PASTORES EM ESCALA INDUSTRIAL

A China vem demonstrando a vantajosidade da produção em larga escala, barateamento do preço, popularização ao acesso. Hoje quase todo mundo ocidental tem um produto “ching ling” em sua casa.

Por outro lado, a produção em larga escala possui outra faceta, que é qualidade dos produtos “ching ling”, já que os mesmos possuem mil funções, contudo, funcionam mal, duram pouco e são descartáveis.

A lógica da produção em larga escala infelizmente chegou ao mundo eclesiástico, hoje a ordenação de Pastores vem se fazendo de forma indiscriminada.

Sempre compreendi que ser Pastor é mais que um cargo, é uma função, por isso, ser pastor não se consuma exclusivamente com a investidura que vem da ordenação, mas sim, com o ato cotidiano de pastorear

A ordenação e o exercício pastoral são duas faces de uma mesma moeda, da sublime missão de conduzir o rebanho do Senhor.

Em linhas gerais o ministério pastoral é balizado nos seguintes aspectos: vocação, chamamento e unção, esta tríade se soma para respaldar o exercício de pastorear não o nosso rebanho, mas o do Senhor.

Contudo, a igreja de nossa geração parece que vem esquecendo-se destes aspectos ao ordenar ministros do Evangelho, hoje ser pastor é meramente encarado como a ocupação de uma posição de destaque na estrutura eclesiástica.

Hoje qualquer um pode ser “pastor”, basta fazer um curso a distância, honrar com suas mensalidades e no final do curso o aluno já sai com “credencial” , como se meras carteiras chancelassem aquilo que só Deus pode respaldar.

Ministérios negociam com pessoas influentes na sociedade a unção pastoral. O convite à consagração funciona como chamariz para agregar tais irmãos às suas comunidades, como se o fato de serem juízes, médicos empresários, militares e políticos, respaldassem um título que é emitido pelo próprio Senhor.

Pastores consagram irmãos, genros esposas, filhos e amigos, destituídos de vocação pastoral. Condenamos o nepotismo na vida pública, contudo convivemos muito bem com o nepotismo eclesiástico.

O título pastoral hoje é distribuído de forma indiscriminada, já que serve para indicar meramente proeminência na vida eclesiástica, e servem para designar cantores gospel, comunicadores evangélicos e pessoas do gênero. Foi esquecido pela igreja moderna, que não é título que respalda a vida, mas é a vida que respalda o ministério.

Atos dos Apóstolos no capítulo 08 conta a história de um homem que quis comprar a unção de Deus, Simão, que por isso foi duramente repreendido pelos Apóstolos. Do ato de Simão se originou uma palavra em nosso vocabulário, simonia, que significa tráfico de coisas sagradas e venda de bens espirituais.

Impor as mãos sobre alguém sem a direção de Deus e outorgá-lo o título pastoral, por dinheiro, amizade, afinidade ou qualquer outra motivação sórdida, nada mais é que cometer simonia.

O que mais me entristece é que hoje podemos dizer que “pastores” são ordenados em larga escala, contudo a exemplo dos produtos chineses (“ching ling”), tais ministros, embora baratos, não desempenham bem a função a que se propõem, são frágeis e descartáveis.










Pr. Jonas Silva.

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