O NATAL DOS FLINSTONES E O NATAL PÓS MODERNO (REPUBLICADA)


                           
                                      

            Um dos dilemas vivenciados por este pastor em sua adolescência, era o fato da família Flinstones, desenho animado criado por Hanna Barbera, comemorarem o natal; já que eles viviam  na pré história, obviamente antes de Jesus Cristo ter nascido.  Hoje, já passando dos 40 (quarenta) anos de idade, possuo outros dilemas acerca das festas natalinas, dilemas estes, que me fazem entender, que o natal dos Flinstones não é muito diferente dos natais na pós modernidade.
            Quando analisamos a importância e papel de Jesus no natal contemporâneo, a ideia que se estabelece acerca da pessoa de Cristo, o papel que Ele ocupa na festa que seria,  em tese, o seu aniversário. percebemos que o episódio do desenho animado era um prenúncio dos natais pós modernos.
            O Natal contemporâneo é uma festa no qual o seu principal personagem, Jesus Cristo, foi alijado da comemoração, as pessoas lembram  de Papai Noel, da luzes, dos presentes, do peru, do "chester", e esquecem do próprio Cristo. É o natal das sensações  efêmeras centradas no próprio homem. 
         Na contemporaneidade as decorações de natal são marcadas pelas luzes, e principalmente por Papai Noel, gerando no consciência das pessoas, que o que é importante mesmo não é o nascimento de Jesus, mas, ganhar presentes, e, principalmente consumir e gastar.
            O Natal na sociedade consumista contemporânea, é a festa do pegue pague, das cantatas com muita arte e pouca vida, das muitas luzes e da alegria falseada, que conduz o homem ao  esquecimento do fato que o principal presente do natal foi providenciado por Deus, fruto do seu inaudível amor, que é a pessoa do seu filho Jesus encarnado, se não no dia 25 de dezembro, em algum dia da história para resgatar o homem de seus pecados e opressão.
            As pessoas no Natal se abraçam se confraternizam, fazem festas e banquetes, se embriagam, são falsas em suas congratulações, e deixam de lado as ações de graças pelo nascimento do dono da festa, que é Jesus, o Deus que se fez carne e habitou entre nós. Mas, como falar em gratidão, se foi perdido a concretude e força do significado do nascimento e encarnação do filho de Deus.
            Quando comparo o natal com as outras festas do nosso calendário, entendo que não é no carnaval que as pessoas se fantasiam, pois muitas vezes elas mesmo fantasiadas representam o que realmente são. Mas, é no natal, de cara limpa, é comum ver pessoas transvestidas, movidas pelo dito espírito natalino, em personagens que não são: bom chefe, bom cristão, bom amigo, caridoso e por aí vai,
            O natal só faz sentido quando Jesus deixa de ser uma mera desculpa para as confraternizações anuais, e passa a ser um personagem vivo que nasceu em nossos corações, em algum dia da nossa existência. Pois se não for assim,  o nosso natal não é muito diferente do da família Flinstones, ou seja, materialista e consumista, uma mera festa sem qualquer possibilidade de significado  existencial.


Pr. Jonas Silva

Só para lembrar e conferir estou postando o Filme do Natal dos Flinstones!!!


                          

NATAL EM CORDEL


Ficheiro:Literatura de cordel.jpg
A história do nascimento de Jesus, contada em CORDEL, que uma das expressões da cultura Nordestina.

Literatura de cordel é um tipo de poema popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos ou outra qualidade de papel, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome originado em Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, o nome foi herdado (embora o povo chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou. Ou seja, o folheto brasileiro poderia ou não estar exposto em barbantes. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.

 Os temas incluem fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas , temas religiosos, entre muitos outros. As façanhas do cangaceiro Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1900-1938) e o suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954) são alguns dos assuntos de cordéis que tiveram maior tiragem no passado. Não há limite para a criação de temas dos folhetos. Praticamente todo e qualquer assunto pode virar cordel nas mãos de um poeta competente.

No Brasil, a literatura de cordel é produção típica do Nordeste, sobretudo nos estados de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará. Costumava ser vendida em mercados e feiras pelos próprios autores. Hoje também se faz presente em outros Estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O cordel hoje é vendido em feiras culturais, casas de cultura, livrarias e nas apresentações dos cordelistas.
(fonte Wikipedia)




UM BODE EXPIATÓRIO VALE MAIS DO QUE PESA



Como bom nordestino o bode é um animal que bastante aprecio, sua carne preparada das mais diversas formas é um dos meus pratos prediletos. Contudo, não esse tipo de bode que mais chama a minha atenção e sim a figura do bode expiatório, já que o mesmo sempre me proporcionou um debate ético bastante interessante.
O bode expiatório é uma figura ritualística da Antiga Aliança relatada em Levítico 16: 15-28, o relato bíblico descreve de como era purificado o pecado do povo: Era escolhido entre dois bodes, por meio de sorte; depois de sacrificar sangue do primeiro, tomava o segundo, impunha as mãos e confessava os pecados do povo e soltava o bode em lugar deserto.
Não quero entrar nos debates teológicos acerca da questão, contudo, ressalto que os rituais da Antiga Aliança, como assevera o autor da carta aos Hebreus, eram sombras das coisas futuras, das quais muitas delas se consumariam na pessoa do Senhor Jesus Cristo.
Contudo, hoje a figura do bode expiatório toma nova dimensão, estando ligado com a idéia de alguém que leva a culpa por outro, sendo muito comum em nossa sociedade o estabelecimento desse ente.
Quando alguém é pego em alguma falta, a primeira idéia que emerge do senso comum é a de arrumar um responsável ou mesmo um culpado para atenuar os erros apontados.
Essa história vem de longa data, pois o nosso pai Adão ao ser interpelado pelo próprio Deus já arrumou de pronto um “bode expiatório”, ou melhor, uma “cabra expiatória” declarando: “Senhor a mulher que tu me deste por esposa, ela me deu da árvore e eu comi (Gen 3:12)”. Por conseguinte, Eva  também cria o seu bode ou melhor uma “cobra expiatória”, culpando a serpente por sua falta.
O fato é que segundo o relato bíblico todos erraram, tendo, portanto, sua parcela de culpa e consequentemente de responsabilidade. Ficando patente da história bíblica, que quando alguém enaltece os erros alheios, parece tentar atenuar os próprios desvios de conduta.
Essa é uma questão ética que sempre me intrigou a ponto de me incomodar bastante, principalmente quando o foco do debate deixa de ser a verdadeira falta, e passa a ser, por exemplo, se a outra pessoa deveria ou não ter trazido a luz o desvio de conduta.
Entendo que alguém que tenta esquivar dos seus erros, usando como escudo os erros dos outros, é leviano com sua própria personalidade, já que o crescimento como pessoa emerge muitas vezes do reconhecimento dos erros, e da consciência  que se deve melhorar  assumindo as conseqüências de sua próprias ações.
A superação ética sempre virá da confrontação do eu com a conduta ideal, é ledo engano acreditar que o fato de existir pessoas moralmente desviadas fará os outros superiores no tocante a conduta moral.
O próprio Deus sempre requer uma conduta de arrependimento frente aos erros cometidos por cada um: Quando triunfam os justos, há grande festividade; quando, porém, sobem os perversos, os homens se escondem.O que encobre as suas transgressões jamais prosperará;mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia (Pv 28:12-13)
          Em uma época onde impera o relativismo ético-moral os “bodes expiatórios” são figuras cada vez mais úteis para aliviar o peso na consciência das pessoas, mas uma coisa é certa, jamais conseguirão apagar de fato as faltas e conseqüências dos desvios cometidos. Pense nisso!

Pr. Jonas Silva


                                                

LEILÃO DE SANTIDADE


Leilão terminou às 9h desta quarta (Foto: Divulgação)

          Ultimamente um assunto recorrente entre alguns dos meus companheiros da Escola Superior de Guerra, vem sendo o leilão da virgindade da brasileira Catarina Migliorini. Segundo noticiado na internet (http://g1.globo.com) o referido certame comercial chegou ao fim:

“O leilão pela virgindade da brasileira Catarina Migliorini terminou às 9h desta quarta-feira (24). O lance mais alto foi no valor de US$ 780 mil, o equivalente a mais de R$ 1,5 milhão. Na manhã desta quarta, a poucas horas do fim do leilão, seis pessoas disputavam a virgindade da garota no site 'Virgins Wanted'. Os lances foram alternados entre os seis: três americanos, um australiano, um indiano e um japonês. O japonês foi o autor do lance mais alto.

          Sei que muitos devem estar dizendo que realmente chegou o fim do mundo, contudo, creio que antes do fim veremos ainda muitas coisas estarrecedoras.
          Na verdade o fato me fez pensar um pouco sobre uma das características de nossos dias, que a comercialização de tudo. E Considerando que a prostituição é uma das profissões do mundo, entendo que muito mais que a virgindade, a moça em questão estava negociando valores.
          O que me faz indagar: Qual a importância que determinados valores (retidão, pureza, honestidade, respeito às autoridades, respeito, etc) têm hoje em nossa sociedade? E Qual a posição da Igreja, frente ao vilipêndio de tais valores?
          Talvez a resposta mais simplória seja a do senso comum, que é atirar pedras, proferindo um discurso moralista. Mas, Jesus sempre impõe uma reflexão, antes de apedrejarmos pessoas alheias, a de respondermos sinceramente, no tribunal da nossa consciência, como anda a nossa vida.
          No mercado dos valores, quais foram os negociados pela Igreja? Quais foram os princípios leiloados?
Valores e princípios estes, negociados pelo preço do sucesso ministerial e pessoal. A igreja desta era, onde tudo se negocia, prefere pregar uma mensagem também comercial, em detrimento dos valores éticos estabelecidos na Palavra de Deus.
Em nome do crescimento numérico, a mensagem da renúncia imposta pelo chamado ao discipulado, tornou-se anacrônica e “démodé”, a igreja vem se tornando mais uma proposta de sucesso para uma geração egoísta e consumista.
Nesta lógica mercantilista, tudo vale, negocia-se a Palavra, atenuando os requisitos de mudança e de transformação imposta à pessoa que se propõe seguir a Jesus, tornando a mensagem satisfatória para a sociedade consumista na qual a Igreja estar inserida.
Temo que a jovem brasileira, não seja a única em nosso tempo, que vem negociando valores, pois, acredito que muitos vêm leiloando a sua santidade, por preço muito abaixo do conseguido no leilão da virgindade. Fica o despertamento para não olharmos somente para o mundo como inquisidores, mas principalmente para o papel da igreja frente a essa geração.
Faço minhas as palavras de Cícero: “O tempora, o mores!” Ou seja, “Oh tempos, oh costumes!”.

Pr. Jonas Silva


CRISTIANISMO E CIDADANIA




          Em uma época na qual a mensagem cristã evangélica vem se tornando cada vez mais egoísta, antropocêntrica e desconectada de qualquer sentido de transformação existencial. Onde o “ter”, que se concretiza na venda de bênçãos materiais, em detrimento do “ser”, que aponta para o poder transformador do Evangelho, requer que os seres pensantes da igreja revejam o papel social da Igreja.
          Mas qual a implicação de pensar a igreja na dimensão social? Após muito refletir, acho que fatalmente pensar a igreja urge que respondamos as seguintes questões:
·       O Cristianismo é uma religião estritamente dos céus, ou há algum componente aqui na terra, com implicações práticas na vida do cristão?
·       Qual a razão da Igreja Evangélica ter crescido tanto no Brasil, sem, contudo, redundar em mudança ética da sociedade?
·       A mensagem do Evangelho deve simplesmente arauto do sucesso, das riquezas, das curas físicas, sem levar em conta que o chamado de Jesus, é o chamado à renúncia que implica na mudança de vida em todas as áreas?
·       A igreja deve ser influenciada pelo mundo, ou ser uma agência influenciadora e promotora de mudanças profundas na realidade na qual está inserida?

Amigo leitor, dou a você toda permissão e direito de discordar, pois, talvez as questões e inquietações acima, não são suas, e sim minhas, não cabendo a você qualquer compromisso de apropriação.
Mas confesso que elas são para mim alvo de incômodo, pois sempre entendi que o Evangelho, não o da prosperidade, mas o de Jesus Cristo, tem que redundar na transformação de vidas, vidas estas que mudam a realidade na qual está inserida.
Defendo veementemente que viver o cristianismo bíblico não pode em nenhuma hipótese, descambar em uma filosofia anacrônica, onde se estabelece uma dicotomia gnóstica, onde o ser cristão implica em uma fuga do mundo. Neste gnosticismo transvertido de piedade, cabe a argumentação equivocada: Sou Crente, cidadão dos céus, devo fechar a minha existência para a realidade circundante, em fim, já não sou do mundo.
Em nenhum momento Jesus ensinou esta ruptura, na verdade ele dá um sentido todo especial para a vida dos cristãos que mesmo não sendo do mundo estão no mundo para serem sal e luz.
Ser sal da terra e luz do mundo na ótica do Evangelho, tem uma dimensão social muito relevante, pois, implica em sermos enquanto igreja não seres alienados para não dizer alienígenas, mas agentes que transformam a sociedade, por meio do resgate dos valores e padrões bíblicos.
Entristeço-me, e muito, quando a sociedade acusa a igreja Evangélica de ser negociadora da mensagem de Cristo, ser instrumento de alienação e de dominação, massa de manobra, ponto comercial da fé. Mas, o que mais me incomoda, é que muitas vezes, há um fundo de verdade nas acusações.
As acusações são frutos de um cristianismo equivocado da nossa geração, pois, a igreja abandonou a sua missão profética, de ser agente de transformação social, gerando uma comunidade de discípulos, que vivem segundo padrões de justiça bíblico, pregam justiça social e resgatam as instituições (Família, Igreja, Escola, Política etc), ou seja, expressam toda a plenitude de sua cidadania.

Pr. Jonas Silva



NÃO ACREDITO EM DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO, E SIM, EM TOLERÂNCIA RELIGIOSA



 


          Ultimamente tenho ouvido se falar muito em diálogo inter-religioso e tolerância religiosa, mas percebo que a primeira ideia está de certa forma equivocada.
          Já que entendo que não há qualquer possibilidade do estabelecimento de um diálogo inter-religioso, considerando o próprio sentido do diálogo, bem como, o que a religião representa para cada um dos seus verdadeiros adeptos.
          Gostaria de ressuscitar um antigo assunto postado aqui no blog, que é diálogo na visão do filósofo alemão Hans Georg Gadamer (1900-2000).  Para Gadamer, a conversação é um processo de acordo. Logo requer uma postura frente ao outro, ou seja, deixar espaço para os diversos pontos de vistas, colocar-se no lugar do outro, comprometido com a compreensão do que se diz. Respeitando a opinião, a fim de se chegar a um acordo em relação ao tema do diálogo.
          O Dialogo na perspectiva gadameriana é um impressor de marcas. É a intersecção entre mundos, ou melhor, cosmovisões, influenciado e se deixando influenciar. Logo, não pode haver diálogo entre vidas hermeticamente fechadas. E isto se dar por meio da troca de experiências. Como diria o referido filósofo alemão:
Onde o diálogo teve êxito ficou algo para nós e em nós que nos transformou
          Para uma melhor compreensão, entendo que devemos fazer uma reflexão sobre o que a religião representa e implica para cada pessoa que a abraça verdadeiramente.  Vejamos algum dessas implicações:
1)    Para o adepto, a Religião define a sua visão de mundo, seus valores e perspectivas de presente e de futuro;
2)    Cada Religião vem como uma revelação transcendental, sendo para o adepto, a mais estrita verdade;
3)    A Religião sempre tomará o sentido de Sagrado, e fora dela sempre haverá o antagonismo do profano.

Logo, partindo desta perspectiva, como podemos dialogar, ou seja estar aberto para o mundo alheio, quando cada um desses mundos está construído, sob um cosmovisão totalmente destoante e antagônica. Pois dialogar representaria estar disposto a aceitar ou estar aberto para mudanças, e em religião, mudar é desconfigurar ou profanar o Sagrado.
          Vejamos algumas simulações para ilustrar melhor o que estou querendo dizer.
  Um Judeu e um Cristão: Dialogar neste caso, é admitir a possibilidade de aceitar ou rejeitar a pessoa de Jesus Cristo como Messias, o que é inaceitável para um Judeu e inegociável para um Cristão, logo, este diálogo já mais passaria de uma conversa, onde cada um exporia a sua visão.
Um Cristão e um Espírita Kardesista; Dialogar neste caso, é o Cristão estar disposto a discutir a suficiência do sacrifício de Jesus e para o Kardesista rever a doutrina de reencarnação.

Na esteira do exercício que acabamos de fazer, poderíamos citar inúmeros  exemplos. Contudo, uma coisa acredito, que as diversas expressões religiosas devem se respeitar, e não encarar a outra como inimiga, odiando, rejeitando ou discriminando, pois, o amor, que é pregado, de forma recorrente, na maioria das religiões, deveria ser o mote para enxergarmos no outro, um ser digno de respeito. 
Amamos baleias, golfinhos, cachorros, que, obviamente, não são adeptos de nossa religião, mas, por outro lado, odiamos o homem, pelo o único motivo de não professar a mesma fé. Pensemos nisso.


Pr. Jonas Silva.

ELEIÇÕES – AS FALÁCIAS (MENTIRAS) MAIS PREGADAS NAS IGREJAS EVANGÉLICAS



 


          Talvez alguns leitores venham sentindo a falta de postagens no blog, mas, como já havia postado anteriormente, estou na cidade do Rio de Janeiro, freqüentando o Curso de Logística e Mobilização Nacional na Escola Superior de Guerra.
          O Curso é muito bom, mas, prende muito, são aulas palestras, conferências, trabalhos, quando retorno para casa, já chego com todo o meu poder reflexivo esgotado.
          Quanto à cidade maravilhosa, realmente é muito bonita, mas, tenho que confessar que me descobri extremamente narcisista, pois cada lugar que vou, cada paisagem, me faz amar mais a minha Recife. Como já me declarei anteriormente, sou viciado em clichês, e como tal, duas frases ditas por nordestinos não saem da minha cabeça:
E Vi o mundo... e ele começa no Recife” Cícero Dias
“Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto. Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto É que Narciso acha feio o que não é espelho” Caetano Veloso

          Deixando as minhas questões saudosistas de lado, vamos ao que interessa. Ultimamente venho me preocupando muito com as campanhas eleitoreiras dentro das igrejas, e sei que nesse processo, muitos devem estar repetindo diuturnamente alguns argumentos, visando manobrar o rebanho do Senhor, querendo torná-lo em um curral eleitoral, ou melhor, rebanho eleitoral.
Vejamos alguns desses argumentos falaciosos:

1)    Crente vota em Crente ou Evangélico vota em Evangélico: A verdade é que devemos escolher candidatos não pelo grupo a que pertence, mas pelas propostas que ele apresenta. Que adianta votar em um político que será extremamente improdutivo e despreparado, no exercício do cargo recebendo altos salários.
2)    Vote nos políticos evangélicos, pois, eles são honestos: A prática vem mostrando exatamente o contrário, pois, segundo Estudo publicado pela ONG Transparência Brasil, afirma que 57 % (ou seja, a maioria) da Frente Parlamentar Evangélica estão com pendências na justiça, entre os processos figuram: improbidade administrativa, corrupção eleitoral, abuso do poder econômico, sonegação fiscal, peculato e apropriação indébita de bens públicos.
3)    Vote nos políticos evangélicos pois, eles são fiéis: A exemplo da falácia anterior, estudo da mesma ONG (Transparência Brasil), revela que 95 % (ou seja, quase todos) da Frente Parlamentar Evangélica está no grupo dos mais ausentes nas plenárias. Acho que contra fatos não há argumentos.
4)    Vamos mostrar o poder de influência da Igreja elegendo vários candidatos: Acho que a junção poder temporal com o espiritual, já foi demonstrada historicamente que é bastante prejudicial para a humanidade. A própria nação de Israel queria um messias político, mas Jesus demonstrou que essa não era a sua missão, mas a igreja parece querer andar na contramão dessa lógica. A Influência que os evangélicos brasileiros tanto almejam, devem se estabelecer a partir da pregação do Evangelho e do Testemunho dentro e fora dos arraiais eclesiásticos.
5)    Precisamos eleger um candidato da nossa igreja ou denominação para termos voz ativa: Cuidado com esse argumento, pois, a voz da igreja é a voz profética, que não só deve ecoar nos parlamentos, mas, principalmente no mundo, nas ruas e praças denunciando o sistema pecaminoso. Muitas vezes os interesses que estão por traz do argumento são escusos, como: Negociação de favores e cargos, poder, dinheiro etc.

Queridos leitores, gostaria de terminar afirmando, que temos como lideres o cuidado e a responsabilidade de não fazermos politicagem e coronelismo com o rebanho do Senhor, devemos instruí-lo para o voto e cidadania consciente.

Pr. Jonas Silva

IGREJA E ELEIÇÕES: POVO LIBERTO OU MASSA DE MANOBRA?



          Sempre me preocupei e tentei entender o caráter libertador do Evangelho. Pois, percebo que a liberdade cristã é um tema bastante incompreendido no seio da Igreja Evangélica.
          Em linhas gerais, ser livre na perspectiva cristã, consiste em não viver sob a égide de um sistema controlado pelo pecado, onde o Reino das Trevas estabelece o seu trono. Tal sistema vai manifestar uma cosmovisão lastreada em todos os seus “valores” e princípios, tais como: imoralidade, desonestidade, corrupção, violência, deturpação ética, perversão de valores, desigualdade social etc.
          Ser livre enquanto cristão, implica em uma mudança de valores, que reflete em todos os aspectos de nossa vida, inclusive no exercício de cidadania.
          Contudo, quando observo o envolvimento de muitas lideranças evangélicas brasileiras nas campanhas eleitorais, fico refletindo sobre que tipo de liberdade se tem sido pregada e vivenciada nas igrejas.
          Observo que se tem sido feito política a partir das igrejas e dentro das mesmas na forma mais suja e barata possível, muitos lideres defendem que os Evangélicos tem que mostrar a sua força votando em candidatos que professem a sua fé, ou que vão beneficiar de alguma forma a sua denominação ou igreja.
          Neste tipo de política, talvez o melhor termo seja politicagem, as lideranças evangélicas deixam de lado a sua sagrada missão de ensinar ao rebanho acerca da liberdade em Cristo, que implica na realidade de como ser um cidadão melhor, como influencia em sua realidade social a partir do voto consciente e responsável, e passam a ser negociadores dos votos do rebanho, que nada mais é no contexto das eleições, um verdadeiro curral eleitoral.
          Reclamos do mensalão, da desonestidade na política, mas percebo que a igreja, que poderia fazer a diferença, vota de forma cega e irrefletida, motivada por argumentos falaciosos em candidatos sem nenhum compromisso com a sociedade.
          Entendo que lideres que compreendem o verdadeiro sentido da liberdade cristã, jamais deveria conduzir o rebanho a votar neste ou naquele candidato, e sim, ensinar o povo (rebanho) como votar e as implicações do seu voto.
          Um líder compromissado com Deus, não negocia o voto do rebanho que lhe foi confiado pelo Senhor, objetivando auferir vantagens pessoais ou mesmo ministeriais, pois o compromisso de qualquer cristão liberto pelo poder do Evangelho, é com Deus e com a ética que ecoa da Revelação.
          Ser livre é quebrar as amarras de um sistema opressor de mentes e consciências, por isso a Igreja tem que se portar, inclusive nas eleições, como um povo livre, rejeitando qualquer manipulação e subterfúgio que a afasta desta condição.
          Somos um povo livre, por isso, não permitamos jamais que nos use como massa de manobra, em favor de sentimentos egoístas lastreados em subterfúgios falaciosos e mentirosos de líderes transvestidos de piedades, mas no fundo com sentimentos oriundos das trevas.

Pr. Jonas Silva

UM POUCO SOBRE A MINHA IDA À ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA (ESG)




Procuro não falar muito da minha vida pessoal no blog, já que este não é seu principal objetivo. Contudo, resolvi contar um pouco da minha decisão de passar mais de três meses na cidade do Rio de Janeiro, longe das minhas ovelhas, familiares e alunos do seminário, já que acredito que eles merecem alguma explicação.
          Para quem não sabe, eu sou Oficial Superior do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, e sempre conciliei a minhas diversas atividades (discípulo, pastor, esposo, pai, filho, estudante e professor) com o meu lado profissional, procurando dar o melhor de mim em todos papéis. Ambição nunca foi a minha motivação de vida, mas, tenho que confessar que desafios sempre me atraem.
          Quando cogitaram a minha ida à ESG para realizar o Curso de Logística e Mobilização Nacional, a primeira resposta foi não, e decididamente não, mas aí vem o desenrolar da história, que terminou, para encurtá-la, como uma missão dada, que aprendi e defendo que deve ser cumprida.
          Enxerguei dentro de toda esta questão um trabalhar de Deus, não só na minha vida, mas também daqueles que são tão dependentes de mim, a ausência é uma chance de preencher o espaço vazio com nossas habilidades e possibilidades, que às vezes estão dentro de nós e nem percebemos.
Mas com as novas possibilidades vêm os novos medos, que brotam das incertezas, dos laços relacionais atenuados pela distância, da ausência, da quebra de rotina e coisas do gênero. O novo sempre é um monstro que me assusta. Em meio a todos esses dilemas, uma frase bem clichê, vem ecoando constantemente em meus ouvidos: “As nossas decisões devem  ser boas, mas, nem sempre fáceis.
O interessante que a contagem de tempo para mim tomou uma novo sentido, e vem permitindo novas perspectivas, quando acordo e durmo, sempre tenho a idéia angustiante, que é um dia a menos que passo com as pessoas amadas, com as coisas e lugares, que tomam uma nova dimensão de preciosidade, antes imperceptível e velada pela rotina. Acho que estou sofrendo de saudades antecipadamente. Mas tenho certeza que a saudade que se concretiza, não há de se comparar com a alegria da volta.
Agradeço pela compreensão daqueles que incentivaram a minha decisão, mesmo sabendo que não foi fácil para eles, assim como não foi para mim, mas, compreenderam e enxergaram a bondade e a graça em toda essa história. Rogo a Deus que tudo isso redunde em crescimento para mim, para minha família, amigos, ovelhas e alunos, e que eu possa glorificar o nome do Senhor na ESG e a onde for.

Pr. Jonas Silva

DOIS ANOS DO BLOG CAMINHANDO EM SANTIDADE




          Hoje  completa dois anos que começei a grande aventura de  escrever os meus dilemas e inquietações em um blog.
          Talvez para muitos, dilemas e inquietações sejam sentimentos que não combinem com um pastor, mas tenho que confessar que observar a espiritualidade contemporânea sem se inquietar, é querer fechar os olhos para a realidade dos fatos.
          Contudo, sempre acreditei que fechar os olhos podendo enxergar, é um ato de covardia e de alienação, e foi exatamente esta proposta que fiz a resolver escrever este blog, não ser covarde e nem alienado.
          Sei que muitas vezes falei de coisas irrelevantes para muitos, mas nada que escrevi foi irrelevante para mim, pois todos os assuntos foram ou são problemas reais, no sentido que um problema só se torna problema quando nos incomoda e há uma apropriação.
          A idéia do blog Caminhando em Santidade jamais foi disputar em um mercado que aparentemente se tornou tão competitivo, onde se mede a qualidade de um blog pela quantidade de acessos e seguidores, e que a necessidade de postar algo novo freneticamente, faz com que muitos redatores há muito não para escrevam algo seu, onde os figurões da blogosfera evangélica evitam figurar como seguidores de redatores que são ilustres desconhecidos.
          Sempre evitei colocar o meu currículo em meu perfil, pois sempre acreditei que sou mais dos que títulos acadêmicos, e que as minhas graduações e pós graduações não dão respaldo ao que falo, mas o que tem que respaldar cada post, é o fato que eles poderem ser verdades ou problemas reais.
          O importante é que o tempo (dois anos) andou mexendo com a gente sim, hoje olho para trás, e posso dizer que estou amadurecendo e mudando, acho que materializar esta conclusão, é uma das grandes facetas do blog, pois, ao longo de dois anos vejo um pouco de mim pulverizado em cada post, e posso perceber o quanto erramos e acertamos.
          Gostaria de agradecer primeiramente a Deus que me vez humano e cheio de inquietações, a cada seguidor do blog, cada visitante, um pouco mais de 32.000 (trinta e dois mil), mesmo sabendo que boa parte deste número eram pessoas que buscavam alguma imagem que estava atrelada a  postagem, e que talvez nem tenha parado para observar o que estava escrito.
          Neste aniversário de dois anos, uma certeza tenho, sei como e quando começou o blog caminhando em santidade, mas não sei quando e como vai terminar, pois caminhar em santidade, não é caminhar em nossa vontade e sim compreender que toda a nossa vida deve servir ao propósito daquele que nos resgatou de uma vã maneira de viver para sua maravilhosa luz, sabendo que aquele que começou uma boa obra em nós é fiel para aperfeiçoá-la até o dia de Cristo Jesus.

Pr. Jonas Silva

                                      

PRÁTICA DENOMINACIONAL:EU PREFIRO TER AQUELA VELHA OPINIÃO, A SER UMA METAMORFOSE AMBULANTE






          Já fazia algum tempo que não comparecia às reuniões da Ordem de Pastores de minha denominação, em virtude das aulas que estava tendo aos sábados.
           Pós graduação concluída, neste último sábado (14/07/12) pude comparecer à reunião em questão, como de costume, após o momento devocional, tem início a seção administrativa, onde são lidas as correspondências, as ata, os relatórios etc.
          Contudo, nesta reunião em especial, chamou-me atenção alguns pedidos de desligamento de pastores do convívio denominacional, pedidos estes, motivados por diversos fatores, por não dizer desculpas: visão de Deus, falta de oportunidade, discordâncias etc.
          Não obstante as diversas desculpas apresentadas, percebo que a essência parece ser a mesma, que é o egoísmo e a quebra de valores consagrados, fruto do espírito da pós modernidade, que permeia não só a sociedade, mas, também, a práxis cristã evangélica contemporânea.
          Existir como convenção em nossos dias não é tarefa fácil, pois vemos que cada vez mais os ministérios e as igrejas com uma forte tendência a serem independentes, é muito comum assistimos a quebra da comunhão denominacional por qualquer fator de discordância.
          Na contemporaneidade, onde impera o jeito neo pentecostal de ser igreja, a idéia de uma identidade teológica e eclesiológica perdeu a força, identidade esta, que era mantida pelas convenções denominacionais. Fazer parte de uma denominação, implicava necessariamente em ser identificado por uma série de qualidades ou até mesmo defeitos peculiares a cada grupo.
          O problema é que parece vivemos uma verdadeira torre de babel dentro das denominações, onde muitos líderes querem fazer o que lhe é mais conveniente, abrindo mão de toda tradição histórica, que tornou a sua denominação identificável como tal.
          Hoje temos de tudo, em termo de denominações históricas, sem falar as neo pentecostais que nem vale à pena comentar, vejamos alguns paradoxos:
·       Assembleianos que consagram mulheres ao ministério pastoral;
·       Pastores Batistas que se intitulam apóstolos;
·       Presbiterianos com práticas litúrgicas neo pentecostais;
·       Batistas tradicionais com práticas pentecostais, e, por aí vai

          Tenho certeza que a nossa práxis teológica e eclesiológica têm que ser repensadas todo dia, contudo, repensar tal prática, não implica em abrir mão da identidade denominacional e se curvar ao espírito da pós modernidade, onde tudo é permitido em nome de uma nova revelação ou mover.
          Ser convencional em nossos dias, mantendo e zelando pela tradição histórica, traduzida na essência de nossa práxis teológica e eclesiológica, é considerado démodé, pois na leitura dos apóstolos de plantões e lideres neo pentecostais, manter um laço denominacional que não se traduza simplesmente no nome em uma placa, é andar no sentido contrário do “mover”.
          Querido leitor eu sei que fazer uma defesa da tradição e dos valores das denominações, parece soar antiquado e ultrapassado, mas, prefiro ter aquela velha opinião formada sobre algumas coisas, a ser uma metamorfose ambulante denominacional.

Pr. Jonas Silva

Rookmaaker - Palavra Antiga


Acabei de ler o livro de " A arte não precisa de Justificativa" de H. Rookmaker publicado pela editora Ultimato,  livro bastante interessante sobre a relação entre espiritualidade e manifestações artísticas.
Na visão do autor, qualquer discussão sobre o papel da arte deve ser precedida por uma afirmação básica: a arte não precisa de justificativa — nem por motivos religiosos ou propósitos evangelísticos, nem por fins econômicos ou políticos.
Uma leitura bastante esclarecedora e confrontadora, principalmente quando vivenciamos como prática, a separação entre o sagrado e o secular, de forma, que a arte no âmbito das igrejas, em especial a música, devem expressar uma mensagem evangelística cristã, sendo inclusive desprezada qualquer outra expressão artística  descompromissada com o ideal religioso.  
Vale a pena ler, estou postando abaixo um pouco da biografia de Rookmaaker extraída de http://pt.wikipedia.org/wiki/Hans_Rookmaaker.
Bem como uma música  da Banda Palavra Antiga, que tem por título Rookmaaker, o vídeo foi elaborado por um pessoal  aqui de Recife, e traz um pouco da cena da cidade.

 
Henderik Roelof "Hans" Rookmaaker foi um escritor holandês que se converteu ao cristianismo. Nascido em 27 de fevereiro de 1922, Rookmaaker foi também professor de teoria da arte, história da arte, música, filosofia e religião. Faleceu em 13 de março de 1977.
Em 1948 ele conheceu teólogo cristão Francis Schaeffer e se tornou um membro do L'Abri, na Suíça. Hans e sua esposa Anky abriu uma filial holandesa de L'Abri em 1971.
Após um doutorado em história da arte com uma dissertação sobre Gauguin da Universidade de Amsterdam, ele se tornou o fundador do departamento de história da arte na Universidade Livre de Amsterdã.
Rookmaaker combinou sua carreira acadêmica, com um papel prolífico de abordar a ambigüidade sobre a arte entre os cristãos e ambigüidade sobre a fé entre os artistas. Sua tese principal foi colocado para fora em sua publicação de 1970, intitulada Arte Moderna e A Morte de uma Cultura.




Pr. Jonas Silva

MESTRE JONAS: DENTRO DA BALEIA A VIDA É TÃO MAIS FÁCIL




          Uma vez um colega de turma do curso de Filosofia comentou que, em virtude do nome,   sempre se lembrava de mim, quando ouvia a música Mestre Jonas, de Sá, Rodrix & Guarabyra. Confesso que não conhecia a música, contudo, passado de algum tempo, e intrigado, fui averiguar do que se tratava, e para minha surpresa, o Mestre Jonas da canção falou profundamente ao meu coração, vindo a ser um desafio para minha espiritualidade.
          Embora sejam histórias parecidas, gostaria logo de ressaltar que o Mestre Jonas de Sá e Guarabira, não tem nada a ver com o Profeta Jonas da Bíblia, contudo, ambos nos dão lições profundas sobre espiritualidade. Na verdade sempre nos deparamos com Jonas dos dois tipos em nossas igrejas.
          O Mestre Jonas da canção é aquele tipo de gente que se relaciona com Deus exclusivamente para estabelecer uma zona de conforto para a sua vida, a igreja, a denominação, uma pseudo-espiritualidade, passam a ser desculpas para se isolar do mundo.
          Para estes, o Cristianismo é a sua grande baleia, confortável e segura, mas fechada em si mesma, a sua visão, o seu mundo estão restritos aos limites do grande mamífero.
          Para o Mestre Jonas e para muitos Jonas que encontramos por aí, que importa o mundo fora da baleia, ou da religiosidade, as tempestades e demandas, não fazem parte do seu espaço, logo, não são seus problemas.
          Viver como o Mestre Jonas, é viver sob um sistema falacioso, acreditando que o fato de estarmos isolado em nossa baleia (Igreja), é a vontade do pacto firmado com Deus. E é exatamente neste aspecto, que vejo a semelhança entre o Profeta Jonas e o Mestre Jonas, ambos são egoístas e equivocados na sua relação com Deus, e principalmente, em perceber as conseqüências desta relação para a sua vivência com o próximo, que necessariamente tem que redundar em manifestações de amor. O Mestre Jonas retratado por Sá Rodrigues e Garabira é o cristão que perdeu o sentido de ser sal da terra e luz do mundo.
A meu ver o Mestre Jonas é muito mais pernicioso do que o Jonas da Bíblia, pois ele é capaz de passar a vida toda em função da manutenção de seu status quo espiritual, acreditando que estar fazendo a coisa certa, mesmo vivendo em plena desobediência ao chamado do Senhor Jesus Cristo.
Contudo, o Jonas da Bíblia dá uma grande lição ao Mestre Jonas da canção, pois o primeiro só exerceu o seu ministério profético quando clamou e saiu do grande peixe. Da mesma forma a Igreja só cumprirá a sua missão profética quando compreender que Deus não nos chama ao isolamento, e sim ao envolvimento.
Gostaria de desafiar você que tem vivido como o Mestre Jonas, isolado do mundo, sem amor pelas almas perdidas, que não consegue enxergar alem dos limites do seu mundinho eclesiástico, que mesmo vivendo desta forma, acredita que está sendo sincero com Deus, mas, no fundo está é fugindo da vontade do Senhor, saia de sua baleia, e vá aos perdidos anunciar o grande amor de Deus.


Pr. Jonas Silva

Mestre Jonas

Sá, Rodrix & Guarabyra

Dentro da baleia mora mestre Jonas,
Desde que completou a maior idade,
A baleia é sua casa, sua cidade,
Dentro dela guarda suas gravatas, seus ternos de linho.
E ele diz que se chama Jonas,
E ele diz que é um santo homem,
E ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria,
E ele diz que está comprometido,
E ele diz que assinou papel,
Que vai mantê-lo dentro da baleia,
Até o fim da vida,
Até o fim da vida.
Dentro da baleia a vida é tão mais fácil,
Nada incomoda o silêncio e a paz de Jonas.
Quando o tempo é mal, a tempestade fica de fora,
A baleia é mais segura que um grande navio.

 
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