FALSIFICAÇÃO DENOMINACIONAL: NEM TODA IGREJA QUE SE DIZ BATISTA É BATISTA




         O pluralismo denominacional é uma das marcas da igreja brasileira, vivemos dias onde as novas denominações se multiplicam, igrejas independentes, sem comunhão convencional, com a práxis litúrgica e eclesiástica lastreadas em novas revelações ou interpretações bíblicas, surgem a cada dia.
          Muitas destas novas denominações se originam de grupos separatistas e dissidentes de igrejas históricas e possuidoras de sólido arcabouço doutrinário e litúrgico.
           Alguns destes grupos fundadores de igrejas independentes, em especial os dissidentes, passam a se denominarem com o título de igrejas históricas, por isso é muito comum vermos igrejas com os seguintes títulos: Igreja Batista Apostólica ..., Igreja Batista reformada ..., etc.
            Mas será que simplesmente o título faz uma igreja ser Batista, ou Presbiteriana, Ou Congregacional, ou Assembléia de Deus? Obviamente que não, as denominações históricas são marcadas por suas peculiaridades litúrgicas e doutrinárias, formadas e solidificadas no transcurso de um processo histórico, peculiaridades estas, vivenciadas e apregoadas pelas igrejas que abraçam, não só título, mas, principalmente o sistema doutrinário da denominação.
            As Igrejas Batistas são caracterizadas pelo seu pacto, confissão de Fé e sistema administrativo eclesiástico, os conceitos são extensos, por isso recomendo a leitura do material abaixo indicado, contudo, vejamos algumas marcas de uma Igreja genuinamente Batista.
MARCA 1: O SENHORIO DE JESUS CRISTO
            Uma igreja Batista não é fundamentada em um líder humano, para os Batistas só Jesus é o Senhor e cabeça da Igreja.

MARCA 2: A AUTORIDADE DO NOVO TESTAMENTO
            Os Batistas não fundamentam sua práxis e vivência de fé, em revelações extra-bíblicas, e em modismos doutrinários.
            Para os Batistas, apenas a Bíblia Sagrada, e em especial o Novo Testamento, é a fonte da autoridade. É do texto Sagrado que ecoam os princípios teológicos e eclesiásticos.
            Uma Igreja Batista não pode andar de braços dados com o neopentecostalismo ou com a teologia da prosperidade, onde a experiência e a revelação norteiam as práticas eclesiásticas dos grupos adeptos de tais sistemas.

MARCA 3: UMA MEMBRESIA REGENERADA
            Uma Igreja Batista não é caracterizada por uma membresia descompromissada com o Reino de Deus, e que encara a comunidade eclesiástica com o fim utilitarista, seja a o atendimento de anseios pessoais, ou realização de meras reuniões e eventos.
            Uma Igreja Batista exige de seu membro marcas evidenciais de uma conversão genuína, marcada pelo novo nascimento, batismo e santificação.

MARCA 4: SISTEMA DEMOCRÁTICO DE ADMINISTRAÇÃO

            Numa Igreja Batista todos os membros têm iguais direitos e deveres. Todos participam das reuniões e decisões. Cada Igreja é autônoma e independente, sendo responsável por suas próprias decisões. A autonomia não significa que cada líder e grupo podem fazer o que quiserem, pois a liberdade se restringe aos limites dos princípios denominacionais.
            As funções Eclesiásticas existentes em uma Igreja Batista é a de Pastor e Diácono, não existindo as funções de Apóstolo, de Bispo, ou Presbítero.


            Antes de ser mal interpretado, gostaria de esclarecer que não estou discutindo se denominação “A” ou “B” é melhor ou pior, ou se Deus não estar nas novas igrejas, o que procurei fazer com este “post”, foi trazer a compreensão dos leitores, que não é o nome na placa da igreja que a faz Batista, pois uma Igreja Batista é caracterizada, entre outras coisas, a exemplo da confissão de fé, pelas marcas citadas. Parafraseando o ditado popular: Fique atento, não freqüente gato por lebre.


OUTRAS CARACTERÍSTICAS  DAS IGREJAS BATISTAS
  •  Ênfase na doutrina da salvação pela fé somente (Ef 2.8-10).
  •  Destaque para o ensino do sacerdócio de todos os crentes (1Pe 2.9)
  • Separação entre Igreja e Estado com ênfase na independência da igreja (Mt 22.21). 
  • Cooperação entre as igrejas para a expansão do Reino de Deus (1Co 16.1-4).
  •  Prática do batismo por imersão ministrado somente aos crentes (At 8.36-39).
  •  Rejeição do batismo infantil (Mt 28.19).
  •  Consideração do batismo e da Ceia do Senhor como símbolos de verdades espirituais e não como sacramentos (Rm 6.4; 1Co 11.24-25).

  
Pr. Jonas Silva

Sugestões de Leitura:

BATISTAS: Sua identidade, Autores diversos  Editora JUERP
EM QUE CRÊEM OS BATISTAS Autores diversos Editora JUERP
ECLESIOLOGIA: Enéas Tognini, Editora Arte Editorial



FAMILIA: UM ESPAÇO PÚBLICO OU PRIVADO?





          Depois de um intenso e polêmico processo de discussão nacional sobre o papel do Estado, dos pais e dos canais de televisão sobre a classificação indicativa dos programas de TV, culminado com a aprovação da portaria 1.220, em 2007, a medida que tem o objetivo de proteger a infância e adolescência está mais uma vez ameaçada. Na quarta-feira (30/11), o Supremo Tribunal Federal (STF) só não julgou a inconstitucionalidade da veiculação dos programas de acordo com a faixa horária e etária, proposta pela portaria da classificação indicativa, porque houve pedido de vista do processo pelo ministro Joaquim Barbosa. Na prática, se a ação for aprovada, as emissoras poderão exibir qualquer programa em qualquer horário e em qualquer território nacional, que possui hoje três fusos horários.
       Quatro ministros – Dias Toffoli, Luiz Fux, Cármen Lúcia Antunes Rocha e Ayres Britto – já tinham dado parecer favorável à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 2404) ajuizada pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em 2001, muito antes de toda a discussão nacional sobre o tema, contra o dispositivo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), especificamente o artigo 254, que classifica como infração administrativa a transmissão de programa de rádio ou televisão em horário diverso do autorizado pelo Governo Federal. Este artigo é um dos fundamentos da regulação da classificação indicativa.

Fonte: Marcus Tavares (Observatório da Imprensa)  Disponível em: http://primeirainfancia.org.br/?p=7543


A questão me levou a uma reflexão sobre a relação Estado x Família, e as indagações: Finalmente, a família é um espaço público ou privado? O Estado deve ou não interferir nas relações familiares?
            A tese que balizou a decisão dos ministros do STJ é que a família é um ente privado cabendo a ela, e não ao Estado o que os seus integrantes devem assistir ou não em suas televisões.
             Não obstante ao fato, de cada vez mais a programação televisiva ter se tornado cotidianamente mais imoral, depreciadora da moral e dos bons costumes, a lógica parece perfeita.
            Contudo, quando avaliamos para onde caminha a relação estado x família, tal lógica parece contraditória, em especial quando confrontamos com a recente aprovação, pela câmara do projeto de Lei que proíbe os pais de aplicar castigos físicos nas crianças. Conhecida como Lei da Palmada, a proposta foi aprovada por unanimidade, em comissão especial, depois que o governo cedeu à pressão da bancada evangélica e alterou a expressão 'castigo corporal' por 'castigo físico'. Pois ante os dois fatos, e dos argumentos apresentados pelos Ministros do STJ, nos remete a dúvida: Finalmente, a família não deve ser tutelada pelo Estado quanto ao lixo televisivo despejado na consciência de suas crianças, contudo, não pode escolher o tipo de educação que dará as mesmas, e a forma de repreensão e correção que será implementado no ambiente familiar. Mesmo que tal metodologia derive de um ato de fé.
            A Lei da palmada me tolhe o direito de fazer aquilo que a Bíblia manda no livro de Provérbio nas seguintes passagens:
Prov 13: 24 24 O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina.
Prov 23:13-14 13 Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá.Tu a fustigarás com a var e livrarás a sua alma do inferno.
Prov 19:15 15 A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe.

            No Brasil a compreensão do que é público e do que é privado sempre foi uma questão problemática, já que é muito comum os agentes públicos (políticos, funcionários, magistrados etc) tratarem como seu, ou seja como privado,  aquilo que é público,  contudo, parece que esta dicotomia recaiu sobre a família, pois o Estado quer se eximir de uma postura intervencionista em algumas questões, e que ser paradoxalmente controlador em outras. Finalmente a família e suas relações, é um espaço público ou privado?  


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Pr. Jonas Silva


                                
 
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