ASSEMBLÉIAS DENOMINACIONAIS: JESUS UM “PARTICIPANTE” SEM DIREITO A VOZ E VOTO


 

Como Pastor é difícil fazer qualquer referência denominacional sem que alguém não queira atrelar a minha reflexão a alguma situação específica, contudo, não estou apontando para nenhum fato concreto, mas, sim de coisas do tipo abertura do filme Jornada nas Estrelas “Há muito tempo, numa galáxia muito distante”.

A idéia que a maior parte da membresia possui acerca de tudo que ocorre na igreja ou em sua denominação, é que sempre as decisões são espirituais e guiadas pelo Espírito Santo, e que Jesus, o “Senhor da Igreja” sempre está no controle.

Sempre tive certeza que Jesus é o Senhor da Igreja, tenho minhas dúvidas se ele é senhor das denominações, ou se ele está entronizado nas assembléias e nos gabinetes que conduzem administrativamente as políticas eclesiásticas.

Não é pouco comum assembléias nas denominacionais, onde haverá eleições e prestações de contas, serem movidas por disputas políticas, denúncias, acusações, sórdidas transações, “irmãos em Cristo” se portando como se odiasse o outro, falta de respeito generalizada, gritarias, confusão, etc.

A escolha de lideres já deixou de lado há muito tempo, o princípio ensinado pelo próprio Cristo, que o maior é aquele que serve. A escolha de líderes geralmente são forjadas em tenebrosas transações, troca de favores eclesiásticos, interesses políticos mundanos, ou seja, no final da conta a escolha termina não sendo pelo mais espiritual, comprometido com o Reino de Deus, disposto a ser servo dos servos de Deus. Mas, por aquele que foi o mais ardiloso, que se comprometeu com o interesse pessoal de alguns em detrimento dos interesses e valores do Reino.

Mesmo com a requisição que a Igreja faz de ser a agência do Reino de Deus, a relação de poder no âmbito eclesiástico/denominacional termina sendo uma maquete de tudo aquilo que se condena na política em nosso país, onde os interesses pessoais sobrepujam a ética, se estabelece o nepotismo e o clientelismo, se forjam dossiês difamatórios, se realizam verdadeiras manobras para se proteger líderes flagrados em falhas morais, manipulações, e outras coisas do gênero.

A aproximação do poder temporal e espiritual sempre foi um problema para a Igreja, contudo, a Palavra de Deus requer da Igreja que ela seja influenciadora da sociedade (Sal da Terra e Luz do Mundo), sem, contudo, ser do mundo. Mas, cada vez mais a igreja está trazendo para si e se apropriando da lógica de um mundo decaído pelo pecado, que busca o poder pelo poder.

Foi-se o tempo em que os Cristãos se digladiavam com feras nas arenas Romanas servindo de espetáculo para uma sociedade violenta, motivados pelo simples amor que possuíam ao Evangelho. Hoje vemos verdadeiras arenas montadas em locais de reuniões administrativas eclesiásticas, onde irmãos em Cristo (Lideres), estão dispostos a matar* e a morrer não mais pelo amor ao Evangelho, mas, pelo amor ao Cargo e ao Poder.

Comumente as reuniões para resolver questões eclesiásticas (Assembléias, reuniões de presbitério, Seções administrativas, etc), sempre começam com o pedido clássico: “Jesus tome a frente, Espírito nos guie em todas as decisões”, contudo, fico a pensar: Será que Jesus escolheria os líderes que foram escolhidos?, Será que Ele concordaria com as decisões que foram tomadas? Algumas, tenho certeza que não. Enfim, Jesus é sempre convidado para as Assembléias eclesiásticas e denominacionais, contudo, infelizmente na maioria das vezes sem direito a voz e a voto.



Pr. Jonas Silva



*Lembremos dos Ensinamentos de Jesus sobre assassinato em Mateus cap 5:” 21 —Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: “Não mate. Quem matar será julgado.” 22 Mas eu lhes digo que qualquer um que ficar com raiva do seu irmão será julgado. Quem disser ao seu irmão: “Você não vale nada” será julgado pelo tribunal. E quem chamar o seu irmão de idiota estará em perigo de ir para o fogo do inferno.”


















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