ESTAR NO MUNDO E NÃO SER DO MUNDO



          Ultimamente eu venho pensando muito na compreensão que temos, enquanto cristãos, acerca da nossa relação com o mundo. Tenho visto que há uma confusão muito grande entre as duas questões: Estar no mundo e não ser do mundo.
          O próprio Jesus em sua oração conhecida como Sacerdotal, relatada no Capítulo 17 do Evangelho de João, já rogava ao Pai para que houvesse uma compreensão do dilema estar e não ser do mundo, vejamos algumas trechos só para conferir, ou, como diriam os pentecostais, para não ficar só nas minhas palavras:
Estar no Mundo:
Vs 11a Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo...
Vs 15 Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.
Vs 18 Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
Não Ser do Mundo
Vs 14 Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou.
Vs 16 Eles não são do mundo, como também eu não sou.

          Eis o grande dilema na Oração Sacerdotal de Jesus: Estar e não ser?, Eis a questão. Contudo, alguns acham que a questão é de fácil resolução, sendo até um falso problema, entretanto, não é isso que tenho visto na prática da igreja, pois, muitos confundem o não ser com o não estar.
          Antes de qualquer coisa vamos dirimir algumas questões ligadas ao não ser e estar no mundo:
·       O mundo é um local e um sistema. Como local, é o ambiente onde vivenciamos a nossa espiritualidade. Como sistema, é uma forma de pensar, uma cosmovisão, que se opõe a do Evangelho.
·       Estar no mundo é uma contingência, e não ser do mundo é essência. Como contingência, devemos compreender que estar é um momento ainda que transitório, mas que deve ser vivido em sua plenitude. E o não ser como essência, é a compreensão que mesmo estando no mundo, a nossa comovisão não é mundana.
         
A Igreja de forma geral, no afã de não ser do mundo, se isola do mundo, se fechando para todas as demandas vivenciadas pelo mundo, estabelecendo uma barreira para tudo aquilo que é ou estar no mundo.
O muro serve indistintamente para as coisas que estão e também que são do mundo, esquecendo que nem tudo que estar necessariamente é, a barreira vem na forma das afirmativas: Não faça isto que isto é do mundo, Não admire isto que isto é de mundo, e se é do mundo é pecado.
O problema é que o isolamento nem sempre vem revestida de uma mudança de essência, ou seja, muitos se isolam do mundo, para viver em sua ilha, chamada igreja, como pessoas mundanas, ou seja, não tocam nas coisas no mundo, não as admiram, não se relacionam com as pessoas do mundo, entretanto pensam como mundanos, com a mesma lógica esgoísta, implementada pelo pecado.
Uma Igreja isolada do mundo, tem problema com a arte e a diversão que estar no mundo, e não necessariamente são mundanas, pois ela fecha os seus ouvidos e olhos para tudo aquilo que procede do outro lado do muro de separação.
Uma igreja isolada não se relaciona com a comunidade que estar no mundo, pois caso essa alguém precise dos Santos, que venham a eles, pois são muito puros para dialogar com pecadores perdidos. É a igreja que perdeu o sentido de ser sal da terra e luz do mundo.
Jesus rogou por uma igreja no mundo, presente e sensível as demandas do mundo, contudo, que viva e processe tais demandas sob a égide de uma lógica diferenciada, santa, justa e bíblica.
Por isso, rogo a você querido leitor: Seja um cristão no mundo, sem ser dele. Viva, toque, se relacione, compreenda, contudo, processe tudo sob a ótica do Evangelho,  e apresente a possibilidade de uma nova perspectiva de mundo, para aqueles que são e estão no mundo.


Pr. Jonas Silva



“SOMOS MAIS POPULARES QUE JESUS CRISTO”

 




No próximo dia 21 de abril de 2012 aqui em Recife, a menos de 1 quilômetro da minha residência, vai haver o show do ex Beatles Paul McCartney, entre o ir e não ir ao show, eis a questão. Veio-me a polêmica frase proferida pelo então integrante do quarteto de Liverpool,  John Lennon, Em uma entrevista à repórter Maureen Cleave, no idos de 1966: “Hoje os Beatles são mais populares do que Jesus Cristo”.
   A repercussão da frase á época foi funesta, os crentes do chamado Cinturão da Bíblia, no Sul dos Estados Unidos, promoveram campanhas contra os Beatles, queimando seus discos, Padres, Bispos e até mesmo o Papa engrossaram o coro dos protestos. John Lennon teve de se retratar, jurou que sua frase fora empregada fora contexto, que não era bem aquilo que queria dizer.
O interessante é que frase que odiei no passado, hoje dentro da espiritualidade evangélica contemporânea, vem tomando novas dimensões, pois, percebo que mesmo a idéia sem ser proferida em sentença, percebe-se que muitos líderes Cristãos vêm trabalhando diuturnamente para serem mais populares que Jesus Cristo.
O Cristianismo contemporâneo não tem o Senhor Jesus como centro, na verdade, hoje, líderes carismáticos usam Cristo como discurso e pretexto, mas, o que importa mesmo é fazer marketing do seu nome ou ministério.
A lógica matemática implementada por João, o Batista, “Convém que ele cresça e que eu diminua (João 3:30)”,  onde o  crescimento da sua imagem, reputação e ministério era inversamente proporcional ao crescimento da imagem de Jesus Cristo, perdeu todo o sentido. Pois sempre tem algum vendilhão e explorador da fé, pronto a tirar dividendos pessoais, daquilo que ele reputa como graça de Deus, sejam: Mensagens, Milagres, Músicas, ou, Obras Literárias. A lógica no mundo cristão contemporâneo é: importa que o meu nome ou da minha denominação apareça custe o que custar. Nesta perspectiva, o nome de Jesus é só o pretexto para o sucesso pessoal.
Na lógica mercadológica cristã, nomes de Pastores ou Cantores, ministérios ou denominações, viram verdadeiras grifes ou marcas, onde a idéia consumista tem a sua expressão levada e amplificada à mais estrita dimensão do termo.
Hoje importa contrariar a lógica Paulina (ninguém é de Paulo, ou Pedro somos todos de Jesus), pois se o nome estar em voga, fazendo sucesso isto é o que importa para os cristãos da contemporaneidade. Esquecendo-se que o sucesso no Reino de Deus, não é medido em números, em horas de programação na TV, em jatinhos, em quantidade de Igrejas, e sim em qualidade de vida que se aproxima da de Jesus, conforme assevera Paulo em  Fil 2: 5-7 5 “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana

Posso concluir com certeza, contudo com bastante tristeza, que a frase proferida por John Lennon infelizmente, tomou uma dimensão prática na igreja contemporânea: O Pastor, O Cantor, O ministério, a denominação, são mais populares que Jesus Cristo.

Pr. Jonas Silva


                                     
 

 
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