DIÁLOGO VIRTUAL É POSSÍVEL?

           
            Neste ano tomei a decisão de dar andamento a minha vida acadêmica, então me matriculei em uma pós-graduação em docência da Filosofia e Sociologia no Instituto Salesiano de Filosofia (INSAF), uma das mais conceituadas instituições de Ensino de Filosofia em meu estado.
            Com a decisão, vieram as aulas e os trabalhos, e em um desses trabalhos tive o contato com o pensamento de Gadamer sobre o diálogo  do filósofo alemão Hans Georg Gadamer (1900-2000).  
            Hans-Georg Gadamer, foi o principal representante da corrente hermenêutica em seu país. Foi aluno de Heidegger e sucedeu Karl Jasper na cadeira de filosofia da Universidade de Heidelberg (1949). As sua principal reflexão acerca do diálogo encontra-se na obra Verdade e Método, no ensaio datado de 1972 A incapacidade para o diálogo..
            Não que concorde com todos os posicionamentos de Gadamer, contudo, achei fantástica a sua abordagem sobre o diálogo, e me vez entender que cada vez mais o homem moderno vem se afastando do processo que lhe é peculiar, que é a capacidade de dialogar.
            Para Gadamer, a conversação é um processo de acordo. Logo requer uma postura frente ao outro, ou seja, deixar espaço para os diversos pontos de vistas, colocar-se no lugar do outro, comprometido com a compreensão do que se diz. Respeitando a opinião, a fim de se chegar a um acordo em relação ao tema do diálogo.
            O Dialogo na perspectiva gadameriana é um impressor de marcas. É a intersecção entre dois mundos, duas visões e duas cosmovisões, influenciado e se deixando influenciar. Logo, não pode haver diálogo entre vidas hermeticamente fechadas. E isto se dar por meio da troca de experiências. “ Onde o diálogo teve êxito, ficou algo para nós e em nós que nos transformou”
Nesta perspectiva, o Diálogo para Gadamer é muito mais que um intercâmbio de sons ruidosos, e expressões comunicativas, já que ele envolve o entrelaçamento existencial de seus atores. E se materealiza em um encontro e uma permuta de certa maneira de dois mundos, visões do mundo que se confrontam. Diálogo é exatamente aquilo que Deus fazia todos os dias na viração do dia com Adão, o encontro que marcava existencialmente os nossos pais ali no Jardim do Èdem.
Contudo, neste mundo cibernético em que vivemos, os relacionamentos, a amizade saiu do mundo físico, para o mundo virtual, ser em nossos dias envolve também entender que somos não só no mundo real, mas também na virtualidade da internet.
Então estamos diante de um dilema, como entendermos entrelaçamento existencial, se o ser no mundo cibernético, geralmente se traduz por meros perfis em rede sociais, maquiados muitas vezes pelos ideais de egoísmo e grandezas fincados em idiossincrasias.
Como entende existência, se o real se esconde atrás de uma máquina, onde não há franqueza, onde o ser virtual se torna uma mascara para esconder frustrações e dores existenciais.
 O diálogo depende sempre de uma figuração da palavra, e das  diversas formas que ela se manifesta (gestos, sinais,etc). A Conversação em "chats" e mensagens em redes sociais, nada mais é que uma espécie de movimento de imaginação. Ou seja: o que se exige não é mais a figuração linguística, é o que a imaginação produz de empatia, que muitas vezes está bem aquém da realidade.
Será possível estabelecer diálogo genuíno onde os agentes envolvidos nada mais são que “avatares” superdimensionados pelo ego?
A resposta é não, contudo, cada vez mais o homem moderno vem entendo que os relacionamentos virtuais, preenchem a sua necessidade existencial de diálogo. Vivemos dias onde se fala em amizade virtual, amante virtual, adultério virtual e até mesmo sexo virtual.
 A minha preocupação real e não virtual, é que cada vez mais as pessoas têm se afastado do verdadeiro sentido da comunhão, do diálogo, da amizade, que marcam a cada encontro existencialmente os participantes, tornando em virtual aquilo que é para ser realidade,  que é o ato de ser  humano traduzido em qualidades e defeitos reais.

Pr. Jonas Silva

                     
Hans-Georg Gadamer

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