A MARCHA PARA JESUS: A TEOLOGIA DE DODÔ E OSMAR



 

            Hoje, no dia 24 de outubro de 2011, acontecerá em minha cidade (Recife) a Marcha para Jesus, evento que suscita vários debates e dúvidas. Na própria Igreja que pastoreio, fui interpelado por diversos membros acerca da questão.
            A minha resposta em linhas gerais, foi sempre afirmar: Acho a idéia maravilhosa, ajuntamento das igrejas evangélicas para abençoar a cidade, contudo a forma que se impõe, pelo menos aqui em Recife, enxergo como deplorável e totalmente desconexa do propósito inicial.
            Falo isso, não como alguém que finca suas bases no preconceito, mas sim, como um expectador que já participou da Marcha, inclusive por dois anos, do alto de um trio elétrico.
            O que observei como expectador da Marcha, foi um verdadeiro carnaval fora de época, embalado por músicas gospel, onde o propósito inicial só servira, para chancelar o evento, contudo, a “práxis” não deixa nada a dever aos blocos baianos.
            O que me incomoda, é ter minha inteligência violentada, pelo discurso de muitos pastores e lideres que asseveram que a marcha é um ato profético, de fundamental importância para a conquista espiritual das cidades. Pois, a mesma, a inteligência, me leva a perguntar: Qual a importância de um ato dito profético, restrito a um único dia do ano, diante de uma igreja que se omite de sua responsabilidade profética durante os outros 364 (trezentos e sessenta e quatro) dias do ano, responsabilidade esta, que impõem: denunciar pecados, injustiças sociais, batalhar na dimensão espiritual.
            A Marcha deste ano em minha cidade, vem revestida de uma nova motivação, que é opor-se a passeata gay ocorrida a semana passada no mesmo local, que impõe uma nova lógica equivocada, vamos mostrar  que somos maiores e melhores, que o outro grupo. Mas, será que é esta dimensão que a cosmovisão cristão impõe para enfrentarmos a situação? Ou será, que a confrontação, serve de desculpa, e de oportunidade para os políticos cristãos colherem dividendos, usando a igreja como massa de manobra.
            Infelizmente, diante da pseudo e sórdida espiritualidade que lastreia a Marcha para Jesus, onde as danças, as vestes, as atitudes, a músicas, não objetivam a adoração a Deus, e, sim, dar vazão a carnalidade, desta feita, chancelada pelas igrejas evangélicas.
            Em relação a Marcha para Jesus, só encontro base teológica, na teologia de Dodô e Osmar,  baianos que inventaram o trio elétrico, que afirmavam: Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu. Contudo, fica a dúvida: Será que quem morreu e nasceu de novo iria?

Pr. Jonas Silva
  
                                                                    

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