ELEIÇÕES - QUAL O PREÇO DE UM REBANHO?

Todas as vezes que eu vislumbro a ação do ministério pastoral, sempre delineio o quadro metafórico do Rei Davi, ainda Pastor de ovelhas, arriscando a sua vida enfrentando leões e ursos no intuito de proteger indefesas ovelhas do seu Rebanho (I Sam 17:34-37).


Nestes últimos dias, fico pensando o que foi feito deste quadro quando comparado a algumas posturas pastorais nestes dias de campanha eleitoral, e fico pensando se tenho sido muito idealista ou ingênuo, contudo, prefiro acreditar que pastores dão a vida por seu rebanho, ao invés de tomar como verdade a conclusão: que pastores modernos dão a vida do rebanho.

Fico perplexo quando um pastor envolve o seu rebanho em suas ambições políticas, ou mesmo negociam com terceiros o seu apoio, e os votos do rebanho em busca de benefícios temporais ou esmolas ministeriais.

O Pastor é um condutor e um influenciador de vidas, e estes fatos denotam a responsabilidade da ação pastoral, e as possibilidades que a função permite, há muito descobertas pelos políticos.

É muito comum neste dias de campanhas eleitorais, políticos buscarem apoio de Pastores na tentativa de garimparem os votos das ovelhas. Contudo, o que mais me deixa estarrecido são as estratégias utilizadas pelos mesmos, que vão deste a doação de bancos; construção de ambientes na igreja; apoio nos eventos; comparecimento nos cultos, depois de terem vindo da macumba, do pagode, da festa GLS.

A grande questão ética que paira sobre a questão, não é o fato de pastores terem seus candidatos ou mesmo acreditarem em projetos políticos, contudo, até que ponto pode-se envolver o rebanho em campanhas políticas, muitas vezes à custa da alienação, e do uso da credibilidade que líderes espirituais possuem junto a seus liderados.

O púlpito, que seria o local de onde deveria ecoar a mais cristalina Palavra de Deus, é oportunizado a políticos que se dizem evangélicos ou amigos do Evangelho, muitas vezes de vida e testemunhos duvidosos, para exporem demagogicamente as suas plataformas políticas.

Eu fico pensando qual a diferença de um Pastor que negocia o seu rebanho com políticos, para um do cabo eleitoral que compra votos a R$ 50 (cinqüenta reais), e eu até sei, o irrisório valor monetário, pois sai muito mais barato negociar com pastores.

Nas últimas eleições municipais, um colega Pastor me confessou chateado que havia sido traído por seu rebanho, pois o seu Candidato a vereador, que o ajudou a construir a laje da cozinha da igreja por ele pastoreada, o qual havia se comprometido através dos votos de suas ovelhas foi trocado por outro que ofereceu 50 R$ por cada voto.

Diante da sua indignação do Colega, que taxou o outro candidato, com adjetivos dignos de prostitutas do cais do porto, eu me pergunto quem foi mais antiético: o político na compra de votos, que, diga-se de passagem, gastou bem mais que alguns metros de lajes, ou ele que negociou os votos do seu rebanho por mera e irrisória ambição ministerial.

Quando um Pastor negocia os votos de suas ovelhas, ele esquece que os valores mais altos que estão na negociação são a dignidade, o amor que respeita a pluralidade de opiniões, os valores do Reino de Deus, a santidade, a dignidade e principalmente a sua função protecionista, que deveria levá-lo a dar a vida por suas ovelhas. E isto não tem preço; o resto, como mostra aquela propaganda do cartão de crédito, pode ser comprado com o Credicard.





Pr. Jonas Silva

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