O NATAL DOS FLINTSTONES E O NATAL CONTEMPORÂNEO (ATUALIZADO)


                            
                                      

            Um dos dilemas vivenciados por este pastor em sua adolescência, era o fato da família Flintstones, desenho animado criado por Hanna Barbera, comemorarem o natal; já que eles viviam  na pré história, obviamente antes de Jesus Cristo ter nascido.  Hoje, já passando dos 40 (quarenta) anos de idade, possuo outros dilemas acerca das festas natalinas, dilemas estes, que me fazem entender, que o natal dos Flintstones não é muito diferente dos natais na pós modernidade.
            Quando analisamos a importância e papel de Jesus no natal contemporâneo, a ideia que se estabelece acerca da pessoa de Cristo, o papel que Ele ocupa na festa que seria,  em tese, o seu aniversário. percebemos que o episódio do desenho animado era um prenúncio dos natais pós modernos.
            O Natal contemporâneo é uma festa no qual o seu principal personagem, Jesus Cristo, foi alijado da comemoração, as pessoas lembram  de Papai Noel, da luzes, dos presentes, do peru, do "chester", e esquecem do próprio Cristo. É o natal das sensações  efêmeras centradas no próprio homem. 
         Na contemporaneidade as decorações de natal são marcadas pelas luzes, e principalmente por Papai Noel, gerando no consciência das pessoas, que o que é importante mesmo não é o nascimento de Jesus, mas, ganhar presentes, e, principalmente consumir e gastar.
            O Natal na sociedade consumista contemporânea, é a festa do pegue pague, das cantatas com muita arte e pouca vida, das muitas luzes e da alegria falseada, que conduz o homem ao  esquecimento do fato que o principal presente do natal foi providenciado por Deus, fruto do seu inaudível amor, que é a pessoa do seu filho Jesus encarnado, se não no dia 25 de dezembro, em algum dia da história para resgatar o homem de seus pecados e opressão.
            As pessoas no Natal se abraçam se confraternizam, fazem festas e banquetes, se embriagam, são falsas em suas congratulações, e deixam de lado as ações de graças pelo nascimento do dono da festa, que é Jesus, o Deus que se fez carne e habitou entre nós. Mas, como falar em gratidão, se foi perdido a concretude e força do significado do nascimento e encarnação do filho de Deus.
            Quando comparo o natal com as outras festas do nosso calendário, entendo que não é no carnaval que as pessoas se fantasiam, pois muitas vezes elas mesmo fantasiadas representam o que realmente são. Mas, é no natal, de cara limpa, é comum ver pessoas transvestidas, movidas pelo dito espírito natalino, em personagens que não são: bom chefe, bom cristão, bom amigo, caridoso e por aí vai,
            O natal só faz sentido quando Jesus deixa de ser uma mera desculpa para as confraternizações anuais, e passa a ser um personagem vivo que nasceu em nossos corações, em algum dia da nossa existência. Pois se não for assim,  o nosso natal não é muito diferente do da família Flintstones, ou seja, materialista e consumista, uma mera festa sem qualquer possibilidade de significado  existencial.


Pr. Jonas Silva

Para conferir estou postando o primeiro episódio do natal dos Flintstones !!! Qualquer semelhança com o nosso natal é mera coincidência. (Click no botão direito do mouse e escolha a opção reproduzir)




IGREJA CONTEMPORÂNEA: PRECISAMOS DE UMA NOVA REFORMA PROTESTANTE

                             



          Antes de qualquer coisa gostaria de justificar a minha ausência no blog, ando meio ocupado com as atividades de mestrado, descobri, mesmo já desconfiando disso, que o título de mestre não cai do céu, vem exigindo muita leitura e dedicação. Contudo, em virtude do último dia 31 de outubro, não deixar poderia deixar de fazer uma reflexão sobre a reforma protestante. 
          Há exatos 497 (quatrocentos e noventa e sete) anos atrás, no dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou nas portas da catedral de Wintteberg, Alemanha as suas 95 (noventa e cinco) teses. Começava aí, um processo de libertação da Igreja Cristã da estrutura de poder fomentada pelo clero da Igreja Romana.
          O movimento iniciado por Lutero era fundamentado em 5 (cinco) pilares básicos: somente a Escritura, somente a Fé, somente a graça, somente Cristo e glória somente a Deus. É exatamente ante as bases fincadas por Lutero e a partir do que a igreja evangélica contemporânea se tornou que gostaria de fazer uma reflexão.
Somente a Escritura
          A igreja contemporânea vem se tornando cada vez mais emocional e experiencial, não quero dizer que o elemento de mistério, não  faça parte da vida cristã, mas defendo que a mesma não pode ser elemento norteador e autoritativo da práxis cristã.
          Vemos cada vez mais igrejas e ministérios serem estabelecidas em fundamentos pragmáticos, mesmo que estes não encontrem lastro nas Escrituras Sagradas, infelizmente a Bíblia não vem sendo para igreja contemporânea suficiente para nortear a vida eclesiástica.
Somente a Fé
          Na percepção de Lutero a Fé era o elemento soteriológico fundamental, ante as vendas de indulgências implementadas pela Igreja Romana.
          Para a igreja contemporânea a fé se tornou meramente uma força promotora de milagres, e nesta percepção equivocada, surge um novo mercado de indulgências, que são os amuletos e muletas espirituais (rosa ungida, campanhas financeiras, sal grosso, copos com água etc), que visam alcançar o paraíso, muito embora, gostaria de lembrar, que o céu da igreja pós-moderna, não está no porvir, mas em uma vida terrena ausente de problemas.
Somente a graça
          O conceito de graça para a igreja contemporânea se tornou em algo sem valor, a espiritualidade contemporânea tirou os olhos daquilo que ela não poderia jamais pagar que mesmo assim Deus nos presenteou, que foi a salvação em Jesus Cristo. E fixou o olhar naquilo que ela, mesmo equivocadamente, entende que pode compra de Deus por meios de seus sacrifícios pessoais e financeiros, que é uma vida de sucesso terreno.

Somente Cristo
          Vivemos dias onde os ministérios são cada vez mais personalísticos, onde o líder principal não é a pessoa de Jesus, mas o pastor “a”ou “b “, onde o paradigma de verdade não está na pessoa de Cristo, mas em concepções humanas.
          Algumas igrejas evangélicas tratam a sua liderança como infalíveis e acima do bem e do mal, não importam quantas vezes eles ultrapassem a mensagem de Jesus, ainda assim estarão corretos.
Glória somente a Deus
          As estruturas eclesiásticas de poder estabelecidas pela igreja contemporânea buscam a glória de Deus? Ou a manutenção de sua própria glória? A resposta as estas indagações fica fácil de responder quando observamos que muitos nomes de igrejas são mais exaltados do que o próprio nome de Deus.
          Nesta lógica contemporânea a glória de Deus é compartilhada com o líder ou ministério, Ele deixa de ser o ator principal e passa a ser o coadjuvante.

          Ante a breve reflexão que acabamos de fazer, que a Reforma Protestante não foi simplesmente um movimento de ruptura com a Igreja Romana, mas, sim, a implementação de uma lógica que visava estabelecer uma espiritualidade e estrutura eclesiástica bíblica.
          Contudo, hoje observamos, que mesmo separados da Igreja Romana, que os ideais basilares da reforma protestante foram suplantados pela igreja contemporânea, hoje, 497 (quatrocentos e noventa e sete) anos depois de Lutero, o futuro, no tocante a estrutura de poder eclesiástica e práxis cristã, repetiu o passado, por isso, necessitamos urgente de uma nova reforma, que liberte a igreja evangélica das amarras do engano e de uma espiritualidade equivocada.


Pr. Jonas Silva

ELEIÇÕES – PASTORES E REBANHOS: QUANTO VALE OU É POR QUILO?


 
Aproveitando a deixa do título do filme de Sérgio Bianchi (Quanto vale ou é por quilo? Brasil, 2005) resolvemos escrever este “post” a respeito da relação de certas lideranças ditas cristãs evangélicas com a classe política, fazendo uso do seu rebanho e ministério.
Antes de qualquer colocação, gostaríamos de firmar a posição que enquanto cidadão, todo pastor tem e deve se envolver com as transformações sociais, dentre as quais, muitas delas passam pelo canal político. Contudo, tal envolvimento deve se ater a sua consciência, e não por meio da politicagem barata envolver de forma manipuladora a consciência do rebanho. E é disto que pretendemos falar.
 Todas as vezes que eu vislumbro a ação do ministério pastoral, sempre delineio o quadro metafórico do Rei Davi ainda Pastor de ovelhas arriscando a sua vida enfrentando leões e ursos no intuito de proteger indefesas ovelhas do seu Rebanho (I Sam 17:34-37). Não obstante a esta visão romântica, contudo, nem sempre é isto que acontece na prática, já que muitos lideres usam o rebanho estritamente para o proveito próprio.
          Em dias de campanha eleitoral, fico refletindo a respeito do que foi feito deste quadro quando observamos algumas posturas pastorais, e fico pensando se tenho sido muito idealista ou ingênuo; contudo, preferiria acreditar que pastores dão a vida por seu rebanho, ao invés de tomar como verdade a conclusão: que pastores modernos dão a vida do rebanho por suas vantagens pessoais.
          Ficamos perplexos ao observares pastores que envolvem o seu rebanho e ministérios em suas ambições políticas, negociando com terceiros um suposto apoio, bem como, os votos do rebanho em busca de benefícios temporais ou esmolas ministeriais.
          Sabemos que o Pastor é um condutor e um influenciador de vidas e consciências, o denota não somente a responsabilidade da ação pastoral, mas também as possibilidades que a função permite,  há muito descobertas pelos políticos.
          É muito comum em dias de campanhas eleitorais, políticos buscarem apoio de Pastores na tentativa de garimparem os votos das ovelhas. Contudo, o que mais me deixa estarrecido são as estratégias utilizadas pelos mesmos, que vão deste a doação de bancos; construção de ambientes na igreja; apoio nos eventos, verdadeiras esmolas para a “igreja do senhor”.
          A questão impõe um debate ético: Até que ponto, pode-se envolver o rebanho em campanhas políticas? Muitas vezes à custa da alienação, e do uso da credibilidade que líderes espirituais possuem junto a seus liderados. Qual a diferença daquela estratégia da política coronelista de estabelecer um curral eleitoral, da atitude de muitos pastores que controlam o voto de uma comunidade eclesiástica? Entendemos que em relação ao primeiro dilema a resposta seria: Jamais. E infelizmente em relação à segunda questão: nenhuma.
          O púlpito, que seria o local de onde deveria ecoar a mais cristalina Palavra de Deus, é oportunizado a políticos que se dizem evangélicos ou amigos do Evangelho, muitas vezes de vida e testemunhos duvidosos, para esporem demagogicamente as suas plataformas políticas, plataformas estas chanceladas pelas lideranças eclesiásticas.
          A mensagem do Evangelho é libertária em essência, e o engajamento político social que dela emerge deveria ensinar o rebanho a votar enquanto uma ação de compromisso e mudança social, ao invés de manipular mentes e corações em pró de sórdidas vantagens pessoais.
Quando um Pastor negocia os votos de suas ovelhas, ele esquece que os valores mais altos que estão na negociação são a dignidade, o amor que respeita a pluralidade de opiniões, os valores do Reino de Deus, a santidade, a dignidade e principalmente a sua função protecionista, que redunda também em evitar a manipulação barata de mentes e corações.
Terminamos este post fazendo lembrar as palavras proferidas pelo profeta Ezequiel, que entendemos como pertinentes e relevantes para a nossa geração:
1 Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:2 Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?3 Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas.4 A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. (Ez 34:1-5).

Pr. Jonas Silva

                                                              


PALESTRA SOBRE MODERNIDADE E PÓS MODERNIDADE


Estamos publicando a segunda palestra da Conferência Teológica da nossa Igreja, onde ministramos sobre MODERNIDADE E PÓS MODERNIDADE.

PALESTRA SOBRE COSMOVISÃO CRISTÃ

Primeiro encontro da Conferência Teológica da Igreja Batista Missionária Casa Forte, no qual foi Ministrado pelo Pr. JONAS SILVA sobre COSMOVISÃO CRISTÃ. A palestra foi ministrada para a Classe de Jovens e Adultos da IBMCF.


OS BATISTAS NACIONAIS SÃO PENTECOSTAIS?


            Novamente venho trazer uma reflexão sobre os rótulos que muitas vezes enquanto Batistas Nacionais pairam sobre nossas práxis teológicas, desta vez o fato de sermos ou não pentecostais.
            O rótulo de pentecostal adere à nossa compreensão teológica em virtude daquilo que nos fez peculiar em relação aos Batistas Brasileiros, e que foi o mote da expulsão de alguns dos nossos fundadores da Convenção Batista Brasileira; que é a crença batismo no Espírito Santo como uma segunda benção possível e distinta e à parte da regeneração,  disponível para a vida de cada cristão,  bem como, a convicção da contemporaneidade dos dons do Espírito Santo, entre estes, destacamos o falar em línguas estranhas, tecnicamente chamado de glossolalia.
            Se afirmarmos que ser Pentecostal é exatamente crer e vivenciar tais fenômenos, então poderíamos dizer que os Batistas Nacionais são Pentecostais desde o berço. Contudo, a questão não é tão simplista o quanto parece, já que o termo no campo semântico da teologia toma uma conformação bastante peculiar e específica.
            Em linhas gerais, podemos definir um pentecostal clássico aquele que compreende o Batismo como Espírito Santo como um evento subsequente ao Novo Nascimento ou a Regeneração, evidenciado pelo falar em línguas estranhas (glossolalia), e disponível para a igreja desde o dia de pentecostes.
            Então partindo desta restrição semântica, temos agora três requisitos básicos para a denominação de um grupo como pentecostal: 1) Acreditar no Batismo com o Espírito Santo como segunda benção distinta da regeneração; 2)Crença na contemporaneidade dos dons do Espírito Santo; 3) Entender como evidência do Batismo no Espírito Santo o falar em línguas estranhas.
            Visando compreender a questão de como os Batistas Nacionais se enquadrariam na citada conformação semântica, que é a de Pentecostal, gostaríamos de recorrer a Declaração de Fé Batista Nacional em especial ao capítulo III que trata do Espírito Santo, vejamos:
III — DO ESPÍRITO SANTO
Cremos que o Espírito Santo é o Espírito de Deus. Ele inspirou homens santos da antiguidade para escrever as Escrituras. Capacita homens através de iluminação a compreender a verdade. Exalta a Cristo. Convence do pecado, da justiça e do juízo. Atrai homens ao Salvador e efetua regeneração. Cultiva o caráter cristão, conforta os crentes e concede os dons espirituais pelos quais eles servem a Deus através de Sua Igreja. Sela o salvo para o dia da redenção final. A presença dEle no cristão é a segurança de Deus para trazer o salvo à plenitude da estatura de Cristo. Ele ilumina e reveste de poder (Batismo no Espírito Santo) o crente e a Igreja para a adoração, evangelismo e serviço.  (grifo nosso)

            Analisando a Declaração de Fé da Convenção Batista Nacional, percebemos claramente que em relação aos itens relativos a: 1) Acreditar no Batismo com o Espírito Santo como segunda benção distinta da regeneração;  e o 2)Crença na contemporaneidade dos dons do Espírito Santo; foram consignados de forma clara e inequívoca. Contudo,  a mesma é silente quanto ao item 3), que trata da evidência do Batismo no Espírito Santo como o falar em línguas estranhas.
            É exatamente na questão da Glossolalia como evidência “sine qua non”  do Batismo com o Espírito Santo, que os Batistas Nacionais se diferenciam dos Pentecostais Clássicos, já que os mesmos compreendem que a Evidência do Batismo no Espírito Santo está na causa, autoridade e intrepidez no  testemunho do Evangelho, e não nos efeitos, dons espirituais dentre os quais o falar em língua.
            Um dos fundadores da Convenção Batista Nacional (CBN) e um dos seus grandes expoentes teológicos Pr. Enéas Tognini, em uma série de estudos publicados pela editora da CBN, LEBAN, Intitulado Pessoa e Obra do Espírito Santo, afirma o seguinte na página 37:

Existem duas correntes: Uma que admite a evidência do batismo no Espírito Santo falando língua estranha. Se não falar em língua, não está batizado. Esta posição enfrenta, às vezes, o perigo de inverter causa e efeito. Outra defende que o crente pode ser cheio do Espírito Santo sem falar em língua. A Evidência que não pode faltar no batismo no Espírito Santo é o PODER PARA TESTIFICAR DE At 1.8.
             
            Podemos ver a possibilidade de dissociação entre o batismo no Espírito Santo com o falar em línguas, também em outro fundador da Convenção Batista Nacional, Pr. Rosivaldo de Araújo, em autobiografia intitulada: Ninguém Detém! É Obra Santa, na qual faz uma análise do movimento de renovação espiritual no nordeste do Brasil, senão vejamos:

O pastor José Rego até aquele momento ainda não falava em línguas, embora fosse batizado como o Espírito Santo. Não obstante, era um homem cheio do poder do Espírito que sacudiu o Brasil com as suas mensagens, e por isso nos causava grande admiração. (pág 102)

É interessante notar que na experiência do pastor José Rego do Nascimento não houve manifestação de línguas estranhas. O que me deixou intrigado foi que ele estava tão cheio de poder que causava impacto a todos com a sua palavra, de norte a sul do Brasil, mas não havia ainda falado em línguas. (pág 31)

Ao relatar o seu batismo com o Espírito Santo:
Quanto a mim só vim a falar em línguas cinco anos após aquela experiência. (pág 31).

            Em virtude do processo histórico que vivenciado pelo Batistas Nacionais, onde se forjou as suas crenças doutrinárias particulares com as sínteses e revisões necessárias,  enquadrar os mesmos como pentecostais, também, torna-se   uma tarefa de certa forma inadequada, já que o termo tomou um sentido teológico, que não abrange precisamente a pneumatologia (estudo da doutrina do Espírito Santo) de tais batistas. Logo, talvez a melhor definição para tal grupo seja: Batistas que acreditam no batismo no Espírito Santo como uma benção distinta da regeneração e na contemporaneidade dos dons Espirituais.   
                       
Pr. Jonas Silva



OS BATISTAS NACIONAIS SÃO CALVINISTAS OU ARMINIANOS?


Recentemente tenho visto muitos Batistas Nacionais se autodenominando como calvinistas, requerendo, ou mesmo, querendo se enquadrar em algum rótulo pré concebido, a exemplo de “reformado”. Geralmente jovens recém egressos ou ingressos em seminários que se expuseram à teologia reformada, contudo, leram muito pouco sobre a teologia batista.
A grande questão é que para o povo batista estes rótulos (Arminiano, Calvinista) não são tão simples de se enquadrar, sem o risco de sobrar ou faltar alguma coisa, talvez a melhor definição seja dada em um artigo elaborado pelo The Center for Teological Research em www.baptistteology.org (http://www.baptisttheology.org/baptisttheology/assets/File/NeitherCalvinistsNorArminiansButBaptists.pdf) “Neither Calvinists nor Arminians but Baptists” “Nem Calvinistas e nem Arminianos mais Batistas”, o artigo em questão(que em breve estarei traduzindo integralmente), vem assinado entre outros, pelas seguintes autoridades:David L. Allen, Deão da Escola de Teologia  e Diretor do Centro de pregação expositiva do Seminário Batista  do Sudoeste dos Estados Unidos; Paige Patterson, Presidente do Seminário Batista  do Sudoeste dos Estados Unidos e Malcolm B. Yarnell, Diretor do Centro de Pesquisa Teologica e professor assistente de Teologia Sistemática do Seminário Batista  do Sudoeste dos Estados Unidos.
            O debate sobre o fato dos Batistas serem calvinistas ou arminianos não é recente, por exemplo Enéas Tognini em seu livro, "Eclesiologia", página 120, afirma que a primeira confissão de Fé Batista data de 1611 e era arminiana; por outro lado Zaqueu Moreira de Oliveira em seu Artigo, "Busca da Raiz Batista", publicado na revista, "Batistas sua identidade", assevera que surgiu outro grupo na Inglaterra  em 1638, adotando a teologia Calvinista. Portanto,  tal celeuma soteriológica perdurou por séculos, dando origem a várias declarações de fé que expressavam uma ou outra visão.
                Na oportunidade fazemos lembrar  que o Manual Básico Batista Nacional não faz taxativamente alusão  à Confissão de Fé dos Batistas do Sul dos Estados Unidos, contudo, tendo em vista que estava em uso pelas igrejas do Sul dos EUA , a confissão de New Hampshire, a mesma foi adotada pela CBN, tendo sido simplesmente traduzida para o português. O rótulo, calvinista ou reformado, lastreia-se especificamente na adoção por parte da Convenção Batista Nacional (CBN) da CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE NEW HAMPSHIRE (1833), especialmente dos dispositivos que abordam a soteriologia.
"A Comissão de Reforma do Manual Básico optou por manter totalmente                        o texto adotado na 1ª edição, uma vez que se trata de parte integrante                            da Confissão de Fé dos Batistas do Sul dos Estados Unidos."

Portanto, como já pontuamos, a Convenção Batista Nacional, no ato da sua fundação, lançou mão da Declaração de Fé dos Batistas Brasileiros.  A confissão de Fé adotada conhecida como a CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE NEW HAMPSHIRE (1833) elaborada Rev. John Newton Brown (1803 - 1868), esta confissão é apontada por muitos,  como sendo moderadamente calvinista em sua sotereologia, contudo, entendemos que este posicionamento não é suficiente para requerer uma origem histórica calvinista para os Batistas Nacionais, já que não há consenso a respeito da própria Confissão de Fé neste sentido. 
Já que o termo “moderadamente” pode indicar um meio termo entre os dois extremos teológicos (Calvinismo-Arminianismo), ou até mesmo, uma tentativa de conciliação, ou possivelmente, uma forma particular (inovadora) de compreender a questão.
Como já asseveramos anteriormente,  não há um consenso sobre o caráter estritamente calvinista da confissão de New Hampshire, para tanto, gostaria de realizar uma tradução de trechos de um artigo intitulado Historical Southern Baptist Soteriology de autoria Emir Caner, Ph.D. President, Truett-McConnell College Cleveland disponível em (http://sbctoday.com/historical-southern-baptist-soteriology-pt-23/), senão vejamos:
Para que cada um tire as suas dúvidas estarei postando o texto original em vermelho e logo em seguida a traduação.
About a decade before the formation of the Southern Baptist Convention, Baptists in New Hampshire were about to write what would become the most disseminated confession in the history of Baptist life in America.129 This document would serve as the predecessor of the Baptist Faith and Message. The doctrine was so unique that longtime Southwestern Seminary theologian James Leo Garrett explains, “One can conclude that the label ‘moderately Arminian’ would be as accurate as the term ‘moderately Calvinistic.’” Another writer asserts, “Calvinism and Arminianism are almost ignored.”
Cerca de uma década antes da formação da Convenção Batista do Sul, batistas em New Hampshire estavam prestes a escrever o que se tornaria a confissão mais difundida na história da vida batista em America. Este documento serviria como  predecessor da Fé e Mensagem Batista . A doutrina foi tão exclusiva, que desde longa data o teólogo do Southwestern Seminary James Leo Garrett explica: "Pode-se concluir que o rótulo de" moderadamente arminiano "seria tão preciso quanto o termo" moderadamente calvinista.  Um outro escritor afirma ainda," o Calvinismo e o Arminianismo forão praticamente ignorados. "
According to Dr. Richard Land, the New Hampshire Confession (1833) solidified the fact that the Sandy Creek soteriology, with its skepticism towards Calvinistic interpretations of particular redemption, unconditional election, and irresistible grace, was now the majoritarian view of early Southern Baptists.
Segundo o Dr. Richard Land, a confissão de New Hampshire (1833), solidificou o fato de que a soteriologia “Sandy Creek” (Tradição teológica do Sul dos Estados Unidos), possuía um ceticismo em relação as interpretações calvinistas de expiação limitada, a eleição incondicional e graça irresistível, esta era agora a visão majoritária dos primeiros Batistas do Sul. "
The New Hampshire Confession can be best described as a simple biblicism that unites doctrines of Scripture without philosophical speculation. While some may find it ambiguous in its rendering, many Baptists found it refreshing in its uncomplicated articles.
A confissão de New Hampshire pode ser melhor descrita como um biblicismo simples que une doutrinas da Escritura, sem especulação filosófica. Enquanto alguns podem achar que é ambígua na sua apresentação, muitos batistas encontraram um refrigério em seus artigos descomplicados.
O Artigo ainda faz uma citação que a confissão de Fé de New Hampshire  ao tratar da soteriologia deixou de incluir artigos importantes sobre determinados temas, caros a doutrina Calvinistas, e que estão presentes em outras confissões batistas calvinistas, a saber:
1. Do decreto de Deus
2. Da Divina Providência
3. Da aliança de Deus
4. Do chamado eficaz
5. Da Adoção
6. Do Evangelho, e da extensão da Graça
                   
                    Os autores afirmam ainda, que no lugar dos artigos omitidos a confissão de New Hampshire faz consignar novo artigo intitulado DA GRATUIDADE DA SALVAÇÃO, a confissão reflete a importância que os  batistas davam a responsabilidade humana, senão vejamos:
“Cremos que as bênçãos da salvação cabem gratuitamente a todos por meio do Evangelho; que é dever imediato de todos aceitá-las com fé obediente, cordial e penitente, e que nada impede a salvação, ainda mesmo do maior pecador da terra, senão sua perversidade inerente à voluntária rejeição do Evangelho, a qual agrava a sua condenação (Is 55.1; Ap 22.17; Lc14.17; Rm 16.26; Mc 1.15; Rm 1.15,17; Jo 5.40; Mt 23.27; Rm 9.32; Pv 1.24; At 13.46; Jo3.19; Mt 11.20; Lc 19.27; 2Ts 1.8).”

A confissão, citando diferentes passagens bíblicas, faz referência ao texto de Mateus 23:37 como uma defesa do aludido artigo, oportunamente esclarecemos, que a referida  passagem é exatamente aquela em que Jesus clama à Jerusalém  expressando o seu desejo por ela, mas Jerusalém (representando a nação de Israel) não estava disposta a aceitar o amor do Messias.
Por outro lado, não podemos asseverar também, que a Declaração de Fé de New Hampshire seja estritamente arminiana, embora aquilo que alguns chamam de calvinismo moderado se aproxime em muito de alguns pontos do Arminianismo Clássico, contudo, o artigo que trata da perseverança dos salvos, consignado na referida Declaração, é de certa forma um elemento não alcançado pelo Arminianismo, ou pelo menos, um ponto de discórdia dentro do sistema doutrinário arminiano.
A confissão de Fé de New Hampshire parece ter transitado entre as duas correntes soteriológicas (Arminianismo-Calvinismo) de maneira que por mais que a tentemos a enquadrar em uma das duas, não há como coadunar por completo em quaisquer das soteriologias, este entendimento é defendido por Steve W. Lemke, Ph.D, no editorial do Journal for Baptist Theology and Ministry Vol. 8, No. 1, 201, senão vejamos:
This mixture of Calvinism and Arminianism was expressed doctrinally in the New Hampshire Confession of 1833, which moved away from the more Calvinistic language of the Philadelphia Confession, The New Hampshire Confession became pivotal for Southern Baptist theology
Essa mistura de Calvinismo e Arminianismo foi expressa doutrinariamente na Confissão de New Hampshire de 1833, que afastou-se da linguagem mais calvinista da Confissão da Filadélfia. A Confissão de New Hampshire foi fundamental para a teologia Batista do Sul.
            
             Portanto, ante o que acabamos de expor, ressaltamos que o trânsito entre o Arminianismo e o Calvinismo propiciado pela Confissão de Fé de New Hampshire não significa que houve uma tentativa de fusão das mesmas, mas sim, uma forma particular Batista de compreender a Soteriologia.
                    Compreendemos que muitos Batistas Nacionais têm sido influenciados por movimentos reformados contemporâneos, como o neocalvinismo e neopuritanimo, contudo, salientamos que deve se evitar a tentativa de ajuste da nossa teologia à posições doutrinárias que foram superadas no processo histórico de formação do povo Batista e, portanto, de sua conformação teológica.
                    Devemos ter orgulho da nossa tradição, não somos melhores ou piores do que qualquer grupo denominacional, o processo histórico que vivenciamos  permitiu nos depararmos com visões teológicas antagônicas e por meio do amor cristão, respeito a liberdade de consciência, e, estabelecermos as sínteses possíveis, o que em imprimiu em nossa teologia nenhum outro rótulo, a não ser o de Batista.


Pr. Jonas Silva


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EU NUNCA FUI BAIXINHO... MAS FIQUEI AO LADO DA XUXA



 A apresentadora Xuxa faz sinal de coração no momento em que o deputado Pastor Eurico criticou a presença dela na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (Foto: Ailton de Freitas / O Globo)
            Antes que me acusem de alguma coisa ou me intitule de algum rótulo do passado, já que agora nunca se sabe, quero afirmar que nunca fui fã da Rainha dos Baixinhos, mesmo tendo o sido criança e adolescente em plena década de 80, sou contra a lei da palmada tendo inclusive expressado tal posição em meu blog no ano de 2010 (http://www.caminhandoemsantidade.com.br/2010/07/palmadinha-pooode.html).
            Contudo, um fato me fez pela primeira vez concordar com a apresentadora global. Na sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara da última quarta-feira, o deputado Pastor Eurico (PSB-PE) hostilizou a Xuxa Meneghel, afirmando que sua presença da mesma era "um desrespeito às famílias do Brasil", fazendo referência ao filme, Amor Estranho Amor, exibido nos idos de 82, em que Xuxa aparece numa cena de sexo com um adolescente de 12 anos.
            Não quero julgar se o que a apresentadora fez no filme é correto ou não, quero sim, fazer uma reflexão a partir de uma lógica cristã, bíblica/revelacional, que entendo eu, como dever de todo cristão ler o mundo a partir dela.
            A base de nossa fé é o perdão e a regeneração do homem, imagine se começássemos agora a trazer a tona todos os nossos pecados do passado. Quem subiria aos púlpitos? Já imaginou se julgássemos o Apóstolo Paulo pelo fato de ter sido perseguidor da Igreja? Teríamos que jogar fora ou invalidar mais da metade do Novo Testamento.
            Talvez você já esteja dizendo: A Xuxa não é Evangélica, então, como se pode falar de arrependimento e transformação. Contudo, quero lembrar que se arrepender de erros pontuais do passado é um direito de cada homem, pois pessoas fazem isso todo dia, como já dizia Voltaire: “Deus fez do arrependimento a virtude dos mortais”.
Se discordarmos da Xuxa é um dever discutir as ideias  da Xuxa, e não querer se valer de questões de um passado remoto, para invalidar os seus argumentos, sem falar que esta estratégia argumentativa é uma forma falaciosa bem conhecida e denominada de Argumentum ad hominem (latim, argumento contra a pessoa), é um recurso retórico identificado quando alguém procura negar uma proposição com uma crítica ao seu autor e não ao seu conteúdo, e como toda falácia não possui bases lógicas.
            Se quisermos, enquanto Igreja, transformar a sociedade, não vamos lograr êxito, valendo-se de estratégias acusativas, abrindo impiedosamente feridas do passado na vida de nossos interlocutores, negando às criaturas de Deus, criadas a sua imagem e semelhança, o direito ao arrependimento e a remissão*. Já que biblicamente esta não é uma estratégia divina, pois a acusação como estratégia pertence a um outro tipo de lógica: pois já o acusador de nossos irmãos foi lançado fora, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite". Apocalipse 12:10.

            Pr. Jonas Silva
*Remissão: Não estou me referindo ao conceito teológico, que impõe o sacrifício de Jesus como causa única eficaz, mas a idéia da desobrigação das conseqüências de faltas e erros, presente em qualquer ordenamento jurídico.

A IGREJA: UMA VÍTIMA DE NÓS MESMOS


                               
          

  Após tantos anos convivendo com a comunidade chamada Igreja, percebo que é muito comum ouvir sugestões críticas a respeito da mesma, que redundam em colocações do tipo:
·         A minha igreja bem que podia ser mais fervorosa;
·         A minha igreja poderia ser mais santa;
·         A minha igreja podia ser mais acolhedora
·         A membresia da minha igreja podia ser mais participativa;
·         A minha igreja podia ser mais envolvida como evangelismo e missões;
·         A minha igreja podia ser igual aquela outra igreja;

As sugestões são múltiplas, e os exemplos citados não esgotam a questão, contudo, me fazem concluir que certos ditos populares se aplicariam perfeitamente aos membros da igreja, como uma pequena adaptação, senão vejamos: Todo crente no fundo é um técnico de igreja (parafraseando: todo brasileiro é um técnico de futebol), a igreja do outro é sempre mais verde (parafraseando: A fruteira no quintal do meu vizinho é sempre mais verde).
Contudo, quando passo a refletir sobre o caráter comunitário da igreja e a respeito do corpo de Cristo, fico imaginando que qualquer crítica que fazemos a nossa comunidade de fé, na verdade é uma crítica aquilo que sou enquanto cristão.
É comum irmãos em Cristo passarem a vida apontando e ressaltando as reformas e modificações que necessitam a sua Igreja, esquecendo que cada mudança brota inicialmente no coração de cada pessoa movida pela consciência da Palavra de Deus e convencida pelo Espírito Santo. Logo, se faz necessário antes de qualquer crítica à instituição, ou à comunidade, uma autocrítica a respeito de que eu tenho feito para proporcionar essa mudança, para realizar aquilo que entendo como necessário e almejado em minha comunidade de fé. Entendendo isso, gostaria de retomar as questões iniciais com algumas indagações plausíveis:
·         A minha igreja bem que podia ser mais fervorosa; Como anda o meu fervor espiritual?
·         A minha igreja poderia ser mais santa. Como anda a minha santificação?
·         A minha igreja podia ser mais acolhedora. Você tem sido acolhedor?
·         A membresia da minha igreja podia ser mais participativa. Como anda a sua participação na vida comunitária?;
·         A minha igreja podia ser mais envolvida como evangelismo e missões. Você tem se envolvido com as atividades missionárias?
·         A minha igreja podia ser igual aquela outra igreja. Será que você é um membro igual aos que estão naquela igreja?

Ora-se muito para Deus mudar as igrejas, mas entendo que a mudança de qualquer comunidade de fé passa necessariamente pela mudança do coração da membresia, incluindo daquele que intercede.

No fundo a igreja não é culpada pelo não atendimento das nossas projeções, na verdade ela é uma vítima daquilo que somos, ou seja, se queremos uma igreja diferente e melhor, sejamos membros melhores, mais participativos, acolhedores, envolvidos e espirituais.
Pr. Jonas Silva

PRECISAMOS DE UMA VISÃO ALÉM DO ALCANCE




Juízes 14
8 Depois de alguns dias, voltou ele para a tomar; e, apartando-se do caminho para ver o corpo do leão morto, eis que, neste, havia um enxame de abelhas com mel.(...)12 Disse-lhes, pois, Sansão: Dar-vos-ei um enigma a decifrar; se, nos sete dias das bodas, mo declarardes e descobrirdes, dar-vos-ei trinta camisas e trinta vestes festivais;13 se mo não puderdes declarar, vós me dareis a mim as trinta camisas e as trinta vestes festivais. E eles lhe disseram: Dá-nos o teu enigma a decifrar, para que o ouçamos.14 Então, lhes disse:Do comedor saiu comida,e do forte saiu doçura.


          A passagem acima relata um momento vivenciado pelo grande herói da Bíblia, Sansão, que após ter matado um leão encontrou na carcaça do animal uma colmeia com abelhas e mel, o fato lhe pareceu tão inusitado que o mesmo propôs um enigma aos moradores de Timna, cidade dos filisteus.
          A história nos faz refletir a respeito de quantas vezes a vida nos conduz a situações tão inusitadas o quanto essa, nas quais experimentamos a surpresa, o delicioso, a benção, o inusitado, ou mesmo a decepção e frustração, em locais e por meios de agentes e na forma que menos esperavamos.
          A reflexão nos impõe a verdade que nem tudo se parece ou é, como se apresenta, há uma realidade além da vista, e talvez o grande desafio de todo cristão, seja enxergar como super-heróis dos quadrinhos e da televisão, além do alcance dos nossos olhos. Ou seja, enxergar o belo e o feio que está por traz  das ilusões de óticas que se apresentam diante de nós.
          Temos que admitir que nessa jornada cristã, já experimentamos e descobrimos o fel e o amargo, em lugares e estruturas que pareciam verdadeiras fábricas de doces, verdadeiras colmeias de últimas gerações. Bem como, já descobrimos como Sansão, mel, em estruturas singelas que aos olhos humanos pareciam verdadeiras carcaças estéticas.
          Quantas estruturas ministeriais são vistosas aos nossos olhos, belas estruturas, catedrais suntuosas, mas quando olhamos por traz do “belo” e do “estético”, o seu produto é a manipulação de mentes e corações, a exploração de pessoas simples para a consecução de objetivos egoístas e a manutenção de estruturas de poder, que nada tem a haver com a mensagem do Evangelho.
          Não obstante, encontramos em lugares simples, em estruturas singelas, desprezíveis quando avaliados segundo os padrões de sucesso e estéticos vigentes, contudo, por traz da “feiura” do “tosco”, o amor a Deus e ao homem é a base de tudo que há, ou seja, a beleza não está na fachada, mas, no interior, materializando-se na piedade e nos relacionamentos comunitários.
          Quantos discursos belos, mensagens eloquentes, produzem o “fel” do engano e da manipulação, por outro lado, quantas mensagens simples, produzem “mel”, traduzindo a verdadeira e cristalina vontade de Deus.
          Não quero trazer o discurso falacioso que o suntuoso, o grande, tem, necessariamente, o que é mal por traz, e nem o que o simples, pequeno, traz necessariamente a bondade. Quero sim, desafiar você querido leitor a enxergar o que está além de sua vista, e talvez quando você se permitir a esse exercício, venha a ter doces surpresas e amargas decepções, contudo, fundamentais para a saúde espiritual do Corpo de Cristo. E quem sabe, você se deixe ser usado como um profeta de Deus da sua geração.


Pr. Jonas Silva

DUAS QUESTÕES INCONVENIENTES

                                       



          Viver o cristianismo é uma verdadeira aventura, uma jornada de confronto com o nosso eu interior, existencial e essencial, muito bem alegorizada por John Buniam, em sua obra o Peregrino.
          Tenho percebido que muitas vezes tratamos a nossa relação como Deus e como um próximo com certo grau de superficialidade, fruto da incompreensão da dimensão e da profundidade que envolve o chamado a essa grande aventura, que é o andar com Deus em Cristo, que nada mais é que o discipulado.
          É comum os cristãos afirmarem que amam a Deus, mais, me pergunto diante da afirmativa: O que é finalmente amar a Deus? Como provo esse amor? A própria Bíblia dá essa resposta, afirmando que o amor que temos a Deus sempre redundará no amor ao próximo (1 João 4:19-21), ou seja, quem ama a Deus ama às pessoas.
          A minha surpresa nessa aventura, é que sempre nos descobrirmos sendo incoerentes e superficiais neste quesito, pois, sempre esquecemos que o amor a Deus, é uma relação de TUDO ou NADA, e nunca de partes, áreas loteadas, sentimentos medidos, relacionamentos superficiais e mesquinhez. Diante da constatação, gostaria de compartilhar duas questões, que venho me esforçando para não cair no erro da superficialidade, questões estas, que pelo menos para mim, constituem-se, o que podemos chamar, de verdades inconvenientes.

A primeira: Nuca orar por aquilo que não estou disposto a ser resposta de oração

          Sempre achamos que as respostas nossas petições sempre estão fora de nós mesmos, ou ainda, que os instrumentos para concretização destas respostas sempre será o outro, é comum presenciarmos  incoerências do tipo:

·       Oramos para Deus mudar nossa igreja, mas sem fazer  nada para que isso aconteça;
·       Oramos pela cura milagrosa de algum irmão, mas muitas vezes temos o remédio para sua doença e não damos;
·       Oramos pelas finanças da igreja, sem contribuir efetivamente;
·       Oramos para que Deus envie missionários aos campos, mas, nunca respondemos: Eis-me aqui Senhor! Envia-me a mim!
·       Oramos pelos problemas das pessoas, mas nunca a ajudamos efetivamente a solucioná-los;
·       Pedimos a Deus pela salvação de nossa geração, mas não trabalhamos para evangelizá-la.

O exemplos são múltiplos, você mesmo pode acrescentar um monte, mas rogo a Deus, que nunca encaremos a oração, como um ato de cinismo de quem almeja um desencargo de consciência. Mas vamos a outra questão.

Segunda: Nunca critique alguém que você não está disposto a ajuda-lo a mudar.

É comum da religiosidade: estabelecer fronteiras delimitadoras e intransponíveis, rotular pessoas e comportamentos, gerar fixações morais e comportamentais.
Diante de tantos, não ultrapasse, não toques, não se relacione, em fim de tantas críticas e julgamentos, fica a questão: O que fazemos para produzir mudanças nas pessoas que criticamos.
A religiosidade sempre tem um toque de narcisismo, que nos impede de encontrar beleza fora da nossa imagem, ou seja, aquilo que não se parece conosco é feio e precisa ser inquestionavelmente transformado em nossa própria imagem e semelhança.
Reconheço que o cristianismo sempre será uma proposta de transformação, por isso mudanças sempre serão necessárias. Entretanto, questiono qual o instrumento que estamos usando para produzir as mudanças necessárias na vida do outro, se for exclusivamente a crítica, destituída de amor e da vontade de caminhar junto, como fez Jesus com seus discípulos.
Percebo que muitas vezes o que move a crítica é a vaidade e o egoísmo, que redunda em uma apologética como um fim em si mesmo, e em um evangelismo proselitista.

Tenho pedido a Deus para que não venha viver o Evangelho de forma superficial e egoísta, que estas verdades inconvenientes quando materializadas em meu comportamento, não silencie a voz de Cristo na minha boca.


Pr. Jonas Silva 
 
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