OS BATISTAS NACIONAIS SÃO CALVINISTAS OU ARMINIANOS?


Recentemente tenho visto muitos Batistas Nacionais se autodenominando como calvinistas, requerendo, ou mesmo, querendo se enquadrar em algum rótulo pré concebido, a exemplo de “reformado”. Geralmente jovens recém egressos ou ingressos em seminários que se expuseram à teologia reformada, contudo, leram muito pouco sobre a teologia batista.
A grande questão é que para o povo batista estes rótulos (Arminiano, Calvinista) não são tão simples de se enquadrar, sem o risco de sobrar ou faltar alguma coisa, talvez a melhor definição seja dada em um artigo elaborado pelo The Center for Teological Research em www.baptistteology.org (http://www.baptisttheology.org/baptisttheology/assets/File/NeitherCalvinistsNorArminiansButBaptists.pdf) “Neither Calvinists nor Arminians but Baptists” “Nem Calvinistas e nem Arminianos mais Batistas”, o artigo em questão(que em breve estarei traduzindo integralmente), vem assinado entre outros, pelas seguintes autoridades:David L. Allen, Deão da Escola de Teologia  e Diretor do Centro de pregação expositiva do Seminário Batista  do Sudoeste dos Estados Unidos; Paige Patterson, Presidente do Seminário Batista  do Sudoeste dos Estados Unidos e Malcolm B. Yarnell, Diretor do Centro de Pesquisa Teologica e professor assistente de Teologia Sistemática do Seminário Batista  do Sudoeste dos Estados Unidos.
            O debate sobre o fato dos Batistas serem calvinistas ou arminianos não é recente, por exemplo Enéas Tognini em seu livro, "Eclesiologia", página 120, afirma que a primeira confissão de Fé Batista data de 1611 e era arminiana; por outro lado Zaqueu Moreira de Oliveira em seu Artigo, "Busca da Raiz Batista", publicado na revista, "Batistas sua identidade", assevera que surgiu outro grupo na Inglaterra  em 1638, adotando a teologia Calvinista. Portanto,  tal celeuma soteriológica perdurou por séculos, dando origem a várias declarações de fé que expressavam uma ou outra visão.
                Na oportunidade fazemos lembrar  que o Manual Básico Batista Nacional não faz taxativamente alusão  à Confissão de Fé dos Batistas do Sul dos Estados Unidos, contudo, tendo em vista que estava em uso pelas igrejas do Sul dos EUA , a confissão de New Hampshire, a mesma foi adotada pela CBN, tendo sido simplesmente traduzida para o português. O rótulo, calvinista ou reformado, lastreia-se especificamente na adoção por parte da Convenção Batista Nacional (CBN) da CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE NEW HAMPSHIRE (1833), especialmente dos dispositivos que abordam a soteriologia.
"A Comissão de Reforma do Manual Básico optou por manter totalmente                        o texto adotado na 1ª edição, uma vez que se trata de parte integrante                            da Confissão de Fé dos Batistas do Sul dos Estados Unidos."

Portanto, como já pontuamos, a Convenção Batista Nacional, no ato da sua fundação, lançou mão da Declaração de Fé dos Batistas Brasileiros.  A confissão de Fé adotada conhecida como a CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE NEW HAMPSHIRE (1833) elaborada Rev. John Newton Brown (1803 - 1868), esta confissão é apontada por muitos,  como sendo moderadamente calvinista em sua sotereologia, contudo, entendemos que este posicionamento não é suficiente para requerer uma origem histórica calvinista para os Batistas Nacionais, já que não há consenso a respeito da própria Confissão de Fé neste sentido. 
Já que o termo “moderadamente” pode indicar um meio termo entre os dois extremos teológicos (Calvinismo-Arminianismo), ou até mesmo, uma tentativa de conciliação, ou possivelmente, uma forma particular (inovadora) de compreender a questão.
Como já asseveramos anteriormente,  não há um consenso sobre o caráter estritamente calvinista da confissão de New Hampshire, para tanto, gostaria de realizar uma tradução de trechos de um artigo intitulado Historical Southern Baptist Soteriology de autoria Emir Caner, Ph.D. President, Truett-McConnell College Cleveland disponível em (http://sbctoday.com/historical-southern-baptist-soteriology-pt-23/), senão vejamos:
Para que cada um tire as suas dúvidas estarei postando o texto original em vermelho e logo em seguida a traduação.
About a decade before the formation of the Southern Baptist Convention, Baptists in New Hampshire were about to write what would become the most disseminated confession in the history of Baptist life in America.129 This document would serve as the predecessor of the Baptist Faith and Message. The doctrine was so unique that longtime Southwestern Seminary theologian James Leo Garrett explains, “One can conclude that the label ‘moderately Arminian’ would be as accurate as the term ‘moderately Calvinistic.’” Another writer asserts, “Calvinism and Arminianism are almost ignored.”
Cerca de uma década antes da formação da Convenção Batista do Sul, batistas em New Hampshire estavam prestes a escrever o que se tornaria a confissão mais difundida na história da vida batista em America. Este documento serviria como  predecessor da Fé e Mensagem Batista . A doutrina foi tão exclusiva, que desde longa data o teólogo do Southwestern Seminary James Leo Garrett explica: "Pode-se concluir que o rótulo de" moderadamente arminiano "seria tão preciso quanto o termo" moderadamente calvinista.  Um outro escritor afirma ainda," o Calvinismo e o Arminianismo forão praticamente ignorados. "
According to Dr. Richard Land, the New Hampshire Confession (1833) solidified the fact that the Sandy Creek soteriology, with its skepticism towards Calvinistic interpretations of particular redemption, unconditional election, and irresistible grace, was now the majoritarian view of early Southern Baptists.
Segundo o Dr. Richard Land, a confissão de New Hampshire (1833), solidificou o fato de que a soteriologia “Sandy Creek” (Tradição teológica do Sul dos Estados Unidos), possuía um ceticismo em relação as interpretações calvinistas de expiação limitada, a eleição incondicional e graça irresistível, esta era agora a visão majoritária dos primeiros Batistas do Sul. "
The New Hampshire Confession can be best described as a simple biblicism that unites doctrines of Scripture without philosophical speculation. While some may find it ambiguous in its rendering, many Baptists found it refreshing in its uncomplicated articles.
A confissão de New Hampshire pode ser melhor descrita como um biblicismo simples que une doutrinas da Escritura, sem especulação filosófica. Enquanto alguns podem achar que é ambígua na sua apresentação, muitos batistas encontraram um refrigério em seus artigos descomplicados.
O Artigo ainda faz uma citação que a confissão de Fé de New Hampshire  ao tratar da soteriologia deixou de incluir artigos importantes sobre determinados temas, caros a doutrina Calvinistas, e que estão presentes em outras confissões batistas calvinistas, a saber:
1. Do decreto de Deus
2. Da Divina Providência
3. Da aliança de Deus
4. Do chamado eficaz
5. Da Adoção
6. Do Evangelho, e da extensão da Graça
                   
                    Os autores afirmam ainda, que no lugar dos artigos omitidos a confissão de New Hampshire faz consignar novo artigo intitulado DA GRATUIDADE DA SALVAÇÃO, a confissão reflete a importância que os  batistas davam a responsabilidade humana, senão vejamos:
“Cremos que as bênçãos da salvação cabem gratuitamente a todos por meio do Evangelho; que é dever imediato de todos aceitá-las com fé obediente, cordial e penitente, e que nada impede a salvação, ainda mesmo do maior pecador da terra, senão sua perversidade inerente à voluntária rejeição do Evangelho, a qual agrava a sua condenação (Is 55.1; Ap 22.17; Lc14.17; Rm 16.26; Mc 1.15; Rm 1.15,17; Jo 5.40; Mt 23.27; Rm 9.32; Pv 1.24; At 13.46; Jo3.19; Mt 11.20; Lc 19.27; 2Ts 1.8).”

A confissão, citando diferentes passagens bíblicas, faz referência ao texto de Mateus 23:37 como uma defesa do aludido artigo, oportunamente esclarecemos, que a referida  passagem é exatamente aquela em que Jesus clama à Jerusalém  expressando o seu desejo por ela, mas Jerusalém (representando a nação de Israel) não estava disposta a aceitar o amor do Messias.
Por outro lado, não podemos asseverar também, que a Declaração de Fé de New Hampshire seja estritamente arminiana, embora aquilo que alguns chamam de calvinismo moderado se aproxime em muito de alguns pontos do Arminianismo Clássico, contudo, o artigo que trata da perseverança dos salvos, consignado na referida Declaração, é de certa forma um elemento não alcançado pelo Arminianismo, ou pelo menos, um ponto de discórdia dentro do sistema doutrinário arminiano.
A confissão de Fé de New Hampshire parece ter transitado entre as duas correntes soteriológicas (Arminianismo-Calvinismo) de maneira que por mais que a tentemos a enquadrar em uma das duas, não há como coadunar por completo em quaisquer das soteriologias, este entendimento é defendido por Steve W. Lemke, Ph.D, no editorial do Journal for Baptist Theology and Ministry Vol. 8, No. 1, 201, senão vejamos:
This mixture of Calvinism and Arminianism was expressed doctrinally in the New Hampshire Confession of 1833, which moved away from the more Calvinistic language of the Philadelphia Confession, The New Hampshire Confession became pivotal for Southern Baptist theology
Essa mistura de Calvinismo e Arminianismo foi expressa doutrinariamente na Confissão de New Hampshire de 1833, que afastou-se da linguagem mais calvinista da Confissão da Filadélfia. A Confissão de New Hampshire foi fundamental para a teologia Batista do Sul.
            
             Portanto, ante o que acabamos de expor, ressaltamos que o trânsito entre o Arminianismo e o Calvinismo propiciado pela Confissão de Fé de New Hampshire não significa que houve uma tentativa de fusão das mesmas, mas sim, uma forma particular Batista de compreender a Soteriologia.
                    Compreendemos que muitos Batistas Nacionais têm sido influenciados por movimentos reformados contemporâneos, como o neocalvinismo e neopuritanimo, contudo, salientamos que deve se evitar a tentativa de ajuste da nossa teologia à posições doutrinárias que foram superadas no processo histórico de formação do povo Batista e, portanto, de sua conformação teológica.
                    Devemos ter orgulho da nossa tradição, não somos melhores ou piores do que qualquer grupo denominacional, o processo histórico que vivenciamos  permitiu nos depararmos com visões teológicas antagônicas e por meio do amor cristão, respeito a liberdade de consciência, e, estabelecermos as sínteses possíveis, o que em imprimiu em nossa teologia nenhum outro rótulo, a não ser o de Batista.


Pr. Jonas Silva


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