EU NUNCA FUI BAIXINHO... MAS FIQUEI AO LADO DA XUXA



 A apresentadora Xuxa faz sinal de coração no momento em que o deputado Pastor Eurico criticou a presença dela na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (Foto: Ailton de Freitas / O Globo)
            Antes que me acusem de alguma coisa ou me intitule de algum rótulo do passado, já que agora nunca se sabe, quero afirmar que nunca fui fã da Rainha dos Baixinhos, mesmo tendo o sido criança e adolescente em plena década de 80, sou contra a lei da palmada tendo inclusive expressado tal posição em meu blog no ano de 2010 (http://www.caminhandoemsantidade.com.br/2010/07/palmadinha-pooode.html).
            Contudo, um fato me fez pela primeira vez concordar com a apresentadora global. Na sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara da última quarta-feira, o deputado Pastor Eurico (PSB-PE) hostilizou a Xuxa Meneghel, afirmando que sua presença da mesma era "um desrespeito às famílias do Brasil", fazendo referência ao filme, Amor Estranho Amor, exibido nos idos de 82, em que Xuxa aparece numa cena de sexo com um adolescente de 12 anos.
            Não quero julgar se o que a apresentadora fez no filme é correto ou não, quero sim, fazer uma reflexão a partir de uma lógica cristã, bíblica/revelacional, que entendo eu, como dever de todo cristão ler o mundo a partir dela.
            A base de nossa fé é o perdão e a regeneração do homem, imagine se começássemos agora a trazer a tona todos os nossos pecados do passado. Quem subiria aos púlpitos? Já imaginou se julgássemos o Apóstolo Paulo pelo fato de ter sido perseguidor da Igreja? Teríamos que jogar fora ou invalidar mais da metade do Novo Testamento.
            Talvez você já esteja dizendo: A Xuxa não é Evangélica, então, como se pode falar de arrependimento e transformação. Contudo, quero lembrar que se arrepender de erros pontuais do passado é um direito de cada homem, pois pessoas fazem isso todo dia, como já dizia Voltaire: “Deus fez do arrependimento a virtude dos mortais”.
Se discordarmos da Xuxa é um dever discutir as ideias  da Xuxa, e não querer se valer de questões de um passado remoto, para invalidar os seus argumentos, sem falar que esta estratégia argumentativa é uma forma falaciosa bem conhecida e denominada de Argumentum ad hominem (latim, argumento contra a pessoa), é um recurso retórico identificado quando alguém procura negar uma proposição com uma crítica ao seu autor e não ao seu conteúdo, e como toda falácia não possui bases lógicas.
            Se quisermos, enquanto Igreja, transformar a sociedade, não vamos lograr êxito, valendo-se de estratégias acusativas, abrindo impiedosamente feridas do passado na vida de nossos interlocutores, negando às criaturas de Deus, criadas a sua imagem e semelhança, o direito ao arrependimento e a remissão*. Já que biblicamente esta não é uma estratégia divina, pois a acusação como estratégia pertence a um outro tipo de lógica: pois já o acusador de nossos irmãos foi lançado fora, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite". Apocalipse 12:10.

            Pr. Jonas Silva
*Remissão: Não estou me referindo ao conceito teológico, que impõe o sacrifício de Jesus como causa única eficaz, mas a idéia da desobrigação das conseqüências de faltas e erros, presente em qualquer ordenamento jurídico.

A IGREJA: UMA VÍTIMA DE NÓS MESMOS


                               
          

  Após tantos anos convivendo com a comunidade chamada Igreja, percebo que é muito comum ouvir sugestões críticas a respeito da mesma, que redundam em colocações do tipo:
·         A minha igreja bem que podia ser mais fervorosa;
·         A minha igreja poderia ser mais santa;
·         A minha igreja podia ser mais acolhedora
·         A membresia da minha igreja podia ser mais participativa;
·         A minha igreja podia ser mais envolvida como evangelismo e missões;
·         A minha igreja podia ser igual aquela outra igreja;

As sugestões são múltiplas, e os exemplos citados não esgotam a questão, contudo, me fazem concluir que certos ditos populares se aplicariam perfeitamente aos membros da igreja, como uma pequena adaptação, senão vejamos: Todo crente no fundo é um técnico de igreja (parafraseando: todo brasileiro é um técnico de futebol), a igreja do outro é sempre mais verde (parafraseando: A fruteira no quintal do meu vizinho é sempre mais verde).
Contudo, quando passo a refletir sobre o caráter comunitário da igreja e a respeito do corpo de Cristo, fico imaginando que qualquer crítica que fazemos a nossa comunidade de fé, na verdade é uma crítica aquilo que sou enquanto cristão.
É comum irmãos em Cristo passarem a vida apontando e ressaltando as reformas e modificações que necessitam a sua Igreja, esquecendo que cada mudança brota inicialmente no coração de cada pessoa movida pela consciência da Palavra de Deus e convencida pelo Espírito Santo. Logo, se faz necessário antes de qualquer crítica à instituição, ou à comunidade, uma autocrítica a respeito de que eu tenho feito para proporcionar essa mudança, para realizar aquilo que entendo como necessário e almejado em minha comunidade de fé. Entendendo isso, gostaria de retomar as questões iniciais com algumas indagações plausíveis:
·         A minha igreja bem que podia ser mais fervorosa; Como anda o meu fervor espiritual?
·         A minha igreja poderia ser mais santa. Como anda a minha santificação?
·         A minha igreja podia ser mais acolhedora. Você tem sido acolhedor?
·         A membresia da minha igreja podia ser mais participativa. Como anda a sua participação na vida comunitária?;
·         A minha igreja podia ser mais envolvida como evangelismo e missões. Você tem se envolvido com as atividades missionárias?
·         A minha igreja podia ser igual aquela outra igreja. Será que você é um membro igual aos que estão naquela igreja?

Ora-se muito para Deus mudar as igrejas, mas entendo que a mudança de qualquer comunidade de fé passa necessariamente pela mudança do coração da membresia, incluindo daquele que intercede.

No fundo a igreja não é culpada pelo não atendimento das nossas projeções, na verdade ela é uma vítima daquilo que somos, ou seja, se queremos uma igreja diferente e melhor, sejamos membros melhores, mais participativos, acolhedores, envolvidos e espirituais.
Pr. Jonas Silva

 
Caminhando em Santidade © 2010 | Design adaptado por Kênia Siqueira | Todos os direitos reservados.