ORDENAÇÃO FEMININA: O PARADOXO BATISTA NACIONAL


 

            A questão da ordenação feminina ao ministério pastoral na pós-modernidade vem sendo bastante discutida, o debate está polarizado entre dois extremos: os que defendem a ordenação de mulheres ao ministério pastoral com base nas conquistas sociais do dito sexo frágil, e, entre aqueles que defendem a impossibilidade da ordenação com lastro em interpretações bíblicas consolidadas ao longo da história da igreja.
            O debate do tema no âmbito da Convenção Batista Nacional não é novidade, a Assembléia Geral da Ordem de Ministros Batistas Nacionais- Ormiban, reunida no dia 28 de Julho em Penedo (RJ) votou e aprovou um parecer regulamentando a matéria, do qual, transcrevemos alguns itens:
1.    que a Ormiban autorize a ordenação feminina ao ministério pastoral somente no âmbito da igreja local;
2.    no caso de mulher consagrada ao ministério pastoral, esta não poderá assumir a presidência da igreja local;
3.    no caso de mulher consagrada ao ministério pastoral, esta não poderá assumir a presidência da igreja local;

Uma coisa temos que admitir, a decisão tomada em Penedo foi bastante conciliadora, e respeitava aparentemente a liberdade congregacional peculiar aos Batistas, contudo, a mesma sempre nos fez refletir sobre a compreensão genuína do ministério pastoral que emerge das Sagradas Escrituras.
Não temos o objetivo de definir uma posição sobre a ordenação feminina, posição esta que poderemos firmar em outro “post”, entretanto, gostaríamos de analisar a decisão tomada pela Ormiban/CBN à luz da compreensão teológica do que é o ministério pastoral, para isso gostaríamos de enfatizar duas questões:

1)    A decisão criou dois tipos de Pastores, os de do sexo masculino que podem assumir as presidências das igrejas, participarem das Ordens de Ministros e um outro, os do sexo feminino, que são alijadas de tais prerrogativas.

A nosso ver esta discriminação perde de vista a compreensão que o ministério pastoral não é simplesmente um título ou um cargo, mas envolve uma outorga autoritativa espiritual, reconhecida pela comunidade dos salvos e confirmada pela imposição de mãos dos lideres devidamente habilitados (1 Tm 4:14).
Do que foi acima exposto nos surgem os seguintes questionamentos:
As mulheres ordenadas e consagradas as ministério pastoral, seriam  ministros do Evangelho de uma classe inferior?
O reconhecimento a consagração pela imposição da liderança seriam  parcialmente ineficazes no caso da ordenação feminina?
Responder, positivamente a estas duas questões, é atentar contra o a própria compreensão bíblica do que seja o ministério pastoral, já que os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis (Romanos 11:29) e devem ser exercidas em sua plenitude.
Ou seja, uma vez adequadamente consagrados não pode haver pastores e semi pastores (pastoras), pois a autoridade pastoral foi outorgada por um ato espiritual e irrevogável que nenhuma ordem de ministros pode cercear em nenhum aspecto.


2)    A decisão embora parecesse respeitar a liberdade das igrejas locais, contudo, há uma violação clara de tal liberdade, pelo não reconhecimento pleno de uma decisão no tocante a consagração feminina

O ministério Pastoral é respaldado pelo reconhecimento de uma determinada igreja local (Atos 13:2-3), contudo, no caso do reconhecimento de uma mulher para o ministério da Palavra, a mesma só é parcialmente reconhecida pela Ormiban.
Ou seja, mesmo que a igreja local enxergue em uma determinada irmã todos os requisitos para o desempenho da atividade pastoral, o reconhecimento pleno está restrito aquela comunidade.

Talvez muitos leitores já estejam nos chamando de progressistas e outros de hereges, confessamos, entretanto que a ordenação feminina nos gera muitas inquietações, especialmente ao aplicarmos ao Texto Sagrado uma hermenêutica histórica gramatical, contudo, entendemos que da forma que foi posta a ordenação feminina no âmbito da CBN, é extremamente incoerente com a compreensão teológica do ministério pastoral.
Em agosto deste ano, nós pastores ligados à Convenção Batista Nacional,  discutiremos o assunto durante o 19º Congresso de Pastores em Florianópolis, SC, contudo, apelamos que diferentemente de Penedo em 2004 o assunto seja sim discutido teologicamente, para evitarmos soluções incoerentes e inconsistentes com a teologia pastoral.
Lembramos, por fim, que já temos por este Brasil a fora muitas pastoras consagradas por diversas igrejas locais, ficando a questão para refletir: O que faremos no caso da rejeição da ordenação feminina pela Ormiban, anularemos as consagrações? Se sua resposta for positiva, por favor, respalde biblicamente.


Pr. Jonas Silva

0 comentários:

 
Caminhando em Santidade © 2010 | Design adaptado por Kênia Siqueira | Todos os direitos reservados.