FESTAS JUNINAS: SEM JOÃO E SEM JESUS


 
Um dos períodos do ano que mais me intrigam, como Pastor, é o período junino,,já que as festas comuns ao mês de Junho (São João, São Pedro e Santo Antônio) são bastante forte em minha cidade, revestindo-se até mesmo do cunho cultura popular.
As indagações da membresia são muitas: Pr. Podemos ir para uma festa de São? Pr. Vamos fazer um arraial “gospel” em nossa igreja? Pr. Vai haver um forró “gospel” na igreja do meu amigo, posso ir lá dançar um pouco? Pr. Vamos  fazer um São sem Jesus?
            Não nego, sou um profundo admirador da cultura popular do meu Estado, contudo, admito que muitas de suas expressões possuem as suas raízes no paganismo, e são dotadas de um caráter sincrético religioso, como exemplo podemos citar, entre outras: o Maracatu, O carnaval, festa de Cosme e Damião e até mesmo o São João.
            A miscigenação entre cultura popular e manifestações pagãs, requer de nós cristãos, um olhar crítico sobre a questão, destituído de infantilidades espirituais e demonizações vazias, contudo coerente com a cosmovisão bíblica.
Vamos ao nosso caso concreto! As festas juninas, como inicialmente eram chamadas, tiveram origem antes da Idade Média, como festas pagãs e só foi absorvida como cristã, pela igreja católica, após a Idade Média, quando começou a ser utilizada para celebrar dias de santos do mês de junho: Santo Antônio (13 de junho), São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho), deste fato vem a denominação de festa Junina,.
O costume de se comemorar os santos de junho foi trazido para o Brasil pelos portugueses, no período colonial, no século XVI. Na época, já havia recebido elementos da cultura chinesa (fogos de artifícios), espanhola (dança de fitas) e francesa, por meio da dança marcada, uma característica da dança dos nobres franceses, que influenciou fortemente a nossa tradicional quadrilha. Todo este caldo cultural foi se misturando com tradições indígenas, afro-brasileira e outras trazidas por emigrantes dos diversos países do mundo, daí se explica as características próprias das festas em cada região brasileira.
            Um dos grandes problemas atrelados a espiritualidade pós moderna, é o querer vivenciar o cristianismo a partir de uma ótica pagã em detrimento dos ensinos bíblicos,, agregando a práxis cristã elementos pagãos e elementos culturais contraditórios a ética cristã.
            A partir desta ótica distorcida, que tudo é miscível, logo, se pode misturar qualquer coisa, partimos para os piores devaneios vivenciados pela igreja (Fetiches, simpatias, amuletos “gospels”, canaval evangélico, Festas de São João dentro das igrejas evangélicas com todas as suas manifestações).
            Fico pensando, e me acho violentado em minha inteligência espiritual, quando alguém, e esse alguém, na maioria das vezes Pastores, me vem com as desculpas esfarrapadas:
·      Não é festa de São João, pois mudamos o nome: É festa de Sem João com Jesus!!. Contudo, faz tudo igualzinho as festas mundanas.
·        É um forrozinho gospel, os  jovens da igreja vão dançar agarradinho, mas sem maldade. Como se pudéssemos controlar os hormônios dos jovens e adolescentes.
·       É uma quadrilha santa, contudo, a pobre noiva da quadrilha continua  aparecendo grávida e o noivo sempre casa obrigado. Isto não seria uma mensagem condenada em nossa vivência Cristã?
·      Festa Junina é cultura popular, e a mensagem cristã reformada não tem que destruir a cultura. E quando a cultura é pagã e pecaminosa, temos que aceitá-la mesmo assim?

Querido leitor, você pode até não concordar comigo, contudo, a frouxidão de valores, a falta de reflexão bíblica, olharmos o mundo com lentes que não sejam a Bíblia, o mercantilismo eclesiástico que torna a igreja em uma mera produtora de eventos, entre outras excrescências, transformou a Igreja Evangélica Brasileira em um verdadeiro circo dos horrores, ou melhor, em um arraial junino, perdendo mais uma preciosa oportunidade de fazer a diferença.


Pr. Jonas Silva




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