MESTRE JONAS: DENTRO DA BALEIA A VIDA É TÃO MAIS FÁCIL




          Uma vez um colega de turma do curso de Filosofia comentou que, em virtude do nome,   sempre se lembrava de mim, quando ouvia a música Mestre Jonas, de Sá, Rodrix & Guarabyra. Confesso que não conhecia a música, contudo, passado de algum tempo, e intrigado, fui averiguar do que se tratava, e para minha surpresa, o Mestre Jonas da canção falou profundamente ao meu coração, vindo a ser um desafio para minha espiritualidade.
          Embora sejam histórias parecidas, gostaria logo de ressaltar que o Mestre Jonas de Sá e Guarabira, não tem nada a ver com o Profeta Jonas da Bíblia, contudo, ambos nos dão lições profundas sobre espiritualidade. Na verdade sempre nos deparamos com Jonas dos dois tipos em nossas igrejas.
          O Mestre Jonas da canção é aquele tipo de gente que se relaciona com Deus exclusivamente para estabelecer uma zona de conforto para a sua vida, a igreja, a denominação, uma pseudo-espiritualidade, passam a ser desculpas para se isolar do mundo.
          Para estes, o Cristianismo é a sua grande baleia, confortável e segura, mas fechada em si mesma, a sua visão, o seu mundo estão restritos aos limites do grande mamífero.
          Para o Mestre Jonas e para muitos Jonas que encontramos por aí, que importa o mundo fora da baleia, ou da religiosidade, as tempestades e demandas, não fazem parte do seu espaço, logo, não são seus problemas.
          Viver como o Mestre Jonas, é viver sob um sistema falacioso, acreditando que o fato de estarmos isolado em nossa baleia (Igreja), é a vontade do pacto firmado com Deus. E é exatamente neste aspecto, que vejo a semelhança entre o Profeta Jonas e o Mestre Jonas, ambos são egoístas e equivocados na sua relação com Deus, e principalmente, em perceber as conseqüências desta relação para a sua vivência com o próximo, que necessariamente tem que redundar em manifestações de amor. O Mestre Jonas retratado por Sá Rodrigues e Garabira é o cristão que perdeu o sentido de ser sal da terra e luz do mundo.
A meu ver o Mestre Jonas é muito mais pernicioso do que o Jonas da Bíblia, pois ele é capaz de passar a vida toda em função da manutenção de seu status quo espiritual, acreditando que estar fazendo a coisa certa, mesmo vivendo em plena desobediência ao chamado do Senhor Jesus Cristo.
Contudo, o Jonas da Bíblia dá uma grande lição ao Mestre Jonas da canção, pois o primeiro só exerceu o seu ministério profético quando clamou e saiu do grande peixe. Da mesma forma a Igreja só cumprirá a sua missão profética quando compreender que Deus não nos chama ao isolamento, e sim ao envolvimento.
Gostaria de desafiar você que tem vivido como o Mestre Jonas, isolado do mundo, sem amor pelas almas perdidas, que não consegue enxergar alem dos limites do seu mundinho eclesiástico, que mesmo vivendo desta forma, acredita que está sendo sincero com Deus, mas, no fundo está é fugindo da vontade do Senhor, saia de sua baleia, e vá aos perdidos anunciar o grande amor de Deus.


Pr. Jonas Silva

Mestre Jonas

Sá, Rodrix & Guarabyra

Dentro da baleia mora mestre Jonas,
Desde que completou a maior idade,
A baleia é sua casa, sua cidade,
Dentro dela guarda suas gravatas, seus ternos de linho.
E ele diz que se chama Jonas,
E ele diz que é um santo homem,
E ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria,
E ele diz que está comprometido,
E ele diz que assinou papel,
Que vai mantê-lo dentro da baleia,
Até o fim da vida,
Até o fim da vida.
Dentro da baleia a vida é tão mais fácil,
Nada incomoda o silêncio e a paz de Jonas.
Quando o tempo é mal, a tempestade fica de fora,
A baleia é mais segura que um grande navio.

O GOSPEL É POP, MAS, O EVANGELHO É UNDERGROUND*



 

          Andei ausente do blog em virtude de estar escrevendo o meu trabalho de conclusão da pós-graduação em docência da Filosofia, tenho que admitir escrever sobre filosofia para filósofos não é fácil.
          O tema do meu trabalho foi: A disciplina de Filosofia no ensino médio brasileiro como um ambiente transdisciplinar, após inúmeras leituras e digitações, acho que fiquei de ressaca intelectual, que foi curada recentemente com a leitura do novo livro do Luiz Filipe Pondé: Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, esta história conto depois.
          Como todo ressecado, lembrando que a minha ressaca era intelectual, estava com a aquela idéia fixa de nunca mais beber daquilo que havia provocado a minha dor de cabeça, e por isso, acho que fechava os olhos e corria ao largo, de qualquer coisa que poderia gerar uma reflexão e ser um post em potencial.
          Mas como todo ébrio, passada a ressaca, as promessas e juras nunca são cumpridas, e aqui estou eu, em pleno exercício do meu vício reflexivo.
          Ultimamente vi algumas matérias na revista Veja que me chamaram atenção, por tratar de questões do mundo evangélico, entre as quais uma intitulada: “Deus é pop” veiculada na edição de 25/3/12 que abordava o sucesso da música gospel no Brasil, e a soma de dinheiro movimentada pelos artistas da fé.
          Sempre tive uma inquietação acerca da arte como bem de consumo, produzida em escala industrial para atender um apelo meramente comercial, arte para mim deve ter como princípio e o fim, o belo. Neste assunto concordo com Nietzsche: "Eis um artista tal como aprecio os artistas, modesto em suas necessidades: no fundo, só quer duas coisas, seu pão e sua arte..."
          E quando falamos de adoração em forma de arte, seja qual for a expressão artística, esta deve produzir o belo para a glória do Senhor.
          A secularização da música cristã, e quando falo em secularização, não estou falando em estilos musicais, mas principalmente no paradoxo criado, por meio de uma pseudo adoração de consumo, onde o Evangelho se torna entretenimento barato, escravo de uma indústria que tem como fim ganhar dinheiro à custa da alienação e do consumo.
          O reducionismo do Evangelho à mercadoria barata para consumo alienado e alienante, nada mais é que uma distorção de sua essência, pois o Evangelho de Cristo, jamais poderá ser produto de mercado.
          Evangelho enquanto Evangelho de Cristo, é um transgressor do sistema mundano vigente, a sua mensagem verdadeira, confronta valores de um mundo imerso em uma lógica de pecado.
          O Evangelho de Jesus jamais poderá ser uma mercadoria barata e comerciável, pois o mesmo, soa ao homem moderno, como algo estranho de se ouvir,  já que, sempre requer de seus ouvintes uma posição de renúncia do eu frente ao Senhor Deus.
Este evangelho gospel vendido a R$19 (dezenove reais) o CD, nada mais é que uma mensagem antropocêntrica, uma caricatura do evangelho que não diz o que o pecador precisa ouvir, mas sim o que ele quer ouvir.
Perdoe-me o autor da matéria, Deus em nosso mundo com certeza não é pop, o "gospel"  quer ser pop, contudo, o Evangelho de Cristo, bem como, arte que ecoa do mesmo, sempre serão neste mundo uma proposta underground.
*Underground ("subterrâneo", em inglês) é uma expressão usada para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais, dos modismos e que está fora da mídia. Também conhecido como Cultura Underground ou Movimento Underground, para designar toda produção cultural com estas características, ou Cena Underground, usado para nomear a produção de cultura underground em um determinado período e local. (Fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Underground)

Pr. Jonas Silva 
 
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