JESUS BATENDO NAS PORTAS DAS IGREJAS BRASILEIRAS: QUAL A DEIXARIA ELE ENTRAR?



 
          Apocalipse 3:20 (Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo), é uma passagem bíblica que sempre é mal aplicada, pois, é muito comum vermos o seu emprego para a vida do pecador. No entanto, o destinatário daquelas palavras era a Igreja situada na cidade de Laudicéia.
          Ou seja, era uma instituição que proclamava o Reino de Deus, que declarava o Senhorio do Senhor Jesus, cantava hinos, pregava a Palavra, entretanto, Jesus estava fora dela.
          Fazendo uma reflexão em torno da passagem, e aplicando ao contexto brasileiro, fiquei imaginando em qual igreja Jesus poderia entrar.
          Imagine Jesus solicitando sua inclusão em alguns dos grupos denominacionais brasileiros. Qual seria a resposta que ele receberia? Com base nas características de cada uma desses grupos e na vida e ministério de Jesus, dá para inferir algumas respostas.
          Suponhamos que o primeiro grupo procurado por Jesus seja aquele composto por Igrejas tradicionais históricas. Creio que resposta Hipotética seria a seguinte:
Sr. Jesus
Ficamos gratos pelo o interesse do Sr. pelo nosso grupo, principalmente por sabermos o seu papel de fundador da Igreja. O nosso Diácono mais antigo ficou muito impressionado.
Contudo, depois de nos reunirmos, percebemos alguns entraves para a sua inclusão em nosso grupo.
Ficamos sabendo que V. Sa. andou se envolvendo com algumas práticas que não são bem vinda em nosso meio, a exemplo de expulsão de demônios,curas miraculosas, multiplicações de pães, e outros milagres.
Acreditamos que tais práticas inviabilizariam totalmente a sua participação em nosso grupo.
          Foi apontado ainda, por alguns líderes de uma de nossas principais vertentes, os Reformados, que V. Sa. não faz uso do catecismo de Westminster, nem fundamenta sua fé nos 5 (cinco) pontos fundamentais do Calvinismo, logo, não podemos ter certeza que o Sr. é um Calvinista convicto.
Por isso, em virtude tantas divergências, sugerimos que V. Sa., procure bater na porta de umas das igrejas neopentecostais, que atualmente vem crescendo muito em nosso país.

          Ante a impossibilidade de o Senhor Jesus entrar no primeiro grupo, vamos supor que agora ele resolva bater na porta de uma Igreja neopentecostal, dá para imaginar a seguinte resposta:
Sr. Jesus
O nosso Conselho de Apóstolos ficou muito impressionado com sua experiência na expulsão de demônios, curas, e demais sinais, achamos que o seu poder em multiplicar pães, seria de muita valia para agregarmos pessoas às nossas Igrejas.
Contudo, percebemos algumas características em seu ministério que com certeza será um entrave para a sua inclusão em nosso grupo.
É do nosso conhecimento que V. Sa. não busca desfrutar do melhor desta terra, inclusive vem declarando que não tem onde reclinar a cabeça, e a única vez que fez uso de um meio de transporte, foi um jumentinho emprestado.
Isto não condiz com as características de nossa liderança, pois os nosso lideres geralmente possui aviões, carros importados, apartamentos de luxo, e ter alguém como o Sr. em nosso meios afronta a mensagem pregada em nossas Igrejas.
No tocante a vossa aceitação em nosso grupo, tivemos um outro problema apontado, por um dos nossos Apóstolos, que é atribuído a V. Sra. Alguns títulos que não temos como superá-los, a exemplo de: Deus Forte, Pai da Eternidade, Maravilhoso, etc. Caso não houvesse abdicação dos mesmos teríamos um problema em nossa estrutura eclesiástica.
          Percebemos, também, uma falha de estratégia mercadológica em seu ministério, que inviabilizará o seu convívio em nosso meio. É do nosso conhecimento que certa fez, o Sr. expulsou vendedores do templo. E caso isto viesse a se repetir em nosso grupo, acabaríamos com o nosso Ministério, em virtude da expulsão de líderes. Sem falar, da inviabilização da realização congressos, simpósios, treinamentos, conferências, com a impossibilidade de se vender CD, DVDS e Livros.
          Ante tudo que foi exposto, o nosso conselho de Apóstolo resolver indeferir o seu pedido, sugerindo que V. Sa, procure uma igreja que melhor atenda os seus anseios, a exemplo de uma Igreja Pentecostal.
         
          Porta fechada nas Igrejas neopentecostais, imagine agora Jesus batendo na porta de um grupo Pentecostal, acho hipoteticamente que resposta apresentada ao Senhor da Glória, seria a seguinte:

          Sr. Jesus
          Glorificamos a Deus por seu interesse em nosso grupo, mas, após nos reunirmos percebemos que o seu comportamento não condiz com o nível de santidade esperado de um integrante de nosso ministério, bem como, suas posições teológicas não se coaduna com as nossas.
          Ficamos sabendo que o Sr, freqüenta festas mundanas, com pessoas de má fama, e o que é pior, em uma dessas festas transformou água em vinho, prova da malversação do poder de Deus que lhe foi conferido.
          Por outro lado, a sua posição teológica não condiz com a nossa, pois não há qualquer indício de V. Sa., ter sido batizado com o Espírito Santo, com a evidência de ter falado em línguas, fato este, que por si só inviabilizará qualquer anseio aos cargos ministeriais.
          Agradecidos por seu interesse, contudo, pelas razões apontadas, e por sabermos que não houve sucesso em sua entrada no meios dos tradionais e neopentecostais, sugerimos que procure uma Igreja fora de nosso Círculo, quem sabe V. Sa., não se enquadre melhor em meio às Testemunhas de Jeová, ou mesmo dos Mórmons.

          Embora as situações apontadas neste post sejam hipotéticas, e em tom de brincadeira, acredito que Jesus vem encontrando muitas portas fechadas em nosso meio, a exemplo de como foi com a Igreja de Laodiceia. Uma Igreja que procurou viver um Cristianismo sem Cristo.

Pr. Jonas Silva



ASSEMBLÉIAS DENOMINACIONAIS: JESUS UM “PARTICIPANTE” SEM DIREITO A VOZ E VOTO


 

Como Pastor é difícil fazer qualquer referência denominacional sem que alguém não queira atrelar a minha reflexão a alguma situação específica, contudo, não estou apontando para nenhum fato concreto, mas, sim de coisas do tipo abertura do filme Jornada nas Estrelas “Há muito tempo, numa galáxia muito distante”.

A idéia que a maior parte da membresia possui acerca de tudo que ocorre na igreja ou em sua denominação, é que sempre as decisões são espirituais e guiadas pelo Espírito Santo, e que Jesus, o “Senhor da Igreja” sempre está no controle.

Sempre tive certeza que Jesus é o Senhor da Igreja, tenho minhas dúvidas se ele é senhor das denominações, ou se ele está entronizado nas assembléias e nos gabinetes que conduzem administrativamente as políticas eclesiásticas.

Não é pouco comum assembléias nas denominacionais, onde haverá eleições e prestações de contas, serem movidas por disputas políticas, denúncias, acusações, sórdidas transações, “irmãos em Cristo” se portando como se odiasse o outro, falta de respeito generalizada, gritarias, confusão, etc.

A escolha de lideres já deixou de lado há muito tempo, o princípio ensinado pelo próprio Cristo, que o maior é aquele que serve. A escolha de líderes geralmente são forjadas em tenebrosas transações, troca de favores eclesiásticos, interesses políticos mundanos, ou seja, no final da conta a escolha termina não sendo pelo mais espiritual, comprometido com o Reino de Deus, disposto a ser servo dos servos de Deus. Mas, por aquele que foi o mais ardiloso, que se comprometeu com o interesse pessoal de alguns em detrimento dos interesses e valores do Reino.

Mesmo com a requisição que a Igreja faz de ser a agência do Reino de Deus, a relação de poder no âmbito eclesiástico/denominacional termina sendo uma maquete de tudo aquilo que se condena na política em nosso país, onde os interesses pessoais sobrepujam a ética, se estabelece o nepotismo e o clientelismo, se forjam dossiês difamatórios, se realizam verdadeiras manobras para se proteger líderes flagrados em falhas morais, manipulações, e outras coisas do gênero.

A aproximação do poder temporal e espiritual sempre foi um problema para a Igreja, contudo, a Palavra de Deus requer da Igreja que ela seja influenciadora da sociedade (Sal da Terra e Luz do Mundo), sem, contudo, ser do mundo. Mas, cada vez mais a igreja está trazendo para si e se apropriando da lógica de um mundo decaído pelo pecado, que busca o poder pelo poder.

Foi-se o tempo em que os Cristãos se digladiavam com feras nas arenas Romanas servindo de espetáculo para uma sociedade violenta, motivados pelo simples amor que possuíam ao Evangelho. Hoje vemos verdadeiras arenas montadas em locais de reuniões administrativas eclesiásticas, onde irmãos em Cristo (Lideres), estão dispostos a matar* e a morrer não mais pelo amor ao Evangelho, mas, pelo amor ao Cargo e ao Poder.

Comumente as reuniões para resolver questões eclesiásticas (Assembléias, reuniões de presbitério, Seções administrativas, etc), sempre começam com o pedido clássico: “Jesus tome a frente, Espírito nos guie em todas as decisões”, contudo, fico a pensar: Será que Jesus escolheria os líderes que foram escolhidos?, Será que Ele concordaria com as decisões que foram tomadas? Algumas, tenho certeza que não. Enfim, Jesus é sempre convidado para as Assembléias eclesiásticas e denominacionais, contudo, infelizmente na maioria das vezes sem direito a voz e a voto.



Pr. Jonas Silva



*Lembremos dos Ensinamentos de Jesus sobre assassinato em Mateus cap 5:” 21 —Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: “Não mate. Quem matar será julgado.” 22 Mas eu lhes digo que qualquer um que ficar com raiva do seu irmão será julgado. Quem disser ao seu irmão: “Você não vale nada” será julgado pelo tribunal. E quem chamar o seu irmão de idiota estará em perigo de ir para o fogo do inferno.”


















PREGADORES MIRINS, MULHERES BARBADAS, IRMÃS SIAMESAS E OUTRAS ATRAÇÕES NO PÚLPITO DOS HORRORES



O americano Terry, considerado o pastor mais jovem do mundo 

   Fui indagado por uma aluna do Seminário que leciono a respeito da minha opinião  concernente aos pregadores mirins, que vêm sendo atrações cada vez mais requisitadas em cultos festivos por este Brasil eclesiológico.
Confesso que até aquele momento nunca havia pensando sobre a questão, mas, diante da questão levantada, passei a refletir sobre o assunto e perceber alguns fatos que estão ligados diretamente ao tema.
Talvez alguns leitores já devem estar me queimando na fogueira da inquisição gospel, alegando: Deus também usa crianças!. Lançando mão de alguns textos bíblicos fora do contexto apropriado, para respaldar tal argumento, dentre os quais: Atos 2:17:E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos. Contudo, gostaria de lembrar que o aludido texto não dá nenhum respaldo para que crianças venham exercer o ministério autoritativo de exposição da Escrituras Sagradas.
A primeira questão que gostaria de trazer para a reflexão, é concernente a maturidade espiritual ou doutrinária que crianças possuem para ensinar e expor as Escrituras Sagradas. Sobre esse tema a própria Bíblia responde, senão vejamos:
1)O período da infância é uma fase para aprendizado: Deut 6 : 6 e 7  Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. E o tão citado Prov 22: 6 Ensina a criança no caminho em que deve andar e, ainda quando for velho, não se desviará dele;
2) A infância é caracterizado pela imaturidade, todas a vezes que se queria demonstrar a falta de maturidade na Bíblia se recorria a figura da criança: I Cor 3: 11Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo.  Mateus 11:16 Mas a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros:
 Ante os Textos Sagrados, surge a segunda questão: Será que realmente uma criança entende o que prega? Com certeza não o suficiente, pois a criança tem e deve ter uma linguagem própria, inclusive para as questões espirituais. Quando obrigamos uma criança a viver e se portar como adulto, queimando etapas de sua vida, isto certamente redundará em algum prejuízo para o seu desenvolvimento cognitivo e psicológico.
A falta de maturidade espiritual e teológica de um pregador mirim, fatalmente vai levar a criança a repetir mecanicamente, obviamente sem uma reflexão adequada, as mensagens que ouve dos adultos, com direto a imitação de clichês e dos trejeitos pentecostais.
No mundo gospel, os pregadores e cantores mirins são mais um dos produtos ofertados pelo mercado. Contudo, preocupo-me com a exploração de crianças, negando as mesmas o mais sagrado direito que é de ser pueril como qualquer outra.
Outra inquietação que me suscita a questão, é a respeito da maturidade de uma igreja exortada e ensinada por crianças. Será que entre os adultos, não há pregadores amadurecidos suficientes? Por outro lado, Os pregadores mirins parecem atrair a atenção muito mais pelo fato de serem exóticos, do que propriamente pela qualidade da mensagem pregada. Portanto, é uma pena que transformaram o púlpito, que, em princípio, deveria ser um local de exposição Bíblica, em um verdadeiro circo.
Logo, deixo a provocação, quem sabe não deveríamos convidar para os cultos festivos, mulheres barbadas, irmãs siamesas e outras atrações? Transformando assim, a exposição bíblica no espetáculo do púlpito dos horrores.

Pr. Jonas Silva

                               


QUANDO A TEOLOGIA SE TORNA UM ÍDOLO




O ambiente no Seminário Teológico é extremamente enriquecedor, debates, posições doutrinárias divergentes, a eterna celeuma entre: Arminianistas e calvinistas, amilenistas e pós milenistas, dispensacionalistas e aliancistas, quebram a monotonia de idéias e argumentos.

Mesmo adotando posições teológicas definidas e inegociáveis, creio que a diversidade doutrinária é a razão pela qual a igreja do Senhor Jesus, embora sendo uma, é plural na forma e na expressão da espiritualidade.

As posições doutrinárias divergentes, desde que não afetem o cerne da fé cristã, não nos tornam piores ou melhores que o outro, mas simplesmente diferentes, contudo, impõe a cada cristão a necessidade de escolher uma posição.

No presente artigo não pretendo defender nenhuma posição teológica especifica, entretanto, entendo como de primordial importância, trazer uma reflexão de como tal posição, afeta a expressão da espiritualidade de cada indivíduo frente ao outro.

É uníssono no ambiente seminarial o clichê: “O que nos une é muito maior do que o nos separa!”, contudo, tenho minhas dúvidas quanto a práxis desta verdade, pois é muito, pois a forma que encaramos tais verdades e as diferenças, e a importância que damos a cada uma delas, definem a maneira que tratamos o outro.
Entendo a Teologia e a Doutrina como ferramentas para o exercício da Espiritualidade e paradigmas que corroboram para a nossa cosmovisão. Contudo, percebo que alguns irmãos vivem a sua espiritualidade não para a glória de Deus, e sim, para o enaltecimento do sistema teológico abraçado.

Quando este fato ocorre, defendo que se estabelece uma relação de Idolatria com o sistema teológico, já que um ídolo é qualquer ente que ocupe o lugar de senhorio de Deus em uma determinada vida, ditando regras contrárias a Lei do Senhor.

Um sistema teológico embora perfeitamente razoável em sua interpretação da mensagem do Evangelho pode ser extremamente destrutivo, no sentido que muitos Cristãos, em nome de tal sistema, adotam posturas contrárias aos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo, ou seja: a intolerância, a falta de amor, desrespeito, ao sectarismo e a discriminação. Neste caso a Teologia passou a ser mais importante que o próprio Deus.

O Apóstolo Paulo por todo o capítulo 14 de sua Carta aos Romanos nos dá uma lição acerca da tolerância e respeito que devemos ter com o outro, frente à diversidade de visões acerca de algumas questões periféricas da Fé Cristã.

Gostaria de lembrar que a Igreja do Senhor Jesus Cristo não é fundamentada em nenhuma interpretação particular das Escrituras, ou mesmo qualquer apóstolo ou teólogo, já que a verdade fundamental da Igreja é o fato que o Jesus encarnado e revelado nas Escrituras, ser o Senhor e Cristo.

Então que a vontade de Jesus que conduz a Paz, ao amor, ao respeito, e a tolerância, seja o que norteia o exercício de nossa espiritualidade, redundando no respeito ao outro, não porque ele pensa igual a mim, mas, sim por servir ao mesmo Senhor da Igreja.

Pr. Jonas Silva

                        

 
Caminhando em Santidade © 2010 | Design adaptado por Kênia Siqueira | Todos os direitos reservados.