos embates de Jesus com certos fariseus, que elegiam práticas litúrgicas como mais relevantes que a misericórdia e a vida humana. Vejamos alguns exemplos:
1   1)    Alguns fariseus colocaram o sábado como mais importante que a vida; sobre esta questão Jesus respondeu: E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles, para o acusarem, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados? E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela, e a levantará? Pois, quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por consequência, lícito fazer bem nos sábados. (Mateus 12:10-12)
   2)    Alguns fariseus colocaram os preceitos acima da misericórdia, sobre esta questão Jesus respondeu: Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes (Mateus 12:7).
Poderia citar outros exemplos, mas vamos nos limitar aos dois, considerando que a partir dos mesmos, fica claro a importância que Jesus deu a vida humana. Portanto, partido da ótica do Mestre (nosso paradigma de conduta) jamais poderia compreender um culto no qual a vida humana seja depreciada em favor do mesmo. Será que justificaria diante de Deus um culto que colocasse a saúde e até a vida das pessoas em risco? O amor que é o dom supremo do Evangelho, traduz-se em cuidado com a criação e com o próximo; portanto, entendo que a resposta a indagação é um solene não. 
Outra questão que me incomoda no debate, é que a visão maniqueísta coloca a igreja acima das autoridades estabelecidas. Nesta ótica, tenta-se atrelar a impossibilidade de realizações de alguns cultos públicos ao debate da perseguição religiosa, sendo a desobediência civil uma saída para a igreja. Gostaria de lembrar que a desobediência civil é justificada quando valores supremos (a vida e a dignidade humana etc.) são feridos por leis injustas. O que não é o caso. Não temo em dizer, que neste momento, quem afronta o discurso do distanciamento social não está, certamente, do lado dos “mocinhos”.
Por fim, gostaria de afirmar que na questão da pandemia do Coronavírus, a igreja evangélica brasileira (que não é uma edificação, ou lugar, mas, os salvos em Jesus) deve fazer a sua parte (orando, adorando e cuidando das pessoas), contribuindo para a solução do problema, e não, a partir de premissas distorcidas e discursos manipuladores, tornar-se um catalizador para agravamento do quadro. Apesar da realidade preocupante, testifico que em nenhum momento a minha fé foi abalada, confio, plenamente, que Deus continua soberano, poderoso e bom, contudo, aprendi com Jesus: Não tentarás o Senhor teu Deus. (Mateus 4:7).

Pr. Jonas Silva

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA CONTRA O CRISTIANISMO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO


        

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       Por vivenciarmos em ambiente acadêmico de Ciências das Religiões, desde os primeiros dias, aprendemos a necessidade de respeitarmos a fé alheia, tal lição, sempre veio acompanhada de exemplos no campo religioso brasileiro de ações depreciativas contra entidades litúrgicas que professavam uma espiritualidade de matriz africana.
            Objetivando proteger as religiões de matriz africanas, ressaltamos que se criou toda uma rede de apoio e reação aos atos de intolerância religiosa, a imprensa sempre foi um destes mecanismos, assistimos inclusive em um dos Programas do Fantástico da rede Globo uma reportagem sobre temática (https://globoplay.globo.com/v/7679693/), sugerimos que seja assistido ao vídeo até o final, e avisamos: diante de um assunto tão delicado, a emissora de televisão conseguiu fazer um matéria bem tendenciosa contra os evangélicos.
            Antes de avançarmos na temática, vamos pensar um pouco sobre o que seria intolerância religiosa, que pode ser definida: como um conjunto de ideologias e atitudes agressivas as diferentes crenças e religiões. Os atos de intolerância se apresentam de forma complexa pois podem envolver o aspecto psicológico, físico ou intelectual, pois a afronta ao símbolo religioso representa um ataque aquilo que foi eleito como sagrado por um determinado grupo de pessoas.
            Acrescentamos ainda que no ordenamento jurídico brasileiro, a intolerância religiosa é coibida em vários momentos, podemos fazer referência a própria Constituição Federal que protege a liberdade religiosa no Inciso VI do Art 5o, mas também ao Artigo 208 do Código Penal Brasileiro:
Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa. Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência. (grifamos).
            Pontuadas tais questões, vamos retomar a intolerância contra o cristianismo, ultimamente temos visto um franco ataque a pessoa de Jesus Cristo, que mesmo tendo sido uma personagem histórica, representa para boa parcela da população uma figura sagrada. Para os cristãos, católicos ou protestantes, nele está reunido não só a figura de um mestre moral, ou simplesmente, o salvador do mundo, mas principalmente, a pessoa do próprio Deus encarnado. Seria obvio dizer, mas, vamos insistir na obviedade, afirmando: que sem Jesus não haveria cristianismo, nem culto, nem missa, nem adoração, nem padres, nem pastores; enfim, Ele é o centro de toda espiritualidade cristã, praticada ou professada pela maior parte da população brasileira.
            Não obstante, a pessoa de Jesus ser o principal paradigma simbólico para a espiritualidade cristã, temos visto um sentimento depreciativo contra a sua figura no espaço público, atribuindo a sua pessoa elementos que são francamente condenados pelo cristianismo. O mais recente foi o Jesus caricato e sincrético apresentado pela escola de samba Mangueira. Podemos lembrar do Jesus homossexual pintado pelo grupo de humoristas do “Portas do Fundo” veiculado na Netflix, em pleno período natalino.
            O que nos incomoda sobre estes ataques a pessoa de Jesus, não é o ataque em si, mas em primeiro lugar, o fato que o mesmo revela um sentimento de ódio a tudo aquilo que representa o cristianismo no Brasil hoje: a pauta moral, a eleição de um governo de direita, a queda do projeto de poder do marxismo cultural, os valores da família tradicional, um discurso de gênero pautado em uma hermenêutica bíblica histórica gramatical. O fato é, que atualmente no Brasil, ser genuinamente cristão no espaço público incomoda muito. Principalmente quando uma ala da sociedade, ainda que minoritária, mas, detentora de poderosos instrumentos midiáticos, trabalham diuturnamente para destruir valores tão caros à cosmovisão cristã.
            Em segundo lugar, incomoda-nos a divulgação na mídia do cristo gay das portas dos fundos, ou do Jesus marginal da Mangueira, mas nenhuma referência ao ataque ao supremo símbolo da maior expressão religiosa no Brasil, que é a pessoa do Deus encarnado para o cristianismo. Será que os cristãos não têm os mesmos direitos que os adeptos das religiões de matriz africana? Ao depreciarem Jesus, será que a nossa divindade, o nosso espaço litúrgico não foi vilipendiado? Se sim? Então qual a razão de não se tratar, pelo menos no espaço midiático, o ataque a esse símbolo religioso específico como algo reprovável.
            Gostaríamos de relembrar um caso concreto, acontecido aqui em Pernambuco, nos idos de 2018 uma vereadora evangélica da cidade do Recife,  Michele Collins (PP) publicou em seu Facebook, uma infeliz e inapropriada mensagem para o espaço público, em que afirmava que estaria "clamando e quebrando toda maldição de Iemanjá lançada contra nossa terra em nome de Jesus". O fato é que houve uma imediata reação de repúdio à declaração postada pela vereadora, tanto por parte da mídia, como por setores da sociedade. Para melhor entender a questão veja os dois links abaixo:
                Observando a situação, ressaltamos novamente, não vimos tanta veemência por parte da mídia, para coibir os ataques contra o maior símbolo da religião cristã, que é a pessoa de Jesus. Portanto, é patente que há um movimento perpetrado por determinados setores da sociedade, que propaga a intolerância contra o cristianismo. Por isso, é fundamental que as igrejas cristãs se posicionem e exigirem tratamento igualitário e de proteção, dispensado a qualquer manifestação religiosa em nosso país. Como igreja de Cristo, devemos condenar qualquer forma de intolerância religiosa, inclusive aquela praticada contra os nossos símbolos, valores e pressupostos.

Pr. Jonas Silva.


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NEM CALVINISTAS NEM ARMINIANOS, MAS BATISTAS

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  ( TextoAdaptado)     


Vocês são calvinistas ou arminianos?
    Há uma pergunta de que muitos teólogos profissionais, pastores e estudantes, bem como cristãos teológicos nas igrejas locais, estão sendo perguntados nos dias de hoje: vocês são calvinistas ou arminianos? Mais especificamente, no nosso caso, os autores que contribuíram para Quem quer: Uma crítica bíblico-teológica do calvinismo de cinco pontos devem ser identificados com calvinistas ou arminianos? Como esse livro se destina especificamente a abordar o tipo de calvinismo que mede a teologia de acordo com as cinco pontos da doutrina promulgadas nos cânones do Sínodo de Dort, pode surgir a ideia de que os próprios autores são, portanto, arminianos.
    Essa ideia foi claramente promovida por Roger E. Olson, um defensor do arminianismo, autor de um texto significativo sobre a teologia arminiana, um autoproclamado “arminiano clássico, ”E um revisor recente de Whosoever Will. Em uma resenha acadêmica do livro: "Quem quiser: uma crítica bíblica-teológica do calvinismo de cinco pontos . Editado por David L. Allen e Steve W. Lemke. Nashville: B&H Academic"  em www.BaptistTheology.org (http://www.baptisttheology.org/book-reviews/whosoever-will/) e em seu blog pessoal, o Dr. Olson nos identificou como "anti-calvinistas" e "arminianos".
    Embora possamos apreciar de várias maneiras as alegações do professor Olson de que o livro "contém 11 excelentes  capítulos, na maior parte subscritos por líderes e estudiosos batistas do sul, demolindo absolutamente as doutrinas calvinistas principais" e que "permanece como o argumento acadêmico contra o calvinismo por autores evangélicos", gostaríamos de unanimemente, embora respeitosamente, discordarmos de sua caracterização destes autores como “arminianos”.
    Como ele mesmio observa, os editores não afirmam serem arminianos. Aqui, as palavras relevantes da introdução do livro parecem adequadas para repetir: “nenhum dos autores deste projeto é arminiano ou defensor do arminianismo. Nenhum dos autores é um arminiano de cinco pontos, um pelagiano, um semi-pelagiano ou um calvinista forte. . . . Em vez disso, nossos colaboradores que tentam manter as duas posições mais extremas em equilíbrio, aprendendo com ambas,
    Se você leu mais amplamente os trabalhos dos autores, ou os ouve, particularmente cada um deles falar em ambientes públicos ou privados, os próprios colaboradores  se ocupam em externarem um espectro de opiniões sobre os pontos controvertidos do calvinismo.
    Em sendo assim, nenhum dos autores ocupariam uma posição mais próxima do calvinismo de cinco pontos, no entanto, enquanto outros ocupariam uma posição mais próxima do arminianismo; mas nenhum se identificaria com nenhum dos dois extremos. No entanto, outros colaboradores sustentariam firmemente que a prática comum de medir a teologia de acordo com um instrumento defeituoso criado por um bando de teólogos da igreja estatal no século dezessete, seria anacrônico e inútil.
    Então, por que esses teólogos se dirigiram ao calvinismo? Observe estes fatores: Primeiro, uma tarefa importante para qualquer teólogo é refletir criticamente sobre a proclamação da igreja. Segundo, muitas de nossas igrejas têm proclamado recentemente o calvinismo com o incentivo de setores da academia batista do sul. Tomados em conjunto, esses fatores exigem que os teólogos responsáveis ​​resolvam um problema que é motivo de crescente preocupação entre muitas de nossas igrejas. Somos servos das igrejas e, quando somos constantemente bombardeados com perguntas bem intencionadas a respeito da interpretação bíblica em nossas salas de aula, igrejas e lares, somos compelidos a fornecer uma resposta razoável. Abordamos o calvinismo porque nos pediram para ajudar nosso povo a refletir sobre os assuntos importantes que o calvinismo levanta. Por isso, não lamentamos, mas temos um senso de dever com nossas comunidades.
    Logicamente, como estes autores fazem uma crítica ao calvinismo partindo de uma perspectiva bíblico-teológica, pode-se supor que eles sejam o oposto ideológico: os arminianos. No entanto, se os autores tivessem feito uma crítica ao arminianismo de uma perspectiva bíblico-teológica (uma crítica que não tentamos nem percebemos a necessidade de abordar neste momento), eles sem dúvida seriam identificados por alguns como calvinistas.
    De fato, entendemos que outro livro futuro se ao grupo de autores como “calvinistas moderados”. Embora alguns dos colaboradores possam se sentir confortáveis ​​com essa designação, outros discordam da caracterização de “moderado” em relação a qualquer posição teológica, incluindo calvinismo. Há o mesmo desconforto em relação a certos rótulos aplicados aos autores como "anti-calvinista". Novamente, uma citação do livro seria útil: “Os colaboradores não são "anti-calvinistas" e, portanto, estão interessados ​​no diálogo, não na diatribe. 

Então, quem somos?
    Portanto, os autores afirmam que não são nem calvinistas nem arminianos, nem anti-calvinistas. Como os autores foram claros sobre o que não são e qual é sua agenda, pedimos aos nossos leitores que honrem nossas reivindicações. No entanto, como essas alegações aparentemente deixaram um senso de vácuo conceitual para muitos leitores, gostaríamos de lembrar aos mesmos quem somos e em que consiste nossa agenda. Em vez de permitir que outros nos definam de acordo com uma construção que não é de nossa própria autoria, preferimos preencher o espaço ideológico criado por certas reações ao livro com nosso próprio significado.
    Observe três qualificações: primeiro, o livro em si não se destinava a fornecer uma declaração completa do caminho a seguir, mas a fornecer uma crítica. Por favor, respeite o propósito declarado do livro, juntamente com os objetivos limitados indicados para cada redação; julgue-os nessas bases auto-identificadas.Em segundo lugar, como os autores dessa resposta em particular, observe que os abaixo-assinados não são a totalidade dos onze. Acreditamos que os outros contribuidores de Quem Vontade não discordarão de muitos, se houver, de Terceiro, neste ensaio, não estamos tentando fornecer uma declaração sistemática completa de nossa teologia, mas apenas um esboço do foco que acreditamos que deve fornecer o caminho a seguir para todos os batistas, especialmente os batistas do sul.
    Somos calvinistas? Não. Somos arminianos? Não. Então, quem somos? Nós somos batistas. Somos batistas majoritários na tradição de Sandy Creek, que formulam a teologia de acordo com a Palavra de Deus autorizada, inerrante e suficiente para que possamos proclamar melhor o evangelho de Jesus Cristo a todos os seres humanos. Não somos nem calvinistas nem arminianos; nós somos batistas! Por favor, dê-nos um momento do seu tempo para descompactar o significado desta importante posição.
    Acreditamos que em quase qualquer lugar que você esteja no espectro ideológico do calvinismo e do arminianismo, ou mesmo se você se recusar a se posicionar no próprio espectro, poderá e deve se juntar a nós na afirmação, como alguns de nossos líderes disseram antes: “O foco principal dos cristãos deve ser realizar a Grande Comissão sob o senhorio de Jesus Cristo, de acordo com as diretrizes encontradas na inerrante Palavra de Deus” . Em resumo, não somos nem calvinistas nem arminianos, mas batistas!

Nem calvinistas
    Vamos abordar o lado negativo desta declaração de posição: "Nós não somos calvinistas nem arminianos". O livro em si descreve muitas razões pelas quais não somos calvinistas, mas três delas repetem à luz de nossas próprias prioridades.
    Primeiro, não acreditamos que o calvinismo dortiano represente adequadamente o evangelho de Jesus Cristo em sua simplicidade e profundidade, de acordo com a Bíblia. Estamos desconfortáveis ​​com o calvinismo dortiano porque acreditamos que sua estrutura rígida é imposta às Escrituras e que ela não permite que as Escrituras formem teologia. Como o filósofo Steve Lemke perguntou sobre a crença calvinista na graça irresistível, “As Escrituras estão sendo moldadas para concordar com o sistema teológico de alguém, ou o sistema teológico de alguém está sendo moldado de acordo com as Escrituras?” .
    Segundo, não somos calvinistas porque não acreditamos que certas doutrinas calvinistas possam ser encontradas em uma leitura canônica governada pelo evangelho. É por isso que os autores  se refiram repetidamente ao sentido claro das passagens das escrituras de acordo com o contexto gramatical e histórico. Desde a abordagem expositiva detalhada de João 3:16 de Jerry Vines (Whosoever Will, cap. 1), até a leitura contextual do senso comum de Efésios 2: 1 e seguintes por Paige Patterson (cap. 2), até a abordagem canônica para definir a linguagem bíblica utilizada por David Allen (78-83) e Steve Lemke (117-29), os autores demonstram repetidamente um retorno necessário às Escrituras. Elas são suficientes para a substância e a estrutura de nossa pregação e, muito embora procuremos abordar aqueles que vivem em contextos culturais contemporâneos, chamamos nossos ouvintes a começar por ouvir a Bíblia em seu próprio contexto e terminar com a submissão pessoal contemporânea a essa Palavra. Como resultado, muitos de nós estão convencidos, contra o calvinismo dortiano, de que as Escrituras não ensinam que o homem é totalmente incapaz de responder ao chamado de Deus para crer, ou que a graça faz violência à vontade humana ou que a morte de Jesus Cristo falhou propiciar os pecados do “mundo inteiro” (1 João 2: 2).
    Terceiro, não somos calvinistas porque estamos genuinamente preocupados com o impacto do calvinismo dortiano no evangelismo. Como David Allen afirmou: "Os cristãos devem evangelizar porque Deus deseja que todos os homens sejam salvos e fez expiação por todos, removendo assim as barreiras legais que exigem sua condenação" . Como Deus poderia oferecer salvação a todas as pessoas com integridade se Jesus não morreu por todos (2 Coríntios 5:20)? Visto que a doutrina calvinista da expiação limitada ou particular "fornece um motivo insuficiente para o evangelismo, minando a oferta bem-intencionada do evangelho"  a todos os homens; por isso os batistas do sul devem rejeitar o calvinismo de cinco pontos.
    Nós condenamos os esforços dos professores calvinistas de expiação limitada, que argumentam que o chamado evangelístico ao altar é anti-bíblico ou que de alguma forma representa uma tentativa daqueles que fazem o chamado de "manipular a soberania de Deus". Somos motivados a oferecer o evangelho a todos e convidar todos a responder, mesmo de forma pública, porque Cristo morreu por todos.
    Além disso, como argumentou o pregador evangelístico Jerry Vines, a crise por trás do nosso entendimento da oferta de Cristo de “quem quiser” se resume ao tipo de Deus que estamos adorando: “É o design do Deus soberano fazer a salvação de todas as pessoas. possível e garantir a salvação de todos os que crerem. Que tipo de Deus não tornaria a salvação possível para todos? ”. Não fazemos essas perguntas para obter pontos retóricos contra nossos irmãos batistas calvinistas, mas porque acreditamos que o Deus revelado nas Escrituras ama todos os homens, deseja sua salvação e tornou possível a salvação para todos pela morte de Cristo.
    Dizemos essas coisas porque percebemos a graça quando ouvimos o evangelho verbal e entusiasticamente oferecido a todos os homens livremente através do arrependimento pessoal em relação a Deus e fé em Cristo. Como o primeiro pastor batista da Inglaterra, acreditamos que Cristo morreu por todos os homens. Esta é uma “doutrina confortável”, porque “toda pobre alma pode saber que há salvação em Cristo e que Cristo derramou seu sangue por ele, que, acreditando Nele, ele pode ser salvo ”(Thomas Helwys, A Short and Plain Proof by the Word, 1611). Esta é a nossa paixão: que todo pecador, sem qualificação, possa ouvir o evangelho de Jesus Cristo, crer nele e ser salvo! Com relação a esse Deus, que ama todas as pessoas, podemos concordar com Roger Olson,


Nem arminianos
  No entanto, também não estamos felizes em receber a alcunha de "Arminianos". Embora respeitemos a erudição e a paixão do professor Olson pelo amor de Deus, discordamos de sua avaliação de onde estamos.
    Nosso entendimento dos cinco pontos arminianos de 1610 é que os arminianos clássicos não têm certeza se os cristãos podem perder sua salvação. Como o quinto ponto dos Remonstrantes afirma, eles não chegaram a uma conclusão sobre a perseverança dos santos "cum plerophoria animi nostri", com plena certeza em suas mentes (Philip Schaff, Os Credos da Cristandade, III, 549).
   Por outro lado, diferentemente dos arminianos clássicos, temos certeza absoluta de que as Escrituras ensinam que um cristão nascido de novo será salvo. É por isso que nossa fé e mensagem batistas afirmam, sem equívocos: “Todos os verdadeiros crentes perseveram até o fim. Aqueles a quem Deus aceitou em Cristo e santificou por Seu Espírito, nunca se afastarão do estado de graça, mas perseverarão até o fim ”(art. V,“ O Propósito da Graça de Deus ”).
     Alguns se referiram aos batistas do sul como calvinistas moderados, porque nossa confissão afirma claramente esse ponto. Em nossas igrejas, essa crença é mais popularmente identificada como “uma vez salvo, salvo  para sempre”. Nesse ponto, nunca se pode dizer que os batistas confessionais do sul são arminianos. Porque nossa confissão afirma claramente este ponto 
    Também poderíamos levantar outras preocupações sobre o arminianismo. Entre elas, estaria a tendência de alguns arminianos caírem na armadilha do teísmo aberto, uma doutrina com a qual estamos totalmente em desacordo.
    Em resposta, salientaríamos que, de acordo com a fé e a mensagem batistas, “Deus é todo poderoso e onisciente; e Seu perfeito conhecimento se estende a todas as coisas, passadas, presentes e futuras, incluindo as decisões futuras de Suas criaturas livres ”(art. II,“ Deus ”). Como batistas de missão e evangelistas, sentimos-nos desconfortáveis ​​em ir muito além da revelação das escrituras para modelos teológicos especulativos. Jerry Vines se referiu ao “biblicismo simples” em seu sermão, e, isso descreve onde temos dificuldades. 
    Arminianos e calvinistas muitas vezes parecem estar envolvidos em uma dura discussão intramural que começa com alguns textos das escrituras e depois transita rapidamente para especulações teológicas. Essa propensão a ir além do texto bíblico é onde vemos os problemas do hiper-calvinismo e do teísmo aberto. Contra esses esforços, preferimos deixar de lado as especulações teológicas que nos distraem e focar no ensino do evangelho de maneira clara e convincente para nossos alunos e igrejas,
    Além disso, observe que vemos muitas coisas para apreciar no calvinismo, muitas delas importantes que nos mantêm em comunhão com nossos irmãos batistas calvinistas. Como Paige Patterson apontou há vários anos, há seis razões pelas quais existe comunhão dos batistas não-calvinistas com os batistas calvinistas.
   Reproduzimos algumas para seu benefício, com a ressalva de que ainda há mais coisas que mantêm os batistas calvinistas e não calvinistas juntos podem ser listadas: " Calvinistas geralmente levam vidas muito piedosas"; acredita que a teologia é importante; geralmente são "muito claros sobre os perigos envolvidos no movimento carismático"; “Entender o propósito de que tudo é glorificar a Deus”; “Nunca questione a inerrância das Escrituras ou a expiação substitutiva de Cristo”; e “são claros quanto ao fato de que a salvação é somente pela graça” (Baptist Press, 13 de junho de 2006).
    Portanto, nossas alegações de que não somos totalmente calvinistas nem totalmente arminianos são profundamente defendidas e não surgem por razões políticas, mas, por convicções teológicas genuínas que têm ramificações eclesiológicas.

Mas batistas!
    Neste ponto, gostaríamos de afirmar mais claramente quem somos partindo uma perspectiva positiva. Observe que, ao fazer essas afirmações, não estamos dizendo que batistas calvinistas e batistas arminianos não estão realmente procurando ser batistas.
    Certamente acreditamos que os batistas podem ser calvinistas e podem ser arminianos, mas preferimos não nos deixar definir por nenhuma dessas grandes posições, porque vemos algo ainda maior, algo que merece mais atenção e requer maior fidelidade.
    Da mesma forma, teólogos abertos ao molinismo, como Bruce Little e Ken Keathley, fazem seu trabalho com um firme compromisso com as convicções evangélicas. O que estamos dizendo é que nossa própria paixão pela Palavra de Deus, pois Cristo e Sua Grande Comissão, necessariamente colocam todo desejo de resolver o longo debate calvinista-arminiano (aparentemente interminável).       Reconhecemos que este é um debate que continuará sendo realizado em determinados locais restritos. No entanto, o próprio debate é vencido por nossa necessidade de glorificar o Senhor Jesus.
     Além disso, acreditamos que nossa posição é a principal posição dos batistas do sul, como Richard Land disse em seu capítulo: “a tradição batista de Sandy Creek tem sido a melodia dos batistas do sul".

1. O senhorio de Jesus Cristo
    Cremos que Jesus Cristo é o Senhor. A salvação consiste nesta afirmação fundamental e profunda no coração e na boca. Crer e dizer que Jesus é o Senhor é afirmar que Deus em Cristo tomou sobre Si a natureza humana. A verdadeira fé é impossível à parte da obra do Espírito de Deus com a Palavra de Deus. Nascido de uma virgem, o Verbo se fez carne. Jesus Cristo nos ensinou e operou grandes milagres, e depois morreu na cruz para expiar os pecados de toda a humanidade. Ele então ressuscitou dos mortos no terceiro dia, subiu para a mão direita do Pai e voltará um dia para julgar os vivos e os mortos. Como nosso Senhor, Ele nos salva agora pela fé Nele. Como nosso Senhor, Ele tem o direito de nos comandar e temos a responsabilidade de obedecê-Lo inteiramente e de acordo com Sua ordem. Como nosso Senhor, Ele nos preserva enquanto carregamos a cruz que Ele nos deu através deste mundo. Como nosso Senhor, ele reina sobre nós mesmo através da própria morte e nos leva vitoriosamente à vida eterna com Ele. Chegamos a Deus Pai através de Deus, o Filho, em Deus, o Espírito Santo. Jesus é senhor!

2. Proclamação Bíblica
    Acreditamos que o Espírito Santo inspirou a Bíblia, incluindo todas as palavras de todo o cânon do Antigo e do Novo Testamentos. Como resultado da inspiração divina, a Bíblia é a Palavra de Deus inerrante e suficiente para todos os aspectos da vida cristã, da regeneração à proclamação. A Palavra de Deus é viva e ativa e realizará aquilo para o qual o Senhor a enviou. Como um pregador proclama a Palavra de Deus, o Espírito abre o entendimento do ouvinte para a Palavra. O pregador da Palavra foi escolhido por Deus como um instrumento necessário para proclamar Sua Palavra e essa Palavra não pode ser separada da Escritura; portanto, a poderosa tarefa do ministro cristão é proclamar a Bíblia em sua profundidade e plenitude. 

3. A Grande Comissão
    Acreditamos que a Grande Comissão é o mandamento de Jesus Cristo.
   Enquanto  comando final e abrangente do Senhor para Seus discípulos, a Grande Comissão deve ser ouvida e obedecida com a máxima seriedade.
   A Grande Comissão concentra-se principalmente na formação de discípulos e também inclui ir às nações, batizando novos crentes e ensinando-lhes tudo o que Cristo ordenou. Toda a vida do cristão e todo o esforço da igreja devem ser submetidos a obedecer a essa comissão. Isso implica o esforço de evangelizar a  todos, levando nossa voz a todos, em todos os lugares e  momentos.
   Isso implica seguir a ordem de Sua comissão, batizando as pessoas somente depois que ele ou ela se tornou verdadeiramente um discípulo de Jesus Cristo. Isso implica batizar uma pessoa em nome do Deus único que é Pai, Filho e Espírito Santo. Isso implica ensinar todos os mandamentos de Cristo, o que significa ensinar todas as Escrituras.
   A Grande Comissão não será concluída até que todas as nações tenham sido alcançadas e todas as pessoas tenham sido confrontadas com o chamado para seguir Jesus, até que Ele volte.
   Os batistas vêem o enigma da soberania divina e da responsabilidade humana através das lentes da Grande Comissão. Enquanto lutamos para apreender a afirmação simultânea da Bíblia de ambas as verdades, se inclinamos para o calvinismo ou o arminianismo ou nenhum dos dois, o fazemos de maneira a sempre promover o grande trabalho de evangelismo e missões.
   Com essas três afirmações batistas positivas em mente, pedimos que as pessoas nos identifiquem nem como calvinistas nem como arminianos, mas como batistas. Sabemos que isso pode não fornecer uma certa satisfação intelectual para resolver enigmas teológicos, mas realmente achamos que há uma pergunta maior do que: “Como você reconcilia a soberania divina com a liberdade humana?” Essa pergunta maior precisa ser respondida porque é mais importante. do que qualquer outra.  Essa pergunta é: “Como nós, Seus instrumentos escolhidos, vamos obedecer ao nosso Senhor e proclamar as boas novas de Sua Palavra - o evangelho de Sua morte pelos pecados do mundo? ”Esta pergunta nos define. É por isso que queremos ser conhecidos simplesmente como "batistas".


Autores:

David L. Allen
Decano da Escola de Teologia e Diretor do Centro de Pregação Expositiva
do Seminário Teológico Batista do Sudoeste de
Fort Worth, Texas

Ken Keathley
Vice-Presidente Sênior de Administração Acadêmica e Decano do
Seminário Teológico Batista do Sudeste da Faculdade
Wake Forest, Carolina do Norte

Richard Land
Presidente
Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul
Nashville, Tennessee

Steve Lemke
Provost e Professor de Filosofia e Ética
Seminário Teológico Batista de
Nova Orleans Nova Orleans, Louisiana

Paige Patterson
Presidente
Seminário Teológico Batista do Sudoeste de
Fort Worth, Texas

Jerry Vines
Presidente
Jerry Vines Ministries
Atlanta, Geórgia

Malcolm B. Yarnell III
Diretor do Centro de Pesquisa Teológica e Professor Assistente de Teologia Sistemática
do Seminário Teológico Batista do Sudoeste de
Fort Worth, Texas


Texto Original: 
Neither Calvinist nor Arminians but Baptists

Disponível em:

 
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