DIA DOS COMERCIÁRIOS: UM FERIADO EVANGÉLICO BRASILEIRO



Eu sei que algumas verdades são bem inconvenientes, contudo, o objetivo do blog, realmente é trazer reflexões, sobre estas questões, que muitas vezes me incomodam e que nem sempre temos as respostas.

Nunca quisemos e nem podemos querer, ao trazer determinadas reflexões nos colocarmos em um patamar superior as demais pessoas, por isso, sempre usamos na maioria das vezes a primeira pessoa do plural em nossos posts, pois ao falarmos da Igreja, temos que entender que somos parte dela. Contudo, como diz aquela canção da Banda Resgate: “não podemos deixar de falar daquilo que nossos olhos não se cansam de enxergar”.

Neste domingo Filipe, nosso filho de 05 (cinco) anos, foi que nos deu o mote para este post. Ao nos deslocarmos para igreja, ele nos fez lembrar que amanhã, em nossa cidade, é o feriado dos dias dos trabalhadores do comércio (comerciários). O que nos pensar sobe a estreita relação entre a Igreja Moderna e os funcionários do comércio.

Temos visto nestes dias a Igreja vendendo aquilo que ela recebeu de graça: a fé, a esperança, o conhecimento, os dons e talentos, o poder de Deus etc.

O comércio eclesiástico encontra supedâneo na desculpa da manutenção e provisão dos projetos evangelísticos da igreja e ministérios, mas fico pensando será que realmente é este o objetivo? Ou será que a desculpa, encobre o sentimento de sórdida ganância, onde o objetivo principal não é o estabelecimento do Reino de Deus, mas sim, o de impérios pessoais e denominacionais.

As estratégias de marketing eclesiástico são gritantes e estarrecedores, muitas igrejas são abertas com franquias, por meio de estratégias de mercado, em locais onde poderão trazer melhor retorno financeiro para a denominação ou ministério.

Nesta lógica mercantilista, abrir igrejas em lugares pobres, longínquos, onde a sua manutenção só representem custo para as igrejas ou ministérios, torna-se uma heresia, quase um pecado capital, ou porque não dizer capitalista.

As Igrejas do outro lado da rua, ou do bairro, tornam-se não mais integrantes do mesmo Corpo de Cristo, destinadas a morarem no mesmo céu, mas sim concorrentes, importando que a nossa placa

Os programas das Igrejas, acampamentos, peças teatrais, e demais eventos só são abençoadores se deixarem algum lucro ao ministério. Não faz sentido fazer um programa que o único retorno seja abençoar a vidas, pois vidas transformadas nunca são creditadas em nossas contabilidades eclesiásticas.

Nesta lógica vendem-se de tudo, desde quinquilharias: terra de Israel, sabonete abençoado, sal, rosas ungidas, água do rio Jordão, óleo consagrado, e demais indulgencias medievais contemporanizadas.

O mundo artístico os artistas “gospels” cobram o seu peso em ouro, para se apresentarem gerando lucros astronomicamente superiores aos recursos necessários para a sua sobrevivência.

Vendem-se congressos de avivamento e de adoração ao preço da última coca cola do deserto.

Nunca conseguimos entender por que as Bíblias são tão caras, por que os lançamentos editoriais evangélicos custam mais dos os lançamentos das editoras não cristãs.

Fico imaginando se Jesus entrassem em nossas igrejas, congressos e shows, será que ele não faria o que fez ao entrar no templo, em Jerusalém, expulsando de forma rompante os vendedores daquele lugar.


Pr. Jonas Silva




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