QUANDO A TEOLOGIA SE TORNA UM ÍDOLO




O ambiente no Seminário Teológico é extremamente enriquecedor, debates, posições doutrinárias divergentes, a eterna celeuma entre: Arminianistas e calvinistas, amilenistas e pós milenistas, dispensacionalistas e aliancistas, quebram a monotonia de idéias e argumentos.

Mesmo adotando posições teológicas definidas e inegociáveis, creio que a diversidade doutrinária é a razão pela qual a igreja do Senhor Jesus, embora sendo uma, é plural na forma e na expressão da espiritualidade.

As posições doutrinárias divergentes, desde que não afetem o cerne da fé cristã, não nos tornam piores ou melhores que o outro, mas simplesmente diferentes, contudo, impõe a cada cristão a necessidade de escolher uma posição.

No presente artigo não pretendo defender nenhuma posição teológica especifica, entretanto, entendo como de primordial importância, trazer uma reflexão de como tal posição, afeta a expressão da espiritualidade de cada indivíduo frente ao outro.

É uníssono no ambiente seminarial o clichê: “O que nos une é muito maior do que o nos separa!”, contudo, tenho minhas dúvidas quanto a práxis desta verdade, pois é muito, pois a forma que encaramos tais verdades e as diferenças, e a importância que damos a cada uma delas, definem a maneira que tratamos o outro.
Entendo a Teologia e a Doutrina como ferramentas para o exercício da Espiritualidade e paradigmas que corroboram para a nossa cosmovisão. Contudo, percebo que alguns irmãos vivem a sua espiritualidade não para a glória de Deus, e sim, para o enaltecimento do sistema teológico abraçado.

Quando este fato ocorre, defendo que se estabelece uma relação de Idolatria com o sistema teológico, já que um ídolo é qualquer ente que ocupe o lugar de senhorio de Deus em uma determinada vida, ditando regras contrárias a Lei do Senhor.

Um sistema teológico embora perfeitamente razoável em sua interpretação da mensagem do Evangelho pode ser extremamente destrutivo, no sentido que muitos Cristãos, em nome de tal sistema, adotam posturas contrárias aos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo, ou seja: a intolerância, a falta de amor, desrespeito, ao sectarismo e a discriminação. Neste caso a Teologia passou a ser mais importante que o próprio Deus.

O Apóstolo Paulo por todo o capítulo 14 de sua Carta aos Romanos nos dá uma lição acerca da tolerância e respeito que devemos ter com o outro, frente à diversidade de visões acerca de algumas questões periféricas da Fé Cristã.

Gostaria de lembrar que a Igreja do Senhor Jesus Cristo não é fundamentada em nenhuma interpretação particular das Escrituras, ou mesmo qualquer apóstolo ou teólogo, já que a verdade fundamental da Igreja é o fato que o Jesus encarnado e revelado nas Escrituras, ser o Senhor e Cristo.

Então que a vontade de Jesus que conduz a Paz, ao amor, ao respeito, e a tolerância, seja o que norteia o exercício de nossa espiritualidade, redundando no respeito ao outro, não porque ele pensa igual a mim, mas, sim por servir ao mesmo Senhor da Igreja.

Pr. Jonas Silva

                        

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