USE A TEOLOGIA COMO LENTE E NÃO COMO VENDA



            O ambiente acadêmico teológico geralmente é marcado por debates, que entendo ser bastante salutar, já que o confronto de posturas divergentes contribui para o fortalecimento das convicções particulares.
            A postura teológica de cada um deve servir como pressuposto para a interpretação dos fatos e da realidade vigente, ou seja, o sistema teológico pode e deve funcionar como lentes que definem a leitura de fatos do cotidiano e como compreendemos a verdade revelada. Lembrando, obviamente, que a teologia não é a verdade revelada e sim a interpretação racional da mesma, e por isso passível de conclusões divergentes e contraditórias.
            Entendo que a postura teológica abraçada por cada um se torna um problema, quando a mesma conduz a uma vivência religiosa que perde de vista a essência do Evangelho, e isto ocorre principalmente quando ela toma o sentido da própria revelação.  E isto é fato para algumas pessoas que vivem a sua espiritualidade como se seu sistema teológico fosse a própria razão da sua fé, ou seja, uma verdadeira inversão de valores.
            Esta inversão de valores produz uma espiritualidade árida e desconectada das questões e verdades essenciais do Cristianismo, pois a única coisa que importa, é o que eu penso, e minha grande tarefa e fazer que todos os demais cristãos pensem igual a mim, abraçando o meu sistema teológico. Esquecendo que as divergências apontam para a grandiosidade da sabedoria de Deus, pois mostra que o homem é a imagem Dele, capazes de pensar, mas, ao mesmo tempo limitados por não compreendê-lo completamente.
            Sempre ensino aos meus alunos, que escolham um sistema que se coadune com as verdades basilares do cristianismo e que não abra mão de nenhuma delas (Criação, Queda, Revelação, Triunidade de Deus, Encarnação de Cristo, Salvação em Cristo e Porvir). Contudo, solicito que reflitam de como você está vivendo o cristianismo a partir do sistema teológico abraçado, confrontando a prática de vida com as seguintes ações:
  • Quem é o principal personagem da sua argumentação teológica e pregações, Jesus ou mentor do seu sistema (Armínio, Calvino, Agostinho, Wesley etc)?, Lembre-se: 12 E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. (Atos 4:12)
  • A sua postura em relações aos demais irmãos que abraçam sistemas diferentes do seu, é de respeito, ou de discriminação? Lembre-se:  15 Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos (Col 3:15).
  • Como você se porta em relação a sua igreja, caso ela adote sistema de diferente do seu, é uma atitude submissão ou de rebeldia, lembre-se:  Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas (Rom 13:3). Nesta questão sempre aconselho ao irmão a procurar uma Igreja que se coadune com a sua forma de pensar, ou fique servindo ao grupo que pertence sem querer implementar qualquer nova ideia conflitante.
  • O seu sistema teológico funciona como uma forma de compreender as suas questões de fé, ou se tornou um partido religioso, ou mesmo levou você a se portar como um torcedor de futebol, trocando o time por algum “ismo” teológico, lembre-se: : 12 Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. 13 Acaso, Cristo está dividido Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo?(I Cor 1:12)
  • Como você enxerga o Corpo de Cristo: Consegue discerni-lo?  Ou pensa de forma sectária, acreditando que se faz necessário uma uniformidade teológica? Você compreende a diversidade na unidade,? Lembre-se: 17 Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão. (II Cor 10:17)

Não estou defendendo que não é importante abraçar e definir posições teológicas, isto faz parte do pensar teológico, contudo, ressalto que os problemas existentes não estão nos sistemas, e sim, nas pessoas, que em virtude da imaturidade, e por que não dizer da falta de espiritualidade, usam aquilo que deveria servir como lentes, como vendas, que cegam a sua visão para o verdadeiro sentido bíblico do cristianismo.

Pr. Jonas Silva.


                                   

NO MOMENTO DO OFERTÓRIO A IGREJA NECESSITA DE EXEGETAS E NÃO DE PICARETAS


Uma pergunta recorrente que sempre nos fazem quando explicamos o sistema sacrificial do Antigo Testamento, é a respeito da validade das diversas ofertas ali contidas para os dias atuais. Não é pouco comum ouvir de algumas pessoas que aprenderam de algum Pastor que além do dizimo que os fieis deveriam entregar na Igreja,  se faz obrigatório também, uma outra oferta com o valor no mínimo igual ao dízimo, a título de oferta alçada, ou de primícias. Ou seja, em matemática simples cerca de 20%( vinte por cento) do salário do trabalhador deve ir para os cofres do ministério.
Acreditamos que não há nada de errado de um cristão contribuir com a igreja com a quantia que achar conveniente, contudo, a grande que questão que envolve o fato, é a manipulação dos textos bíblicos e ideia falaciosa que quem não atender a exigência está fora da visão e da benção de Deus, ou até mesmo está sob maldição..
Sabemos que o assunto é controverso e que estou passivo aos ataques de muitos lideres, já que quanto o assunto é oferta e dízimo, a interpretação coerente da Bíblia dá licença à lógica: De quanto mais é melhor.
O Paradigma sobre o ato de ofertar está em 2 Coríntios 9:7:"Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria." Observemos que na passagem o Apóstolo Paulo orienta os membros da igreja, para que dêem aquilo que têm proposto os seus corações. Vejamos que o mesmo não recorre a nenhuma figura do sistema sacrificial ou de ofertas do Antigo Testamento, para incitar à contribuição dos fiéis, especialmente por eles não serem Judeus, e sim Gentios. Ou seja, os seus ouvintes não estavam sob a égide da Lei Mosaica nos aspectos cerimoniais e ritualísticos.
Contudo, ainda na Nova Aliança permanece o aspecto finalístico do sistema de ofertas, que é a manutenção da Obra do Senhor, podemos concluir isto a partir de passagens como: 1 Coríntios 9:13-14 “Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que servem ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho. Logo, é patente que cada cristão é responsável pela manutenção de sua comunidade de fé.
Outra finalidade das Ofertas era socorro aos irmãos necessitados  como podemos depreender de: Atos 11:27-30: "... 29 E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia. ..."
Até agora podemos concluir que segundo o Novo Testamento devemos contribuir com a obra, no entanto o que respalda a nossa oferta não é o valor, mas, a atitude de coração. Por isso defendo que alguém que não é regenerado não oferta ao Senhor, ele pode entregar a quantia monetária, mas ela só se torna oferta quando ele entrega o coração.
Na lógica eclesiástica capitalista a oferta respalda o ofertante, mas, na lógica do Reino de Deus, é o inverso, a vida do ofertante respalda a oferta, a Graça é sempre mais exigente que a Lei.
Quanto ao dízimo (10%) entendemos que ele é um padrão de oferta anterior a Lei vejamos: O DÍZIMO DE ABRAÃO- Gênesis 14.18-20: Abraão deu o dízimo dos despojos da guerra ao Rei Melquisedeque, sacerdote do Deus altíssimo,; e O DÍZIMO DE JACÓ- Gênesis 28.20-22: Jacó fez um voto ao Senhor, prometendo-lhe dar o dízimo de tudo quanto ganhasse se em sua jornada fosse por Ele protegido e abençoado.
Durante a Lei foi instituído para manutenção do Templo e sustento dos Sacerdotes, Números 18.21, 24, 26 e ajuda aos necessitados conforme fica claro em  Deuteronômio 14.29 28 Ao fim de três anos, tirarás todos os dízimos da tua novidade no mesmo ano e os recolherás nas tuas portas.29 Então, virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão...,”. Observem que o dizímo possuía a mesma finalidade da oferta estabelecida na nova aliança.
Logo, o dízimo é um padrão bíblico estabelecido para a oferta de qualquer cristão, contudo, ressaltamos que ela deve ser segundo a voluntariedade de cada um, conforme assevera o Novo Testamento, não devendo ser um peso ou tristeza, ou mesmo medo, pois, como bem diz a Bíblia, deve ser entregue com alegria.
Não devemos permitir em hipótese alguma que ao ser interpretados textos bíblicos que tratam do tema, os mesmos sejam sordidamente manipulados, visando intimidar psicologicamente, produzindo pressão por meio do sentimento de culpa e medo, visando extorquir ofertas que não brotam de um coração adorador, mas, que simplesmente enchem o bolso de picaretas. Estes sim, os picaretas, a exemplo do que Jesus fez com os comerciantes no templo de Jerusalém, precisam ser expulsos do seio da Igreja.


Pr. Jonas Silva


 
 


 
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