PAGANISMO CRISTÃO PROTESTANTE

Sempre pensei que o paganismo estava ligado às religiões que fazem uso de algum objeto cultual e lhe dirigem adoração. E de certa forma isto está correto.


Tal pensamento é muito comum no seio do evangelicalismo brasileiro, já que a conversão à fé protestante é encarada geralmente com o rompimento com o catolicismo romano, e conseqüentemente com os seus ritos cultuais que envolvem veneração (adoração) aos santos materializados em imagens.

Contudo, nestes últimos dias venho aprofundado as minhas reflexões sobre a questão e tenho mudado um pouco as minhas concepções sobre o paganismo.

A raiz do paganismo está atrelada ao ato de substituir Deus por qualquer coisa que tome o seu lugar em qualquer dimensão de nossa vida; ou seja, o ídolo torna-se deus para o idólatra em suas relações (confiança, adoração, expectativas, prazer etc.).

Deus, quando estabelece a sua relação com o povo de Israel no Sinai, já deixa patente qual é a raiz do paganismo. Deuteronômio 6:4-5 aborda esta questão:” 4 Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. 5 Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.” A raiz do paganismo é tornar Deus mais um, ou outro, centro de nossa vida, dirvirtuando a sua unicidade.

Vejo o Evangelho pregado em nossos dias como extremamente idólatra, já que o prazer e a confiança que deveríamos ter em Deus, vem sendo substituído por muitas coisas e por muitos sentimentos.

Hoje já não se chama o pecador para uma reconciliação com Deus por aquilo que Ele é, e sim por aquilo que Ele pode fazer. Prega-se Deus como um ser bastante útil para homem, pelas expectativas materiais e físicas que serão atendidas ao nos relacionarmos com este deus (o d minúsculo é de propósito).

O Abençoador é substitído pela bênção, e o efeito torna-se mais importante do que a Causa, e neste diapasão, a adoração, torna-se moeda de troca. Nesta lógica, o argumento: “se Deus está satisfeito comigo, então Ele vai dar o que preciso”, torna-se bastante razoável.

A igreja moderna prefere atrair o pecador não mas com uma proposta bíblica, e sim por uma proposta mercantilista utilizando como chamariz os “milagres” de Deus, desprezando o fato que Deus não divide a sua glória com ninguém ou com nada, e muito menos com seus feitos poderosos.

Por outro lado, os líderes das igrejas abrem mão de Deus, estabelecendo um novo ídolo, denominado sucesso. O Senhor e sua presença e a fidelidade a sua Palavra são relegados ao segundo plano; o alvo do ministério é o sucesso pessoal e ministerial, consubstanciado em números, custe o que custar.

A adoração, além de moeda de troca, tornou-se entreterimento. O prazer da adoração não está mais no ato de se aproximar de Deus e contemplá-lo pela beleza da sua santidade, mas nas sensações que o ato traz em si. Hoje, muitas igrejas e ministérios tornaram-se adoradores da adoração.

Acho que o grande engano da igreja de nossos dias é acreditar que, por não ter ídolos palpáveis em seus templos, está loge da idolatria. Contudo, muitos ídolos estão entronizados solidamente no coração da membresia e da liderança.




Pr. Jonas Silva

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