O GOSPEL É POP, MAS, O EVANGELHO É UNDERGROUND*



 

          Andei ausente do blog em virtude de estar escrevendo o meu trabalho de conclusão da pós-graduação em docência da Filosofia, tenho que admitir escrever sobre filosofia para filósofos não é fácil.
          O tema do meu trabalho foi: A disciplina de Filosofia no ensino médio brasileiro como um ambiente transdisciplinar, após inúmeras leituras e digitações, acho que fiquei de ressaca intelectual, que foi curada recentemente com a leitura do novo livro do Luiz Filipe Pondé: Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, esta história conto depois.
          Como todo ressecado, lembrando que a minha ressaca era intelectual, estava com a aquela idéia fixa de nunca mais beber daquilo que havia provocado a minha dor de cabeça, e por isso, acho que fechava os olhos e corria ao largo, de qualquer coisa que poderia gerar uma reflexão e ser um post em potencial.
          Mas como todo ébrio, passada a ressaca, as promessas e juras nunca são cumpridas, e aqui estou eu, em pleno exercício do meu vício reflexivo.
          Ultimamente vi algumas matérias na revista Veja que me chamaram atenção, por tratar de questões do mundo evangélico, entre as quais uma intitulada: “Deus é pop” veiculada na edição de 25/3/12 que abordava o sucesso da música gospel no Brasil, e a soma de dinheiro movimentada pelos artistas da fé.
          Sempre tive uma inquietação acerca da arte como bem de consumo, produzida em escala industrial para atender um apelo meramente comercial, arte para mim deve ter como princípio e o fim, o belo. Neste assunto concordo com Nietzsche: "Eis um artista tal como aprecio os artistas, modesto em suas necessidades: no fundo, só quer duas coisas, seu pão e sua arte..."
          E quando falamos de adoração em forma de arte, seja qual for a expressão artística, esta deve produzir o belo para a glória do Senhor.
          A secularização da música cristã, e quando falo em secularização, não estou falando em estilos musicais, mas principalmente no paradoxo criado, por meio de uma pseudo adoração de consumo, onde o Evangelho se torna entretenimento barato, escravo de uma indústria que tem como fim ganhar dinheiro à custa da alienação e do consumo.
          O reducionismo do Evangelho à mercadoria barata para consumo alienado e alienante, nada mais é que uma distorção de sua essência, pois o Evangelho de Cristo, jamais poderá ser produto de mercado.
          Evangelho enquanto Evangelho de Cristo, é um transgressor do sistema mundano vigente, a sua mensagem verdadeira, confronta valores de um mundo imerso em uma lógica de pecado.
          O Evangelho de Jesus jamais poderá ser uma mercadoria barata e comerciável, pois o mesmo, soa ao homem moderno, como algo estranho de se ouvir,  já que, sempre requer de seus ouvintes uma posição de renúncia do eu frente ao Senhor Deus.
Este evangelho gospel vendido a R$19 (dezenove reais) o CD, nada mais é que uma mensagem antropocêntrica, uma caricatura do evangelho que não diz o que o pecador precisa ouvir, mas sim o que ele quer ouvir.
Perdoe-me o autor da matéria, Deus em nosso mundo com certeza não é pop, o "gospel"  quer ser pop, contudo, o Evangelho de Cristo, bem como, arte que ecoa do mesmo, sempre serão neste mundo uma proposta underground.
*Underground ("subterrâneo", em inglês) é uma expressão usada para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais, dos modismos e que está fora da mídia. Também conhecido como Cultura Underground ou Movimento Underground, para designar toda produção cultural com estas características, ou Cena Underground, usado para nomear a produção de cultura underground em um determinado período e local. (Fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Underground)

Pr. Jonas Silva 

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