NÃO DERRUBEM MINHA ÁRVORE DE NATAL


Mas uma vez venho pedir desculpas pela ausência de “post” no Blog, o projeto do mestrado vem tomando meu tempo, não que não haja mais assuntos, mas já o tempo...

NÃO DERRUBEM MINHA ÁRVORE DE NATAL

            Nestes últimos dias fui procurado por um irmão, o qual me indagou acerca da possibilidade de ter ou não uma árvore de natal em sua casa, bem como, se deveria comemorar ou não o natal.
            As suas inquietações foram frutos de colocações que lhe chegaram, do tipo: Jesus não nasceu no dia de natal (25/12), o natal, e seus símbolos são adaptações cristãs de festas e elementos pagãos.
            Já estou careca de saber a respeito das indagações apresentadas, até mesmo, diferentemente de Jesus, eu fico mais velho a cada 25 de dezembro, contudo, questiono se os mesmos são impeditivos para a não celebração das festas natalinas.
            Deixando a proposta comercial de lado, que talvez seja hoje a grande motivação da festa, que redundou no Papai Noel e outros apelos mercadológicos, compreendo que o natal, é sim um momento que remete à pessoa de Jesus.
            E exatamente nesta remissão que enxergo a positividade da festa para a cristandade e para as pessoas em geral, e percebo a excesso de misticismo e espiritualidade destituída de reflexão, que redunda em posturas escravocratas  de mentes e corações, que nada mais são que um legalismo barato, do tipo implementados pelos Fariseus.
            Por isso, gostaria de discutir algumas das questões levantadas a respeito da festa:

·         JESUS NÃO NASCEU NO DIA 25 DE DEZEMBRO

Entendo que a data é só um detalhe da festa, pois, muito mais importante que o dia em que Ele nasceu é a forma e o propósito para qual nasceu, independente da data, estas questões são as mais relevantes para compreensão de sua mensagem e pessoa. Logo, o Natal mesmo não sendo na data exata, serve muito bem para este propósito.
As igrejas ortodoxas (Grega, Copta etc), por exemplo, celebram o natal no dia 07 de janeiro. Será que o valor do nascimento de Cristo e carga de sentido que mesmo traz para a humanidade, é depreciado por conta da alteração da data?  Com certeza não.

·         O DIA 25 DE DEZEMBRO FOI ESCOLHIDO POR COICIDIR COM UMA FESTA PAGÃ

O dia 25 de dezembro foi escolhido porque coincidia com os festivais pagãos que celebravam a saturnália e o solstício de inverno, em adoração ao deus-sol, o sol invictus, logo seria consagrado ao mesmo.
Não discuto a veracidade do fato, contudo, questiono a postura de muitos cristãos ante o mesmo, fazendo os seguintes questionamentos:
Quem disse que a data era do deus sol, não foi o homem?
Se o homem tem a capacidade de consagrar um dia a uma entidade pagã, ele não teria a mesma capacidade de consagrá-lo ao Senhor Jesus?
Todos os dias não são do Senhor?

O paganismo a meu ver não está no natal celebrado no dia 25 de dezembro, e sim na forma que encaramos a questão, pois a cosmovisão pagã, conduz o homem ao medo que brota dos fetiches, símbolos e consagrações. Contudo, a cosmovisão cristã nos leva a compreender que Deus está no controle e senhorio de todas as coisas. Que o Diabo não é uma versão má do Senhor e Criador. Ele simplesmente é como as demais coisas e seres, uma criatura, que fez a opção pela perversão. A meu ver, isto vale para os demais símbolos que tentam paganizar no natal.

            Gostaria de terminar a debate lembrando algumas questões e caminhos apontados pelo Apóstolo Paulo:
Romanos 14:
1 Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.... 5 Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. 6 Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz

            Por isso querido leitor, não se deixe conduzir por ideais e visões que brotam de uma cosmovisão paganizada, celebre sim o natal, mesmo sabendo que 25 de dezembro não foi a data do nascimento de Cristo, contudo, o importante é que Ele nasceu, e você que pensa diferente, respeito a sua opinião, mas, por favor não venha em uma atitude iconoclasta derrubar a minha árvore de natal.


Pr. Jonas Silva

O CRISTIANISMO E A CULTURA


Antes de qualquer coisa gostaria de pedir desculpas aos leitores do blog pela ausência de “posts”, embora reconheça que não foi por falta de demandas e assuntos, a minha vida anda uma loucura, final de semestre nos seminários, projeto do mestrado em pleno funcionamento, a igreja, atividades no quartel, só em relatar já me deu vontade de desistir de escrever, mas, como defendo: Pensar é preciso e escrever é possível, vamos lá!!!

O CRISTIANISMO E A CULTURA

O assunto que pretendo abordar neste post surgiu de demanda de uma das irmãs de nossa igreja, ele relatava a preocupação com uma colocação firmada por um professor da faculdade de seu filho, que após uma visita ao continente Africano, afirmará que reprovava o trabalho dos missionários cristãos, tendo em vista as modificações culturais implementadas pelo cristianismo.
Eu sei que o assunto é complexo para tentar esgotá-lo em um simples “post”, contudo, mesmo correndo o risco de ser superficial gostaria de pensar e falar sobre a questão.
Em linhas gerais, podemos definir cultura como: conjunto de conhecimento adquirido;  que redundam em um conjunto das estruturas sociais, religiosas, etc., das manifestações intelectuais, artísticas etc., que caracteriza uma sociedade.
Uma Cultura é formada e solidificada a partir de um processo histórico, mediante a ação do homem, que depois de sedimentada passa a influenciar a cosmovisão das gerações futuras, que redundará na definição de como as pessoas irão interagir com o meio, seja no âmbito social, estético, político e até mesmo transcendental.
Do Cristianismo como forma de ver o mundo a partir da revelação bíblica, vai sim, emergir uma proposta cultural, já que na própria relação entre o criado e o homem e o homem e seu meio, revelada nas Escrituras Sagradas (Gen 1:26-28), vai requerer deste homem que domine a terra (seu ambiente) para louvor da glória de Deus, é o que chamamos tecnicamente de mandato cultural.
Após a queda o homem continuou sim, estabelecendo padrões culturais, contudo, destituídos dos padrões do seu criador, firmando uma cultura a partir do homem caído, agregando assim valores e expressões firmadas no pecado, conforme assevera o Apostolo Paulo em Romanos 1:18-32.
Ante as questões já citada, torna-se grande desafio para o cristianismo: Entrar em contato com uma cultura separar dela aquilo que o homem agregou, e que é contrário aos padrões revelacionais bíblicos, sem, contudo, querer ocidentalizá-la como fizeram os padres e primeiros missionários europeus e americanos em tempo passados.
Não há como cristianizar uma cultura sem afetá-la, já que o cristianismo impõe a transformação do homem em sua cosmovisão, que redundará  necessariamente no abandono de práticas lastreadas em uma cultura de pecado. Sem necessariamente modificar todas as expressões culturais (como música e demais expressões artísticas, culinária, vestimentas etc).
Muitos destas pessoas que levantam a bandeira de que todas as culturas devem ser preservadas, visão típica da pós modernidade, devem assumir a sua hipocrisia ao tentarem dar respostas a questões como o infanticídio de deficientes em certas tribos indígenas, a antropofagia (canibalismo), e questões éticas que confrontam os sólidos valores cristãos, reconhecidos como universais, que lastreiam a sociedade ocidental.
O que ele, o professor citado no início do “post”, vendo ele ou um ente querido, sendo prestes a ser morto e comido por outros homens, em uma cultura onde tal ato é perfeitamente definido como aceitável. Será que naquele momento, ele não iria querer e defender veementemente uma intervenção transformadora na cultura? Mesmo que cristã.
Os Homens não devem ser tratados como animais em extinção, ou bichos exóticos, pois eles sempre serão agentes de sua história, e capazes a partir da racionalidade que Deus os deu, de fazer escolhas, que formatem o seu ambiente cultural de maneira a viverem condignamente com o seu Criador.

Pr. Jonas Silva

NÃO ME ODEIE PORQUE SOU ARMINIANO

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Meus amigos reformados, ou que se declaram reformados, algumas vezes me tratam como inimigo, mas na verdade precisamos uns dos outros.

Durante os grandes avivamentos do século dezoito, John Wesley e George Whitefield pararam de cooperar um com o outro devido às suas diferentes crenças acerca da predestinação. E embora eles finalmente se reconciliaram, sua divergência persiste em debates ocasionais de evangélicos americanos sobre a soberania de Deus e as doutrinas da eleição e do livre-arbítrio.

Apesar desta história, a aliança evangélica pós-segunda guerra mundial mantém juntos crentes calvinistas e arminianos dentro de um grande movimento. Pelo menos há tanto igrejas membros da Associação Nacional de Evangélicos arminianas em sua orientação teológica quanto reformadas.

Mas agora, sinais de grande tensão dentro da aliança estão aparecendo, incluindo uma nova estridência e agressividade da parte de teólogos em alguns círculos reformados mais conservadores. Como um inveterado arminiano assim como evangélico, e como alguém que se preocupa profundamente com a unidade da comunidade evangélica, acho que isto é muito lastimoso.

Alguns destes teólogos acham que o evangelicalismo enfrenta uma crise que se concentra na questão da predestinação. “Cristãos que negam a eleição incondicional e a graça irresistível podem ser genuinamente evangélicos?” eles perguntam. Michael Horton, professor no Seminário Teológico de Westminster, na Califórnia, afirma na revista Modern Reformation que “arminiano evangélico” não é uma opção mas um oxímoro. “Um evangélico,” ele diz, “não pode ser arminiano mais do que um evangélico pode ser um católico romano.” Até mesmo o grande reavivalista arminiano John Wesley é suspeito de uma fé evangélica defeituosa por Horton e alguns de seus colegas em duas organizações, a Christians United for Reformation (CURE) e a Alliance of Confessing Evangelicals (ACE). Estes e outros movimentos evangélicos contemporâneos buscam restabelecer e entronizar o monergismo – a crença na atividade única e soberana de Deus na salvação – como crucial ao evangelicalismo autêntico.

Em anos recentes, uma enchente de livros e artigos editados e escritos por líderes acadêmicos evangélicos reformados (como R. C. Sproul do Ligonier Ministries) têm levantado questões sobre a validade das credenciais evangélicas de todos e cada um dos protestantes arminianos que negam a eleição incondicional e afirmam a graça resistível. A ACE escreveu a “Declaração de Cambridge,” que criticou, entre outras supostas aberrações entre os evangélicos, a crença de que os seres humanos podem cooperar com a graça regeneradora de Deus.

Espero por outro período de tranquilidade entre nós que cremos na capacidade da alma de cooperar com a graça regeneradora (arminianos) e aqueles que crêem que a graça regeneradora deve preceder até mesmo o arrependimento e a fé (calvinistas).


Teologia Tulip – fabricada na Holanda

A teologia arminiana não começou na Armênia. Na verdade, ela não tem nada a ver especificamente com aquela parte da Ásia. O Arminianismo é uma designação derivada do nome de um teólogo holandês que morreu em 1609 no auge de uma controvérsia envolvendo a doutrina da predestinação. Jacob Arminius rejeitou algumas das doutrinas do Calvinismo enquanto aceitava outras. Ele estudou sob o sucessor de Calvino em Genebra, Theodore Beza, mas veio a repudiar algumas das crenças de Beza, tais como a eleição incondicional e a graça irresistível, em favor da eleição condicional, o livre-arbítrio e a graça preveniente, resistível.

A contraparte fielmente reformada em teologia na Universidade de Leiden era Franciscus Gomarus – outro aluno de Beza – que insistia que as doutrinas que Arminius rejeitou eram partes integrantes da ortodoxia teológica reformada.

Os seguidores de Arminius na Holanda ficaram conhecidos após sua morte como remonstrantes, e alguns deles formularam um documento conhecido como a Remonstrância, no qual eles detalharam sua rejeição da teologia calvinista de Gomarus. O resumo da fé reformada de Gomarus tinha cinco pontos (a famosa fórmula “TULIP”): depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível e a perseverança.

Arminius mesmo nunca negou o primeiro e o último dos cinco pontos, e seus seguidores os debateram entre si por séculos. Resumidamente afirmados, os “cinco pontos” rejeitados pelos remonstrantes significam (em ordem) que os humanos são todos (com a exceção de Jesus Cristo) nascidos completamente mortos espiritualmente e incapazes de fazer qualquer coisa agradável a Deus por causa da herança da natureza caída de Adão; Deus predestinou certas pessoas para receber perdão e vida eterna, e a seleção de Deus de forma alguma foi condicionada pelas vidas ou decisões dos eleitos; Cristo morreu na cruz para proporcionar sacrifício expiador para os pecados somente dos eleitos; Deus comunica a graça regeneradora aos eleitos de tal forma que eles não podem ou querem resistir; e os eleitos de Deus irão perseverar em estado de graça até a salvação final.

Os principais ministros reformados e líderes políticos das Províncias Unidas dos Países Baixos – das quais a Holanda era o estado mais proeminente – se encontraram no Sínodo de Dort de novembro de 1618 a janeiro de 1619 e condenaram os remonstrantes como heréticos. Dort afirmou os assim chamados cinco pontos do Calvinismo como ortodoxos e forçaram os seguidores de Arminius ou a retratar suas crenças no livre-arbítrio, eleição condicional, graça irresistível e expiação ilimitada ou a serem banidos da Igreja Reformada e dos Países Baixos. Alguns líderes arminianos, tais como o estadista holandês Hugo Grotius, foram presos. Um foi decapitado. Nesses dias não era tão fácil separar teologia e política como fazemos hoje em dia.

Como resultado do Sínodo de Dort, os arminianos se espalharam para outros países e encontraram refúgio em outros ramos do Cristianismo protestante. Os menonitas e outros anabatistas já criam quase a mesma coisa sobre a eleição divina e a salvação como muitos dos arminianos: A eleição se refere ao pré-conhecimento de Deus daqueles que livremente responderiam ao evangelho conforme fossem capacitados pela graça preveniente. A teologia arminiana encontrou aceitação dentro da Igreja da Inglaterra, embora muitos nessa igreja resolutamente se opuseram a ela em favor da teologia reformada.

Gradualmente os arminianos se dividiram em dois grupos, que Alan P. F. Sell – um intérprete moderno da história da controvérsia reformada-arminiana – classifica como “Arminianismo da cabeça” e “Arminianismo do coração.” Os primeiros se inclinaram ao Deísmo e à teologia liberal. Muitos finalmente se tornaram unitários. Os últimos foram fortemente influenciados pelo pietismo alemão e enfatizavam a conversão pessoal e a santificação.

John Wesley foi o principal “arminiano do coração” no século dezoito, e seu movimento metodista foi profundamente caracterizado pela teologia arminiana do “livre-arbítrio”. Àqueles evangélicos de seu dia, que o acusavam de ter tendências humanísticas e católicas por causa de sua rejeição da eleição incondicional e da crença no livre-arbítrio, Wesley afirmou a absoluta necessidade da graça preveniente (capacitante mas resistível) de Deus para superar a ferida mortal do pecado e ter livre-arbítrio suficiente para aceitar ou rejeitar a graça salvadora responsavelmente.

Os primeiros batistas foram divididos por esta controvérsia reformada-arminiana. Os pregadores e as congregações batistas que adotaram as doutrinas calvinistas da eleição incondicional, expiação limitada e a graça irresistível vieram a ser conhecidos como “batistas particulares,” enquanto os que seguiram os ensinos arminianos foram chamados de “batistas gerais.”

Reavivalistas e seus conversos durante os Grandes Avivamentos dos anos 40 do século dezoito e início do século dezenove na América freqüentemente se dividiram em tais linhas teológicas. Jonathan Edwards da Nova Inglaterra foi um gênio na defesa de uma forte visão reformada da soberania de Deus e da depravação do homem. Charles Finney, um século mais tarde, promoveu uma versão extremada do Arminianismo. Todo o Movimento de Restauração que deu origem às Igrejas de Cristo e Igrejas Cristãs Independentes era arminiano, como foi o movimento Holiness e seus descendentes, o movimento pentecostal. Ambos, Dwight L. Moody e Charles Spurgeon, por outro lado, eram calvinistas.

Todos na família

Eu fui criado espiritualmente no âmago do Cristianismo evangélico arminiano. Algumas das minhas mais vívidas lembranças da infância são de transpirar nas noites de verão debaixo do tabernáculo lateralmente aberto dos Acampamentos Nazarenos de Iowa em West Des Moines. “Santidade ao Senhor!” declarava a faixa sobre o palanque; centenas – talvez milhares – de adoradores Holiness e pentecostais, todos à minha volta, gritavam e cantavam e louvavam o Senhor até tarde da noite. Nossa própria pequena denominação pentecostal, como o maior movimento Holiness-pentecostal, era inteiramente arminiana em sua orientação teológica. A vontade universal de Deus pela salvação de todos e a liberdade de todos para crer e receber a mensagem do evangelho era fundamental à nossa visão de Cristianismo evangélico. Não havia nenhuma possibilidade da teologia liberal invadir nossa teologia. Nenhum grupo de cristãos na história jamais creu mais apaixonadamente na Bíblia como a Palavra escrita sobrenaturalmente inspirada e infalível de Deus. A santidade e a majestade de Deus eram também centrais à nossa pregação e ensino, apesar de que a soberania de Deus era interpretada como geral antes que meticulosa. Para nós, Satanás era um demônio real – um cachorro louco numa corrente longa – e de forma alguma o “Satanás de Deus”. E todavia, críamos e ensinávamos que Deus finalmente venceria a guerra espiritual cósmica e que Satanás poderia somente descarregar tanta destruição conforme Deus o permitia assim fazer.

As reuniões de família eram eventos fascinantes. Minha família mais ampla incluía, de ambos os lados, cristãos de várias pontos de vistas, e muitos deles eram ardentes e francos acerca de suas crenças. Do lado do meu pai, a maioria dos parentes eram ou Holiness ou pentecostais, e as reuniões de família geralmente se dividiam em discussões acaloradas sobre a santificação plena e o falar em línguas. A família de minha madrasta incluía pentecostais e cristãos reformados. Embora eles nunca discutiram abertamente sobre questões teológicas, me lembro bem que ambos os lados da família olhavam com uma certa desconfiança para a teologia do outro. Meus parentes da Igreja Reformada Cristã do norte de Iowa não estavam tão seguros sobre o emocionalismo e a ênfase no livre-arbítrio entre aqueles de nós que sustentávamos e praticávamos o Pentecostalismo. Meus pais, tias e tios pentecostais – muitos deles pastores e missionários – claramente se admiravam de como calvinistas ferrenhos podiam ser cristãos evangélicos. E todavia todos amavam e aceitavam um ao outro apesar de suas diferenças teológicas.

No colégio da Bíblia, fui doutrinado contra a teologia reformada. A maioria de meus professores pentecostais e muitos dos oradores convidados nas capelas e assembléias ferventemente se opunham não apenas à eleição incondicional e à graça irresistível (a expiação limitada não valia nem a pena debater!) mas também à segurança eterna. Quando o evangelista pentecostal Jimmy Swaggart publicamente declarou que o Calvinismo é uma “heresia,” ele estava apenas tornando público o que muitos Holiness-pentecostais pensavam e ensinavam mais discretamente por anos.

Mas algo continuava incomodando minha mente, me fazendo duvidar da imagem extremamente negativa da teologia reformada que me passavam no colégio da Bíblia. Alguns de nossos livros escolares eram escritos por estudiosos calvinistas evangélicos. Um de nossos livros escolares era uma coleção de sermões de Charles Spurgeon. Enquanto no colégio da Bíblia, comecei a ler a revista Eternity e me apaixonei pelo grande professor presbiteriano evangélico Donald Grey Barnhouse – um pacífico calvinista cujos escritos também exigiam que lêssemos. A Eternity abriu para mim o evangelicalismo tolerante que incluía tanto arminianos quanto calvinistas. E então havia meus parentes reformados cristãos, cujas vidas e testemunhos eram tão apaixonadamente evangélicos quanto qualquer pregador zeloso completo.

Um ponto crítico em minha peregrinação espiritual e teológica aconteceu em um funeral. O pastor reformado cristão da tia Margaret, em Kanawha, Iowa, pregava um dos sermões mais evangélicos que eu já tinha ouvido. Ele desafiou todos os presentes a dar suas vidas a Jesus Cristo assim como Margaret tinha feito. A discrepância entre fé e prática finalmente irrompeu-se numa rebelião completa contra a polêmica anti-calvinista que eu tinha ouvido de líderes e professores pentecostais. Enquanto eu não podia concordar com todos os cinco pontos da TULIP calvinista – especialmente a eleição incondicional, a expiação limitada e a graça irresistível – eu sabia que a “barraca” do Cristianismo evangélico autêntico era maior e mais ampla do que eu tinha sido levado a acreditar. Essa convicção se fortaleceu enquanto bebia intensamente das fontes de teologia reformada evangélica por todos os meus estudos no seminário e na universidade.

Enquanto conservava minhas crenças arminianas, minha mente evangélica se expandiu e se aprofundou enquanto lia teólogos reformados como G. C. Berkouwer, Bernard Ramm, Donald Bloesch, J. I. Packer e Francis Schaeffer. Eles me mostraram novas dimensões das doutrinas de Deus e da salvação que estava faltando ou tinha sido obscurecida no Arminianismo de minha juventude e início de minha educação teológica: a diversidade misteriosa, santa de Deus; a soberania grandiosa de Deus sobre a natureza e a história; a completa impotência da humanidade para realizar qualquer bondade ou até mesmo decidir aceitar os benefícios do sofrimento e morte de Cristo à parte da graça.

Tenho aprendido desde então que estes temas não estão faltando na teologia arminiana clássica, mas eu tive que aprendê-los de evangélicos reformados. Eu sai de meus estudos teológicos convencido de que minha teologia arminiana, embora fundamentalmente correta, carecia de profundidade e que ela poderia ser enriquecida pela herança do Cristianismo reformado. Também sai convencido de que a teologia reformada – particularmente em suas formas mais consistentes – carecia da observação maravilhosa do amor universal de Deus por suas criaturas humanas tão evidentes na melhor de minha própria tradição arminiana. Eu estava convencido de que a comunidade evangélica precisa tanto de George Whitefield quanto de John Wesley, e que seus herdeiros precisam um do outro para atingir a beleza do equilíbrio.

Por algum tempo no começo de minha carreira como teólogo evangélico, eu tentei viver como um pacífico arminiano trabalhando tranqüila e discretamente no mundo amplamente reformado da teologia evangélica prevalecente. Encontrei muitos companheiros arminianos ao longo do caminho que muitas vezes preferiam chamar-se a si mesmos de “moderadamente reformados” ou “calminianos,” e gradualmente foi ficando claro que para muitos – talvez a maioria – teólogos evangélicos fora dos círculos estritamente wesleyanos ou pentecostais, arminiano é uma palavra secreta para semipelagiano (a heresia da crença na iniciativa humana na salvação) se não “humanismo disfarçado.”

Um dia um amigo dirigiu-se a mim em particular e me perguntou com grande preocupação se meu Arminianismo poderia ser evidência de um humanismo disfarçado em meu pensamento. Era para mim a primeira salva de artilharia em uma nova batalha pela mente evangélica no qual eu me encontraria preso no meio. Tenho visto uma declaração de princípios de ortodoxia evangélica por auto-proclamados “evangélicos confessos” – um de meus professores do seminário entre eles – que coloca limites que me excluiria junto com outros arminianos da comunidade evangélica. (Estes incidentes me fazem lembrar, quando jovem, da minha própria tradição Holiness-Pentecostalismo que tendia a fazer o mesmo com a teologia calvinista.) Uma nova ocorrência de conflito e exclusão sobre esta questão não pode servir qualquer propósito útil senão para dividir, excluir e enfraquecer a frágil unidade evangélica tão cuidadosamente construída e preservada durante as últimas cinco décadas.

Estou firmemente convencido de que os evangélicos arminianos e reformados precisam uns dos outros ainda que não tenho esperança de um meio termo híbrido ou consistente emergindo deles. Se isso fosse possível, teria acontecido há muito tempo atrás. Mentes brilhantes e biblicamente comprometidas têm trabalhado nestas questões de interpretações por centenas de anos sem chegar a tal combinação consistente. Não vejo problema se alguns evangélicos querem afirmar algo chamado “Calminianismo” – o que eu somente posso reconhecer como uma mistura evangélica paradoxal e portanto sem firmeza. E eu percebo que muitos cristãos evangélicos não se identificam especificamente nem com o Arminianismo nem com o Calvinismo.

Mas alguém ou crê que a graça é resistível ou crê que ela não é. Não pode ser ambos da mesma maneira ao mesmo tempo. Alguém ou crê que a eleição – um conceito completamente bíblico – é incondicional ou não. Não pode ser ambos da mesma maneira ao mesmo tempo. Alguém ou crê que a providência divina sobre a natureza e a história é meticulosa e absoluta ou não. Em algumas destas questões teológicas cruciais, sobre as quais a Bíblia fala freqüentemente, alguém deve escolher um caminho ou o outro, e infelizmente, ou a Escritura não é inteiramente clara ou nossas mentes estão tão obscurecidas pela finitude e pela queda para chegar a uma resposta definitiva que possa ser imposta como a única possível interpretação para todos os que crêem na Bíblia.

Não temos escolha

Alguns de nós não podem deixar de ser arminianos porque quando lemos a Bíblia vemos como seu tema predominante o amor universal de Deus e seu desejo pela salvação de todos e pela inclusão de todas as pessoas em seu reino. Não o “humanismo disfarçado,” mas passagens como 1Tm 2.4; 2Pe 3.9, e Ez 33.11 (para não mencionar Jo 3.16, 17!) nos convence de que Deus não exclui ninguém de seu amor e comunhão eterna por alguma preordenação secreta e controle misterioso. Não a filosofia moderna, mas passagens como Lc 6.47 e 9.24, Act 7.51 e Ap 22.7 nos convence de que aos humanos são dados o tremendo dom da liberdade para aceitar ou resistir a graça salvadora de Deus e o dom do Espírito Santo. Nada disso, entretanto, significa limitação da soberania de Deus ou um ganho meritório da salvação pelo esforço humano.

Nós arminianos clássicos – nem todo arminiano é um arminiano clássico – cremos que Deus poderia controlar tudo mas escolhe estar no comando ao invés de controlar tudo a todo instante. A auto-limitação de Deus não impugna a majestade e a soberania de Deus.

Também acreditamos com Jacob Arminius e John Wesley que a graça preveniente é a única base para a livre aceitação da graça salvadora de Deus. Sem ser anteriormente despertado, chamado e capacitado, todos os humanos são pecadores demais para escolher livremente aceitar a oferta de Deus da graça salvadora. Em nossa opinião, que a salvação é aceita livremente não invalida sua natureza como uma completa dádiva. Por compreender e fielmente comunicar o tema revelacional do amor e da graça universal de Deus, os arminianos devem ser elogiados e estimados.

Alguns evangélicos não podem deixar de ser reformados e calvinistas porque, quando lêem a Bíblia, eles vêem seu tema predominante como a majestade transcendente, o poder e o controle soberano de Deus. O exemplo clássico de Romanos 9-11 é prova suficiente para eles que a providência é absoluta e meticulosa e que a eleição é incondicional e a graça é sempre irresistível. Eles acham os mesmos temas e doutrinas ecoando por toda a Escritura, incluindo Isaías 6, Am 3.6 e 4.13, João 17 e Efésios 1.

Além disso, se a salvação é verdadeiramente um dom gratuito como Paulo ensina em Ef 2.8-10, de forma que ninguém que é salvo pode possivelmente se gabar, então, os calvinistas afirmam, ela deve ser dada à parte de qualquer atividade ou cooperação do lado do pecador para recebê-la. De outra forma, a pessoa redimida poderia gabar-se. O padrão do testemunho bíblico para Deus e seu plano providencial como percebido pelos cristãos reformados os força a reconhecer e confessar a preordenação incondicional de todas as coisas sem limitação ou exceção. Por compreender e fielmente comunicar o tema revelacional da grandeza de Deus e da dependência humana, os calvinistas devem ser elogiados e estimados.

Ainda que estes dois grupos da comunidade evangélica não podem concordar – e parece improvável que qualquer um deles alguma vez persuadirá todos os outros a “converter” para o seu ponto de vista – eles podem e devem aceitar um ao outro como irmãos e irmãs em Cristo e reconhecer seus laços evangélicos comuns. Esta tem sido uma das forças da aliança evangélica do mundo pós-segunda guerra mundial. Para o bem maior do reino de Deus, cristãos biblicamente comprometidos, centralizados em Cristo, têm trabalhado juntos num espírito de respeito e aceitação mútuos para a propagação do evangelho e para o alívio do sofrimento humano apesar das diferenças de interpretação das doutrinas da eleição e providência. Seus inimigos comuns da acomodação ao secularismo e da flagrante heresia dentro das denominações reconhecidas têm fortalecido seu foco em sua crença comum na autoridade da Escritura, divindade de Cristo, salvação pela graça apenas, por meio da fé apenas, e outras grandes verdades da Bíblia e da fé cristã histórica. O espírito semelhante a Cristo do amor e da aceitação pacífica das diferenças de opinião sobre questões secundárias têm grandemente acentuado a influência desta aliança evangélica na sociedade.

Cada vez mais acusações imoderadas de quase heresia dentro da aliança evangélica sobre questões que concordamos em discordar pacificamente pode simplesmente minar e enfraquecer seu testemunho. Ao invés de dizer, “Vejam como eles amam uns aos outros!”, os não-evangélicos dirão, “Vejam como eles brigam e disputam entre si!” Quem pode culpá-los?

A verdade importa, mas nem toda verdade importa igualmente. Algumas coisas nunca saberemos com certeza até que as lentes escurecidas sejam removidas e todos veremos “face a face.” Nesse meio tempo, precisamos aprender como respeitar e apreciar um ao outro em humildade enquanto defendendo nossas próprias interpretações preferidas dos questões bíblicas debatíveis sobre a soberania divina, a eleição, o livre-arbítrio e a resistibilidade da graça.

Para esse fim eu desafio meus companheiros arminianos evangélicos a fazer como tenho feito: Bebam intensamente das fontes do pensamento evangélico reformado e elogiem os cristãos calvinistas por sua compreensão da glória de Deus e da completa graciosidade da salvação. Admirem e busquem imitar seu amor pelo pensamento cristão integrante e sua paixão por transformar a cultura. Evitem estereótipos e caricaturas do Calvinismo, pois eles não fazem juz à sua riqueza e profundidade. Todos os evangélicos devem à herança de Calvino, John Knox, Edwards, Whitefield, Spurgeon e Schaeffer.

A meus colegas evangélicos calvinistas, eu convido a dar a nós arminianos o benefício da dúvida: Ainda que vocês não possam ver como podemos entender Deus como “no comando” mas não “no controle” (soberano mas não todo-determinativo), entendam e aceitem que adoramos a Deus como majestoso, todo-poderoso e misterioso em beleza e poder. Percebam, ainda que não possam inteiramente entender, que nós arminianos afirmamos a salvação como uma dádiva completa da graça imerecida, ainda que ela deve ser aceita livremente. Leiam Arminius, Wesley, Miley, Dale Moody, Grider, Dunning e Oden. Todos afirmam sobre bases bíblicas que a eleição é condicional e a graça resistível, e todavia que a justificação é pela graça apenas por meio da fé apenas, livre, completa e imerecida.

Desde esse dia, no funeral da tia Margaret, tenho me associado com vários evangélicos reformados e aprendido a apreciar tanto eles como sua teologia ainda que permaneço convencido de minha própria perspectiva tanto biblicamente quanto logicamente. Tudo que eu peço é que eles retribuam a gentileza e aceitam aqueles de nós que somos seus irmãos e irmãs evangélicos na fé apesar de sua própria convicção da superioridade de sua teologia.

Certamente podemos aprender a trabalhar e testemunhar e adorar juntos novamente como fizemos no passado. Até John Wesley e seu companheiro calvinista George Whitefield refizeram sua amizade antes que morreram. Wesley pregou no funeral de Whitefield. Foi tudo para a glória de Deus e seu reino eterno que ele fez.

Reconheço a piedade de muitos calvinistas e reformados, e, como ódio não é coisa de cristão, por isso, entendo que bem que poderia mudar o título do post para: ME AME MESMO SENDO UM ARMINIANO.

Fonte: Roger E. Olson (Christianity Today, 6 de setembro de 1999)
Tradução: Paulo Cesar Antunes

Roger E. Olson, editor conselheiro da Christianity Today, é autor de A História da Teologia Cristã (Editora Vida, 2000). 
fonte: http://elielgaby.blogspot.com.br/2011/09/nao-me-odeie-porque-sou-arminiano.html
Adaptado por Pr. Jonas Silva

O EVANGELHO É DA GRAÇA, MAS, NÃO NECESSARIAMENTE ENGRAÇADO.



Ao observar a igreja evangélica brasileira contemporânea percebemos uma avalanche de novidades, tais como, batismo em toboágua, novas forma litúrgicas, músicas que agregam as danças sensuais da Bahia, novas revelações, traduções de Bíblia que são verdadeiros crimes contra a nossa língua.
Reconheço que a igreja não é um organismo estático, e “démodé” , pois ela sempre estará em um contexto temporal que requererá dela, muitas vezes, uma nova linguagem, novas bandeiras, e até mesmo prover respostas para novas demandas e dilemas do homem do seu tempo.
Reconhecemos que a Igreja do nosso tempo não estar interagindo com o homem da época da Reforma Protestante, e muito menos com os da época dos pais da Igreja, contudo, acreditar nisso não implica em desprezarmos as lições daqueles que nos antecederam.
Acreditar na necessidade de dinamização não significa reconhecer que toda mudança é boa, conveniente e necessária, pois, temos que questionar qual a validade da inovação e qual a sua implicação para a mensagem do Evangelho, ou mesmo, qual o fator motivador: Ela emerge de uma necessidade existencial de comunicar o Evangelho? Ou, é fruto do liberalismo ou relativismo vigente? A nova roupagem é necessária? Ou, visa atender uma proposta de consumo?.
O Evangelho é fruto da graça de Deus, visando trazer para o homem perdido a restauração de propósito de vida conforme a vontade e plano de um Deus soberano, desta forma, ele, o Evangelho, jamais poderá ser uma proposta de entretenimento.
O Evangelho como entretenimento é visão reducionista, que lideres ambiciosos tentam implementar, esquecendo que o verdadeiro propósito da Igreja, não é encher templos, mas sim, povoar os Céus, e nem sempre as duas grandezas são diretamente proporcionais.
          Não adianta termos pessoas divertidas, satisfeitas em sua necessidade de sorrir, se em seu coração não houver a verdadeira paz que emerge de um encontro genuíno com o verdadeiro Deus, encontro este, que embora seja fruto da Graça não temos que torná-lo engraçado, simplesmente para satisfazer a carne em detrimento das verdadeiras questões existenciais do homem.
          O evangelho como entretenimento vem tornando as Igrejas em verdadeiros circos e casas de shows, a arte cristã em objeto de consumo, a pregação em apresentações de humor, pastores em verdadeiros “pop star”, abrindo mão do seu verdadeiro propósito e da concretização da vontade de Deus na vida comunitária, em detrimento de satisfazer a ambição e glória de homens que amam mais a si do que a Deus.
          Infelizmente temos que admitir mesmos correndo o risco de sermos chamados de antiquado, que saudade do tempo, gloriosos tempos, dias de avivamento espiritual, onde circos eram transformados em igrejas. Já que nesses dias, dias tão estranhos, igrejas vêm se transformando em circos.


Pr. Jonas Silva

USE A TEOLOGIA COMO LENTE E NÃO COMO VENDA



            O ambiente acadêmico teológico geralmente é marcado por debates, que entendo ser bastante salutar, já que o confronto de posturas divergentes contribui para o fortalecimento das convicções particulares.
            A postura teológica de cada um deve servir como pressuposto para a interpretação dos fatos e da realidade vigente, ou seja, o sistema teológico pode e deve funcionar como lentes que definem a leitura de fatos do cotidiano e como compreendemos a verdade revelada. Lembrando, obviamente, que a teologia não é a verdade revelada e sim a interpretação racional da mesma, e por isso passível de conclusões divergentes e contraditórias.
            Entendo que a postura teológica abraçada por cada um se torna um problema, quando a mesma conduz a uma vivência religiosa que perde de vista a essência do Evangelho, e isto ocorre principalmente quando ela toma o sentido da própria revelação.  E isto é fato para algumas pessoas que vivem a sua espiritualidade como se seu sistema teológico fosse a própria razão da sua fé, ou seja, uma verdadeira inversão de valores.
            Esta inversão de valores produz uma espiritualidade árida e desconectada das questões e verdades essenciais do Cristianismo, pois a única coisa que importa, é o que eu penso, e minha grande tarefa e fazer que todos os demais cristãos pensem igual a mim, abraçando o meu sistema teológico. Esquecendo que as divergências apontam para a grandiosidade da sabedoria de Deus, pois mostra que o homem é a imagem Dele, capazes de pensar, mas, ao mesmo tempo limitados por não compreendê-lo completamente.
            Sempre ensino aos meus alunos, que escolham um sistema que se coadune com as verdades basilares do cristianismo e que não abra mão de nenhuma delas (Criação, Queda, Revelação, Triunidade de Deus, Encarnação de Cristo, Salvação em Cristo e Porvir). Contudo, solicito que reflitam de como você está vivendo o cristianismo a partir do sistema teológico abraçado, confrontando a prática de vida com as seguintes ações:
  • Quem é o principal personagem da sua argumentação teológica e pregações, Jesus ou mentor do seu sistema (Armínio, Calvino, Agostinho, Wesley etc)?, Lembre-se: 12 E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. (Atos 4:12)
  • A sua postura em relações aos demais irmãos que abraçam sistemas diferentes do seu, é de respeito, ou de discriminação? Lembre-se:  15 Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos (Col 3:15).
  • Como você se porta em relação a sua igreja, caso ela adote sistema de diferente do seu, é uma atitude submissão ou de rebeldia, lembre-se:  Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas (Rom 13:3). Nesta questão sempre aconselho ao irmão a procurar uma Igreja que se coadune com a sua forma de pensar, ou fique servindo ao grupo que pertence sem querer implementar qualquer nova ideia conflitante.
  • O seu sistema teológico funciona como uma forma de compreender as suas questões de fé, ou se tornou um partido religioso, ou mesmo levou você a se portar como um torcedor de futebol, trocando o time por algum “ismo” teológico, lembre-se: : 12 Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. 13 Acaso, Cristo está dividido Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo?(I Cor 1:12)
  • Como você enxerga o Corpo de Cristo: Consegue discerni-lo?  Ou pensa de forma sectária, acreditando que se faz necessário uma uniformidade teológica? Você compreende a diversidade na unidade,? Lembre-se: 17 Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão. (II Cor 10:17)

Não estou defendendo que não é importante abraçar e definir posições teológicas, isto faz parte do pensar teológico, contudo, ressalto que os problemas existentes não estão nos sistemas, e sim, nas pessoas, que em virtude da imaturidade, e por que não dizer da falta de espiritualidade, usam aquilo que deveria servir como lentes, como vendas, que cegam a sua visão para o verdadeiro sentido bíblico do cristianismo.

Pr. Jonas Silva.


                                   

NO MOMENTO DO OFERTÓRIO A IGREJA NECESSITA DE EXEGETAS E NÃO DE PICARETAS


Uma pergunta recorrente que sempre nos fazem quando explicamos o sistema sacrificial do Antigo Testamento, é a respeito da validade das diversas ofertas ali contidas para os dias atuais. Não é pouco comum ouvir de algumas pessoas que aprenderam de algum Pastor que além do dizimo que os fieis deveriam entregar na Igreja,  se faz obrigatório também, uma outra oferta com o valor no mínimo igual ao dízimo, a título de oferta alçada, ou de primícias. Ou seja, em matemática simples cerca de 20%( vinte por cento) do salário do trabalhador deve ir para os cofres do ministério.
Acreditamos que não há nada de errado de um cristão contribuir com a igreja com a quantia que achar conveniente, contudo, a grande que questão que envolve o fato, é a manipulação dos textos bíblicos e ideia falaciosa que quem não atender a exigência está fora da visão e da benção de Deus, ou até mesmo está sob maldição..
Sabemos que o assunto é controverso e que estou passivo aos ataques de muitos lideres, já que quanto o assunto é oferta e dízimo, a interpretação coerente da Bíblia dá licença à lógica: De quanto mais é melhor.
O Paradigma sobre o ato de ofertar está em 2 Coríntios 9:7:"Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria." Observemos que na passagem o Apóstolo Paulo orienta os membros da igreja, para que dêem aquilo que têm proposto os seus corações. Vejamos que o mesmo não recorre a nenhuma figura do sistema sacrificial ou de ofertas do Antigo Testamento, para incitar à contribuição dos fiéis, especialmente por eles não serem Judeus, e sim Gentios. Ou seja, os seus ouvintes não estavam sob a égide da Lei Mosaica nos aspectos cerimoniais e ritualísticos.
Contudo, ainda na Nova Aliança permanece o aspecto finalístico do sistema de ofertas, que é a manutenção da Obra do Senhor, podemos concluir isto a partir de passagens como: 1 Coríntios 9:13-14 “Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que servem ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho. Logo, é patente que cada cristão é responsável pela manutenção de sua comunidade de fé.
Outra finalidade das Ofertas era socorro aos irmãos necessitados  como podemos depreender de: Atos 11:27-30: "... 29 E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia. ..."
Até agora podemos concluir que segundo o Novo Testamento devemos contribuir com a obra, no entanto o que respalda a nossa oferta não é o valor, mas, a atitude de coração. Por isso defendo que alguém que não é regenerado não oferta ao Senhor, ele pode entregar a quantia monetária, mas ela só se torna oferta quando ele entrega o coração.
Na lógica eclesiástica capitalista a oferta respalda o ofertante, mas, na lógica do Reino de Deus, é o inverso, a vida do ofertante respalda a oferta, a Graça é sempre mais exigente que a Lei.
Quanto ao dízimo (10%) entendemos que ele é um padrão de oferta anterior a Lei vejamos: O DÍZIMO DE ABRAÃO- Gênesis 14.18-20: Abraão deu o dízimo dos despojos da guerra ao Rei Melquisedeque, sacerdote do Deus altíssimo,; e O DÍZIMO DE JACÓ- Gênesis 28.20-22: Jacó fez um voto ao Senhor, prometendo-lhe dar o dízimo de tudo quanto ganhasse se em sua jornada fosse por Ele protegido e abençoado.
Durante a Lei foi instituído para manutenção do Templo e sustento dos Sacerdotes, Números 18.21, 24, 26 e ajuda aos necessitados conforme fica claro em  Deuteronômio 14.29 28 Ao fim de três anos, tirarás todos os dízimos da tua novidade no mesmo ano e os recolherás nas tuas portas.29 Então, virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão...,”. Observem que o dizímo possuía a mesma finalidade da oferta estabelecida na nova aliança.
Logo, o dízimo é um padrão bíblico estabelecido para a oferta de qualquer cristão, contudo, ressaltamos que ela deve ser segundo a voluntariedade de cada um, conforme assevera o Novo Testamento, não devendo ser um peso ou tristeza, ou mesmo medo, pois, como bem diz a Bíblia, deve ser entregue com alegria.
Não devemos permitir em hipótese alguma que ao ser interpretados textos bíblicos que tratam do tema, os mesmos sejam sordidamente manipulados, visando intimidar psicologicamente, produzindo pressão por meio do sentimento de culpa e medo, visando extorquir ofertas que não brotam de um coração adorador, mas, que simplesmente enchem o bolso de picaretas. Estes sim, os picaretas, a exemplo do que Jesus fez com os comerciantes no templo de Jerusalém, precisam ser expulsos do seio da Igreja.


Pr. Jonas Silva


 
 


QUANTAS MOEDAS VALERIA JESUS?


 

Um dos personagens mais odiado da Bíblia é Judas Iscariotes, o fato do mesmo ter vendido Jesus por trinta moedas de prata o faz, em nosso conceito de cristianismo, realmente execrável.
Longe de mim, querer-me arvorar em sua defesa, até mesmo porque não pegaria bem para um pastor advogar a causa de alguém que no senso comum o desprezo por ela é ponto pacífico.
Realmente a venda de Jesus por Judas Iscariotes é carregado de sentido a cerca de que o Cristo representava para ele, o traidor não só negociou e abriu mão de uma pessoa, mas, antes de qualquer coisa, Judas estava desprezando a mensagem, o convívio surpreendente, o amor manifesto, a esperança que brotava do coração de Deus, em fim, de andar com o Emanuel (Deus Conosco). Por tudo isso, sobra-nos razões para odiar tão sórdida existência.
A sórdida atitude do desprezível Judas me faz refletir a respeito do sentido e significado que Jesus tem para os discípulos do século XXI, já que a traição não é cabível para aqueles que nunca firmaram uma aliança. A traição só firma, e pode se firmar, entre pessoas que entrelaçaram de alguma forma as sua existências. conviveram, andaram juntos, estabeleceram uma confiabilidade, é por isso que Judas tem muito mais  a falar com a Igreja, de que com aqueles que sempre estiveram longe do mestre.
Fico imaginando quantas pessoas tomam uma decisão ao lado de Jesus, declaram seu senhorio, fazem a escolha existencial de andar ao lado do mestre, ou seja, em linha gerais são, pelo menos teoricamente, discípulos de Cristo. Contudo, negociam o Senhor Jesus Cristo por um preço muito menor que as trinta moedas de prata recebidas por Judas.
São pessoas que estão ou estiveram nas igrejas,  contudo, e relativizam ou relativizaram a pessoa do Mestre e seus ensinamentos, diante de  seus dilemas existenciais, abrindo mão da verdade para abraçarem idéias mais convenientes, negam a sua aliança com Deus diante das ofertas do mundo.
Para Judas Jesus valia trinta moedas de prata, para muitos “discípulos” talvez Cristo deva ser vendido por bem menos, como por exemplo:
1)    Muitos trocam Jesus por amigos, se envergonhando de se declararem Cristãos em ambientes desfavoráveis;
2)    Trocam a verdade de Cristo, por sua verdade, estabelecem um Evangelho do eu, em detrimento do de Jesus;
3)    Trocam Jesus por momentos efêmeros de prazer, no anonimato da Internet;
4)    Trocam os princípios ensinados por Cristo pelo sucesso pessoal ou ministerial;
5)    Quebram a aliança com Cristo diante de qualquer proposta mais vantajosa ofertada  pelo mundo.
A traição e a negociação da pessoa de Jesus na comunidade dos discípulos do século XXI não vem acompanhada de um beijo como a de Judas, mas vêm misturada de canções sem sentido, palavras de adoração sem valor e culto como mera formalidade.
Acho que se Jesus estivesse diante do apedrejamento que realizamos da pessoa de Judas, talvez Ele viesse a declarar para muitos: quem nunca foi Judas, negociando a minha pessoa e o meu Evangelho, que atire  a primeira pedra,


Pr. Jonas Silva

              






MARCOS FELICIANO É DESRESPEITADO DENTRO DO AVIÃO




Os Gays querem tanto respeito, mas não sabem reconhecer uma autoridade constituída, é uma vergonha!!!!!

A APOLOGÉTICA DE FRANCIS SCHAEFFER




Ser professor de teologia em um Seminário interdenominacional às vezes não é tarefa fácil, principalmente quando nos deparamos com a pluralidade de posições e pressupostos teológicos que emergem das diversas denominações representadas em sala de aula.
É perceptível que no cotidiano em sala de aula, que a simples adoção de uma posição teológica causa uma barreira pedagógica em especial para aqueles alunos que adotam posições antagônicas a do professor.
Contudo, na disciplina de apologética, onde cada abordagem consignada nas literaturas, naturalmente já estabelece uma apologética em favor do seu próprio método e pressupostos, resolvi, mesmo a contra gosto, advogar uma metodologia, que é a abordagem de Francis Schaefer, também conhecido como pressupocinalismo prático. O qual tentarei explicar em linhas gerais, já que tenho como premissa que um “post” nas formatações que uso, não deve ultrapassar duas folhas de A4.
A abordagem tem como ponto de partida a idéia pressuposicional que há um Deus (Deus-Infinito-Pessoal) que se revelou ao homem por meio das Escrituras Sagradas, de maneira tal, que tal revelação dá sentido a realidade imposta. 
A abordagem Pressupocionalista de Van Til parte do mesmo ponto, contudo, assevera que não há entre o Incrédulo e o regenerado nenhum  terreno em comum, onde se possa estabelecer uma conexão dialógica, ou seja, em linhas gerais, pressupostos antagônicos, visões de mundo antagônicas, que inviabilizariam o dialogo.
Como todo pressupocionalista, Schaeffer  defende que todo o homem é dotado de pressupostos que contribui para a sua visão de mundo, contudo, diferentemente de Van Til, ele acredita que mesmo com a queda, o fato do homem ser feito a imagem de Deus, permite ao incrédulo compartilhar com o regenerado de valores absolutos morais e racional, ou mesmo, de dilemas existenciais, perguntas como: Qual o sentido da existência? Quem sou?,De onde vim? Ou, para onde vou?, são comuns a todos os homes, e tentam ser respondidos por todos os sistemas filosóficos.

Ao estabelecer este ponto de contato entre os crentes e incrédulos,  defendendo  uma  leitura racional da realidade, Schaeffer  se aproxima do método evidencialista.

Embora haja a possibilidade de pontos em comum entre as diversas cosmovisões, o incrédulo julgará racionalmente a realidade a partir de pressupostos equivocados, longe da Revelação Divina, levando-o a conclusões ou perguntas equivocadas.  


    Para Schaeffer a possibilidade desta leitura racional das questões em comuns, serve como um ponto de contato para a abordagem apologética, já que é possível que o incrédulo conclua que há uma incoerência em sua forma de ver o mundo. Ao perceber esta incoerência, o mesmo abre um canal para a comunicação das verdades revelacionais.  
Para mim é impossível estabelecer uma apologética cristã que não tenha como supedâneo a verdade revelacional, pois toda cosmovisão que requeira ser cristã deve partir da ótica Bíblica, mesmo que o ponto de contato seja as questões racionais (Morais, Metafísicas ou Epistemológicas), a leitura e a abordagem de uma mente regenerada não tem como prescindir a Revelação.
Em dias onde abundam em nossas livrarias evangélicas obras de evidencialistas clássicos a exemplo de Norman Geisler e Lane Craig, vídeos do segundo, estão aos montes na internet, talvez soe mal declarar, que mesmo que  as provas racionais da existência de Deus sejam uma realidade, e um ponto de contato entre crentes e incrédulos, jamais conduzirão ao homem ao Deus Trino, se não houver a prova da incoerência deste deus criado pela razão, e a substituição deste divindade equivocada pelo Deus que se revelou nas Escrituras, que nada mais é que a idéia defendida por Francis Schaeffer.

Pr. Jonas Silva



                    


 
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