O EVANGELHO DA AUTO AJUDA

Tenho ido freqüentemente a uma livraria evangélica em minha cidade e duas coisas vem me deixando preocupado. A primeira, para minha frustração, que mesmo tendo sido lançado a alguns meses, ainda não chegou aqui na Veneza Brasileira o CD novo da Banda Resgate, prova que Recife é a maior cidade pequena do mundo.

Não atingido o meu objetivo de comprar o CD da Banda Resgate, fico com cara de besta, olhando as estantes de livros, ai se estabeleceu a segunda preocupação, que é a constatação que a temática da literatura evangélica vem trilhando o mesmo rumo dos livros de auto-ajuda.

A literatura de auto-ajuda é o grande filão do mercado editorial brasileiro, são livros com temáticas sugestivas, que promovem a falsa idéia que o leitor irar encontrar neles as respostas para alguns de seus dilemas existenciais, e que após a leitura, o mesmo terá sua vida transformada.

Na verdade a auto-ajuda parte do pressuposto humanista, que o homem encontrará as respostas e remédio para sua dor existencial, nele mesmo, contudo, fica a pergunta: Será que esta é a perspectiva do Evangelho do Senhor Jesus Cristo?

Não só não duvido, como proclamo aos quatro ventos, que o Evangelho é a grande resposta para os grandes dilemas existenciais da humanidade, contudo, o foco e a fonte da ajuda não está dentro do homem, e sim em Deus que se revelou, entre outras formas, por meio das Escrituras e da pessoa do Nosso Senhor Jesus Cristo.

A literatura de auto-ajuda evangélica, com seus títulos alentadores ou desafiadores, com boas sacadas de Marketing, vem levando a uma geração de Cristãos a abrirem mão da boa reflexão bíblica, da exposição das escrituras e da reflexão teológica, em detrimento de um cristianismo antropocêntrico e mono-facetado, no sentido que questões complexas, que antes eram resolvidas com a ajuda do alto (dos céus), agora parecem ser resolvidas com formulas mágicas consignadas em livros de péssimo teor doutrinário e teológico.

Parece que o Evangelho vem coexistindo pacificamente com a superficialidade do homem contemporâneo, o qual a existência se resume enganosamente em meros perfis em rede sociais, e a comunicação, revestida da falsa capa do diálogo, ocorre no ambiente cibernético, É o homem do imediatismo, das formulas prontas, do consumo desenfreado, da superficialidade existencial, do conhecimento de apostilas e do Google.

O Evangelho que deveria ser um contraponto libertário para superficialidade e aridez existencial do homem contemporâneo, levando-o a pensar a sua existência a partir da perspectiva Bíblica. Parece que no afã de estabelecer um ponto de contato com este homem vem abrindo mão de seus pressupostos basilares, pressupostos estes, que não combinam com auto ajuda, pois o homem pecador e caído não tem condição de ajudar a si mesmo.

Não são fórmulas mágicas que irão libertar o homem, mas o arrependimento e mudança de atitude em relação a sua vida com Deus, não é o novo conhecimento que transforma o homem, mas, sim, o novo nascimento.

Temo pelo futuro da Igreja, pois uma igreja que não trata o pecado, como tal, que não ensina a genuína Palavra de Deus, que as revistas de escolas Bíblicas Dominicais não mais abordam temas teológicos, que oitenta por cento do espaço das livrarias evangélicas, são destinados aos livros do tipo auto-ajuda ou devocionais, igreja esta que mesmo crescendo em número, falhará em seu principal propósito que é trazer a ajuda do alto para transformar existencialmente o homem da sua geração.



Pr. Jonas Silva





SOU RESPONSÁVEL PELO QUE DIGO, NÃO PELO QUE VOCÊ ENTENDE


SOU RESPONSÁVEL PELO QUE DIGO, NÃO PELO QUE VOCÊ ENTENDE



            Eu tenho que confessar que adoro clichês, e a frase que dá o título a este post,  pesquei do blog da Rô (http://mulheresabias.blogspot.com/). Como blogueiro que muitas vezes tenta questionar as coisas que meus olhos não casam e nem param de enxergar, a frase vem fazendo todo sentido para mim.
            Muitas vezes me deparo com certos comentários em alguns posts, que me deixam intrigados, primeiramente pela falta de educação, depois pela falta de racionalidade, e finalmente por muitas vezes atribuir aos meus textos coisas que não disse e nem queria dizer.
            Talvez você que esteja me lendo neste momento, esteja exatamente pensando que todo texto é passível de interpretação, e eu concordo, contudo, fica, a questão: O autor deve ser responsável pelas interpretações levianas, e desconectadas com o verdadeiro sentido do texto? A resposta mais simples seria, é obvio que não.
            Mas essa lógica, tão obvia, parece não nortear a argumentação de certos comentadores, pois aos fazerem ataques pessoais a partir de suas interpretações levianas e vazias, parece que não só me tornei responsável pelo que disse, mas também, pela imbecilidade e incapacidade de entender o sentido do texto postado.
            A hermenêutica pós-moderna dá supedâneo para a pluralidade de interpretações, tornado-as todas aceitáveis e possíveis, não podendo sobre sua ótica, se encontrar um significado fixo para um texto, e que tanto a identidade como a intenção do autor são irrelevantes para a sua interpretação, ou seja, todas as interpretações são igualmente válidas, ou igualmente sem significado. 
            É a hermenêutica pós-moderna que vem permitindo todo tipo de interpretação Bíblica, destituída que qualquer sentido original que o autor sagrado registrou por meio do processo revelacional, é a tese da possibilidade da pluralidade de interpretações que norteia as Igrejas Neo Pentecostais com todos os seus excessos e desvios doutrinários, a ordenação feminina, a teologia gay e novidades do gênero.
            A hermenêutica pós-moderna declara a morte do autor, pois a mesma só se torna viável, partindo da tese, que aquilo que o mesmo registrou e queria dizer em seu texto ou discurso, poder não ter nada a ver com a interpretação de suas palavras e idéias, pois o sentido dado, é só mais um sentido, mesmo que a interpretação implique em assassinar o autor, calar a sua voz,  violentá-lo na essência de suas idéias.
            Por mais aceitável que pareça as ideias da hermenêutica pós-moderna, nos debates filosóficos, gostaria de firmar uma posição, o autor deste blog ainda não morreu e nem foi arrebatado, por isso, caso você tenha dúvida quanto ao sentido do texto, pode me perguntar e tirar suas dúvidas, uma vez as mesmas esclarecidas, pode me culpar pelo que disse.
Mas, caso contrário, caso você queira dar um sentido novo ao meu texto, com suas interpretações e projeções, mesmo com frases entre aspas, que perdem o sentido fora do contexto, gostaria de lembrá-lo, que sua interpretação não é de minha responsabilidade.
Não atire pedras no suposto autor do texto, pois ele, o texto, pode ter sido forjado por sua própria interpretação, sendo, o texto interpretado, de sua responsabilidade, mesmo que venha assinado por este pobre blogueiro.
E me perdoe a minha querida e companheira de Blogosfera, Irmã Rô, caso tenha dado um sentido a sua frase, que não tenha sido o que ela pretendia, mas se isso por ventura tenha acontecido, assumo total responsabilidade, e aceito as suas explicações.

Pr. Jonas Silva

A IGREJA NARCISISTA E A TEOLOGIA DE JOÃO NARCISO


  



            Narciso era um personagem da mitologia grega que se apaixonou por sua própria imagem refletida em um ribeiro de águas límpidas. A paixão foi tanta, que a sua vida e satisfação passaram a ser a contemplação do reflexo seu próprio rosto, tal fixação, o levou a morte.
            Da mitologia grega surgiu a partir dos estudos da psicanálise o termo narcisista, que em linhas gerais é alguém que nutre amor excessivo a si mesmo e por sua própria imagem, para um narcisista a beleza e a perfeição está nele mesmo. Um poeta definiu muito bem o que é ser narcisista: “ é que narciso acha feio o que não é espelho”.
            Mas essa altura você deve estar me perguntando o que Narciso tem a ver com teologia?, E finalmente, quem esse teólogo João Narciso?
            Embora Freud não explique, o Narcisismo teológico é uma debilidade que leva certos cristãos a terem uma grande dificuldade de aceitarem qualquer outro cristão que não pense de forma semelhante a ele mesmo.
            O Narcisista teológico, tem uma dificuldade imensa de separar usos e costumes de doutrinas bíblicas, para ele, crente que é crente tem que se vestir como ele (usar paletó em pleno meio dia em cidades tropicais, as mulheres tem usar roupas que não bastem ser decentes, mas tem que ser saias compridas, coques etc).
            O irmão narcisista praticamente prega que fora do seu grupo não há salvação, os integrantes das outras igrejas não são irmãos, são primos, que para se tornarem irmãos, e, conseqüentemente salvos, necessitam entrar para a sua igreja.
            Os Pastores narcisistas não permitem que Pastores de outras denominações preguem em suas igrejas, mesmo que eles usem a mesma Bíblia, falem do mesmo Jesus e anunciem o mesmo Evangelho, afinal, Pastor Narcisista acha feio o que não é espelho.
            A teologia narcisista não permite dialogo com qualquer outra interpretação bíblica, mesmo que razoável, acerca dos mais controversos temas teológicos periféricos: Soterogia (Calvinistas x Arminianistas), Escatologia (pré x pós tribulacionistas, amilenistas x milenistas), Dons do Espírito Santo (tradicionais x pentecostais).
            O Narcisismo teológico estabelece uma linha divisória entre aqueles aderiram a sua interpretação, e, os outros que pensam diferente dele. O narcisista geralmente pergunta ao se deparar com outro irmão: Se ele é reformado, ou pentecostal, ou qual é sua denominação. Antes mesmo de perguntar se ele foi Salvo pelo mesmo Jesus, ler a mesma Bíblia, tem a mesma esperança em Cristo Jesus.
            O Crente Narcisista olha para o espelho e pergunta: Espelho, espelho meu existe alguém mais crente do que eu? Existe uma Igreja mais salva que a minha? Ou, Existe denominação mais santa que a minha?
O Narcisista não estar preocupado em pregar o Evangelho do Reino, e sim anunciar as ideais de seu teólogo predileto, João Narciso, em suas mensagens ele aparece mais do que o Senhor Jesus. Geralmente ele é mais narcisista que o próprio João Narciso. Pois finalmente o que seria do Apóstolo Paulo e dos Evangelhos se João Narciso não os tivesse interpretado.  .   
Infelizmente a denominação, o irmão e a teologia narcisista acham heresia aquilo que não é espelho, correndo o risco de falecer em seu sectarismo, por não compreender que unidade não é uniformidade, e que o Corpo de Cristo não impõe um exclusivismo denominacional ou teológico.  

Pr. Jonas Silva


 
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